Lavagem: Assessor da Casa Civil do Pará é exonerado após prisão em operação da PF

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tal da Transparência, Michel Silva Ribeiro trabalhava como assessor da Casa Civi
Reprodução G1

Destaques:

  • Assessor da Casa Civil do Pará, Michel Silva Ribeiro, foi exonerado após ser preso pela Polícia Federal.
  • A prisão ocorreu em uma operação que investiga lavagem de dinheiro e contratos milionários da Fundação Cultural do Pará.
  • O grupo foi flagrado tentando sacar R$ 500 mil em espécie, com indícios de ocultação patrimonial e uso de “laranjas”.

O cenário político e de segurança pública no Pará foi agitado nesta semana com a exoneração de Michel Silva Ribeiro, assessor da Casa Civil do estado, que foi detido pela Polícia Federal (PF) em uma operação que apura crimes de lavagem de dinheiro. A decisão de desligamento do servidor, que ocupava o cargo desde 2011, foi formalizada por decreto do governador Helder Barbalho e publicada no Diário Oficial do Estado, repercutindo amplamente na capital paraense e levantando questionamentos sobre a integridade de contratos públicos.

A investigação da PF, conduzida em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), foca em um esquema complexo que supostamente desviava e lavava recursos provenientes de contratos milionários firmados com a Fundação Cultural do Pará (FCP). A prisão de Ribeiro e de outros dois homens em Belém expôs uma rede de suspeitas que envolvem grandes somas de dinheiro e a possível utilização de “laranjas” para ocultar patrimônio.

A operação da Polícia Federal e a prisão em flagrante

A ação que culminou na prisão dos suspeitos ocorreu na última segunda-feira, 16 de outubro. Agentes da PF e da Ficco monitoravam o grupo, que foi flagrado realizando um saque de R$ 500 mil em espécie de uma agência bancária em Belém. O montante, sacado de uma conta da empresa Solucione Produções Comércio de Livros e Serviços Ltda., levantou suspeitas devido à incompatibilidade com a renda declarada de um dos envolvidos e o ramo de atividade da empresa, que seria o comércio varejista de livros.

Segundo o relatório da PF, após o saque, um dos homens, identificado como Ronaldy Rian Moreira Gomes, dirigiu-se a um veículo blindado estacionado nas proximidades. No carro, estavam Felipe Linhares Paes, que dirigia, e Michel Silva Ribeiro, o assessor da Casa Civil. Durante a abordagem policial, Felipe Linhares Paes tentou fugir, avançando o veículo contra os agentes e apontando uma pistola Glock 19, o que resultou em troca de tiros, embora ninguém tenha ficado ferido.

No local, os policiais apreenderam a mochila contendo os R$ 500 mil, uma pistola, cinco celulares e o veículo Land Rover utilizado pelos suspeitos. Todos os itens foram encaminhados para perícia, e o caso segue sob sigilo de justiça, com o relatório da PF já enviado ao Ministério Público Federal (MPF), à Justiça e à Defensoria Pública.

Contratos milionários sob investigação

O cerne da investigação da Polícia Federal reside na suspeita de que o dinheiro sacado e o esquema de lavagem estão ligados a contratos que somam R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará. As apurações tiveram início a partir de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações atípicas e o recebimento de valores pela empresa Solucione de indivíduos já investigados por tráfico e lavagem de dinheiro.

O Coaf é um órgão de inteligência financeira do Brasil, responsável por produzir informações para prevenir e combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Seus relatórios são cruciais para identificar padrões suspeitos e iniciar investigações como esta. A apuração da PF também revelou uma suposta rede de pessoas jurídicas interligadas por um procurador comum, que seriam titulares de contas bancárias sem capacidade econômica compatível, indicando a provável utilização de “laranjas” para a ocultação de bens e valores.

Os envolvidos e suas versões

O relatório da PF detalha os papéis de cada um dos presos na operação. Felipe Linhares Paes, apontado como empresário, teria ocultado veículos e empresas por meio de “laranjas”. Ronaldy Rian Moreira Gomes, que se identificou como operador de dobradeira de uma gráfica, é suspeito de atuar como “laranja” de Felipe desde outubro de 2025, recebendo R$ 3.000 para figurar como sócio formal da Solucione. Em depoimento, Ronaldy afirmou que era sua primeira vez em uma operação de saque de tal magnitude.

Michel Silva Ribeiro, o assessor comissionado da Casa Civil do Pará, com 15 anos de experiência como assessor parlamentar, negou qualquer conhecimento sobre o saque ou a arma encontrada. Em seu depoimento, ele alegou que estava em uma “reunião casual sobre produção de livros didáticos” e que apenas pegou carona até o banco, sem saber dos detalhes da operação ou dos contratos entre a empresa e a FCP. A defesa dos envolvidos ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações.

Implicações e desdobramentos

Os crimes em investigação são graves e incluem lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção, resistência e porte ilegal de arma. A participação de um servidor público de alto escalão em um esquema dessa natureza, se comprovada, pode ter sérias implicações para a administração pública do Pará, reforçando a necessidade de mecanismos de controle e transparência mais rigorosos. A exoneração de Michel Silva Ribeiro é um passo inicial, mas a investigação ainda deve avançar para desvendar toda a extensão da rede criminosa e responsabilizar todos os envolvidos.

O caso sublinha a importância da atuação de órgãos como a Polícia Federal e o Coaf na fiscalização e combate a desvios de recursos públicos e práticas de corrupção. A sociedade espera que as investigações sejam aprofundadas e que a justiça seja feita, garantindo a integridade dos cofres públicos e a confiança nas instituições. Para continuar acompanhando os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes que impactam a sua vida e a sua região, mantenha-se conectado ao Portal Pai D’Égua, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada. Acesse o Portal da Transparência para mais informações sobre o uso de recursos públicos.

Fonte: g1.globo.com

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