Justiça aceita denúncia contra cinco jogadores do Vasco-AC por estupro coletivo

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Foto: Arquivo/Jhon Lennon e Sueli Rodrigues
Foto: Arquivo/Jhon Lennon e Sueli Rodrigues

Destaques:

  • A Justiça do Acre acolheu a denúncia do Ministério Público contra cinco jogadores do Vasco-AC por estupro coletivo e de vulnerável.
  • O caso, que envolve duas mulheres em um alojamento do clube, gerou grande repercussão e levou à prisão de atletas e ao rompimento de patrocínios.
  • Além do processo criminal, o MP-AC investiga a polêmica “homenagem” do clube aos jogadores presos e a possível omissão da justiça desportiva.

A 2ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco, no Acre, aceitou nesta sexta-feira (13) a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) contra cinco jogadores da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC). Eles são acusados de estupro coletivo e de vulnerável contra duas mulheres, crime que teria ocorrido dentro do alojamento do clube na capital acreana.

Os jogadores denunciados são Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Brian Peixoto Henrique Ilziario, Alex Pires Bastos Júnior, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes. A decisão judicial marca um avanço significativo no processo que chocou o cenário esportivo e social do estado, trazendo à tona discussões sobre violência sexual e a responsabilidade de instituições esportivas.

O crime e as primeiras investigações

O caso veio à tona em 14 de fevereiro, menos de um dia após os fatos, que teriam ocorrido em 13 de fevereiro. As vítimas, após buscarem atendimento médico na Maternidade Bárbara Heliodora, foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam). Segundo relatos, as mulheres haviam ido ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas a abusos posteriormente. O delegado Alcino Souza, que atendeu a ocorrência, resumiu a situação: “Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação.”

A investigação inicial resultou na prisão em flagrante de Erick Luiz Serpa Santos Oliveira em 14 de fevereiro. Posteriormente, em 15 de fevereiro, a Justiça decretou a prisão temporária de outros três jogadores. Em 17 de fevereiro, Alex Pires Bastos Júnior (conhecido como Lekinho), Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario se entregaram à polícia. A Deam concluiu o inquérito em 9 de março, indiciando inicialmente apenas Brian e Erick pelos crimes.

A ampliação da denúncia pelo Ministério Público

Um mês após o crime, o Ministério Público do Acre, ao receber o inquérito, decidiu ampliar a denúncia, incluindo mais nomes e a qualificação de estupro de vulnerável. Além de Erick, Brian e Alex, foram denunciados Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes. Estes dois últimos, que não haviam sido divulgados anteriormente e foram ouvidos como testemunhas durante as investigações, agora figuram como réus no processo.

Com a denúncia aceita, o juiz substituto Ricardo Wagner de Medeiros Freire determinou o retorno à prisão de Alex Pires Bastos Júnior (que havia sido solto em 10 de março), Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes. A prisão de Erick e Brian foi mantida, reforçando a seriedade das acusações e a necessidade de que os envolvidos respondam perante a Justiça.

Repercussão e desdobramentos além do campo

O caso ganhou contornos de escândalo nacional, especialmente após uma polêmica atitude do Vasco-AC. Em 19 de fevereiro, durante sua estreia na Copa do Brasil, o time acreano entrou em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas então presos. O gesto foi amplamente repudiado pelos Ministérios das Mulheres e do Esporte, que o classificaram como “inaceitável”, e gerou uma onda de críticas nas redes sociais e na imprensa.

A repercussão negativa levou ao rompimento de contratos de patrocínio com o clube, que se viu obrigado a emitir uma nota afirmando não compactuar com qualquer forma de violência e prometendo adotar medidas internas. O Ministério Público do Acre, além da investigação criminal, abriu um procedimento para apurar a “homenagem” aos jogadores e analisar uma possível omissão da justiça desportiva do estado, indicando que as consequências do caso podem ir além das esferas individuais.

A importância da responsabilização no esporte

Este caso do Vasco-AC ressalta a urgência de se combater a violência sexual em todos os ambientes, incluindo o esportivo. A denúncia e o andamento do processo judicial são cruciais para garantir que a justiça seja feita e para enviar uma mensagem clara de que tais atos não serão tolerados. A postura das autoridades e a mobilização da sociedade são fundamentais para proteger as vítimas e promover uma cultura de respeito e segurança.

O Portal Pai D’Égua continuará acompanhando de perto os desdobramentos deste caso, trazendo informações atualizadas e contextualizadas para nossos leitores. Nosso compromisso é com a informação relevante e aprofundada, abordando temas que impactam diretamente a vida e a sociedade. Mantenha-se informado com a gente.

Fonte: g1.globo.com

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