A Nova Filosofia de Trabalho
Um Enfoque no Planejamento Estratégico
Júnior Rocha, desde seus primeiros pronunciamentos, tem enfatizado uma abordagem que coloca a organização e o método acima de tudo. Para ele, o futebol é uma construção permanente, um processo contínuo que demanda planejamento rigoroso antes mesmo de se discutir escalações ou nomes de atletas. Essa visão contrasta com a turbulência emocional que, por vezes, pautou as últimas campanhas do clube. O técnico compreende a paixão fervorosa da torcida bicolor e o peso histórico da camisa do Paysandu, elementos que ele pretende canalizar positivamente para a construção de um ambiente mais resiliente e focado. Sua intenção é criar uma estrutura onde cada passo seja calculado, minimizando riscos e maximizando o desempenho.
O profissional demonstra uma profunda compreensão do contexto que encontrará em Belém. Rocha já visitou a cidade em diversas ocasiões, tanto como jogador quanto como membro de comissão técnica, e expressa admiração pelo povo paraense e sua intensa paixão pelo futebol. Ele reconhece a atmosfera vibrante que a torcida cria, algo que ele classifica como “sensacional” e fundamental para o sucesso da reformulação do elenco. A aposta de Rocha é que, com essa torcida fervorosa e um trabalho interno coeso, o Paysandu se tornará uma força ainda maior, capaz de superar os desafios da próxima temporada e alcançar seus objetivos com um novo sentido de propósito e disciplina.
O Elenco e a Resiliência Psicológica
Seleção de Atletas: Critérios Além do Campo
A montagem do elenco para 2026 é um trabalho que Júnior Rocha descreve como “coletivo e muito forte”. O primeiro e mais fundamental critério para a contratação de qualquer atleta é o desejo genuíno de vestir a camisa do Paysandu e de se mudar para Belém. Essa vontade é vista como um diferencial crucial, evidenciando o comprometimento do jogador com o projeto. Todas as indicações e monitoramentos de atletas passam por uma análise minuciosa dos departamentos de futebol e de análise de desempenho do clube. A equipe técnica busca priorizar jogadores que já trabalharam com a comissão ou que tiveram uma performance destacada em temporadas anteriores, garantindo um certo nível de conhecimento sobre suas capacidades e adaptação.
Além do histórico e do desejo, um critério relevante para as escolhas é a adequação dos atletas às características do modelo de jogo que a comissão técnica tem em mente. Rocha busca jogadores que se encaixem taticamente e que contribuam para a implementação de um estilo de jogo específico. Essa meticulosidade na seleção visa construir um grupo homogêneo e coeso, onde cada peça se encaixe perfeitamente no esquema tático planejado. O processo de captação é visto como um pilar central para evitar os erros do passado e construir uma equipe não apenas talentosa, mas também funcional e alinhada com os objetivos do Paysandu.
A Imperativa Psicologia Esportiva
O futebol, como Júnior Rocha pontua, é um ambiente de extrema competitividade e constante cobrança. Diante dos colapsos emocionais vivenciados pelo Paysandu na reta final da última Série B, a blindagem do grupo contra tais instabilidades torna-se uma prioridade. Rocha é enfático ao afirmar a necessidade e a fundamentalidade da psicologia esportiva no dia a dia do clube. Ele acredita que o sucesso de um time não se resume apenas ao desempenho em campo, mas envolve uma série de variáveis complexas, incluindo o bem-estar mental dos atletas e da comissão técnica. A psicologia, para ele, é um auxílio indispensável para todos os profissionais envolvidos.
O treinador reconhece que, embora os jogadores sejam moldados para lidar com a pressão, eles continuam sendo seres humanos, sujeitos a adaptações e desafios emocionais. A busca pelo “perfil perfeito” é uma ilusão, e é nesse ponto que o suporte psicológico se mostra vital. Ele visa fornecer ferramentas para que os atletas possam gerenciar a pressão, manter o foco e desenvolver uma resiliência mental que os impeça de sucumbir em momentos decisivos. A inclusão da psicologia esportiva no cotidiano do clube reflete a visão de Rocha de um Paysandu moderno, que cuida de todos os aspectos do desenvolvimento de seus profissionais, garantindo um ambiente mais saudável e propício à alta performance.
Lições Aprendidas e a Projeção de um Time Competitivo
A experiência anterior de Júnior Rocha, notadamente sua passagem pelo Luverdense onde conquistou o acesso à Série B e um título da Copa Verde — inclusive sobre o Paysandu —, serve como um alicerce para sua atual missão. Ele expressa grande carinho pelo Luverdense, clube que o projetou, mas afirma estar agora “cego e sedento por trabalho e vitórias” com o Paysandu. Essa determinação reflete a mentalidade de todos os envolvidos com o clube para 2026, com o objetivo claro de formar uma equipe extremamente organizada, dedicada e competitiva, atributos que a torcida bicolor anseia ver em campo.
As lições da Série C, divisão que o treinador conhece bem, são particularmente relevantes. Ele observa que a competição está cada vez mais elitizada e difícil, com a maioria dos clubes possuindo boa estrutura e um nível técnico elevado. Isso impõe uma responsabilidade ainda maior na seleção de atletas, priorizando o profissionalismo, o comprometimento e uma “fome de vencer, aprender e evoluir”. Rocha acredita que esses traços farão a diferença para que o Paysandu alcance as finais e, consequentemente, o acesso. Sua visão tática já está delineada: um jogo de construção, apoiado, com a equipe buscando ser protagonista em campo. Ele entende que a adaptação a essa exigência será um “processo difícil e doloroso” no início, mas confia na capacidade de superação do grupo. Seu princípio de jogo inegociável é a organização, tanto na fase defensiva quanto na ofensiva, resultando em um time corajoso, com atletas que saibam exatamente o que fazer com e sem a bola, um Paysandu pronto para entregar sua alma em cada partida.
Fonte: https://www.oliberal.com