A seleção do Irã fez sua estreia na Copa do Mundo em solo norte-americano nesta segunda-feira (15), em um cenário que transcendeu as quatro linhas do campo. Após meses de intensas tensões geopolíticas, incertezas sobre sua participação e dificuldades burocráticas para acessar os Estados Unidos, a equipe asiática empatou por 2 a 2 com a Nova Zelândia em Los Angeles, em partida válida pelo Grupo G da competição.
O resultado movimentado colocou iranianos e neozelandeses na liderança provisória da chave, que também conta com Bélgica e Egito. Todas as quatro equipes somam um ponto, já que egípcios e belgas também ficaram no 1 a 1 em Seattle, mais cedo. Para as seleções da Ásia e da Oceania, o sonho de uma classificação inédita à segunda fase do Mundial permanece vivo, apesar dos desafios dentro e fora de campo.
A complexa participação do Irã no Mundial
A presença do Irã na Copa do Mundo de 2026, sediada em parte pelos Estados Unidos, gerou uma expectativa incomum, que remonta ao histórico confronto contra os próprios EUA na Copa da França, há 28 anos. No entanto, a atenção não se concentrava apenas no desempenho esportivo, mas nas profundas implicações da guerra e das relações diplomáticas entre os dois países.
Os Estados Unidos são sede dos três compromissos da equipe iraniana na fase de grupos. Uma solicitação para que os duelos fossem transferidos para o México, outro país anfitrião da competição, não foi aceita. Mesmo com o anúncio de um acordo de cessar-fogo de 60 dias no domingo (14), o conflito prévio já havia impactado significativamente a logística da seleção.
Obstáculos burocráticos e o impacto na equipe
Jogadores, dirigentes e membros da comissão técnica do Irã enfrentaram consideráveis problemas para obter o visto de entrada nos Estados Unidos. A situação chegou a um ponto em que o então presidente norte-americano, Donald Trump, declarou em março que a seleção asiática era “bem-vinda” à Copa, mas que a participação do país não seria “apropriada”, evidenciando a delicadeza do contexto.
A crise política também pode ter influenciado decisões esportivas. O atacante Sardar Azmoun, terceiro maior artilheiro da seleção, ficou de fora do Mundial. A versão oficial atribuiu a ausência ao descumprimento de prazos para a obtenção de visto. Contudo, em março, Azmoun foi fotografado ao lado do primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e dirigente do Shabab Al-Ahli, seu clube, um país considerado aliado dos Estados Unidos, levantando especulações sobre as reais razões de sua ausência.
A logística da equipe iraniana foi rigorosa. Concentrados em Tijuana, no México, os atletas foram autorizados a entrar em solo estadunidense apenas um dia antes das partidas da fase de grupos, conforme determinação do Departamento de Segurança Interna. A seleção chegou a Los Angeles no fim da tarde de domingo e teve que deixar o país já nesta terça-feira (16), demonstrando a rigidez das condições impostas.
Protestos e a voz da comunidade persa em Los Angeles
Horas antes de a bola rolar, a atmosfera em Los Angeles foi intensificada por manifestações. Membros da comunidade persa local se reuniram em frente ao palco do jogo para protestar contra o governo iraniano. Embora alguns estivessem presentes para apoiar a seleção, muitos outros defendiam a retirada da equipe da Copa, argumentando que os atletas seriam coniventes com o regime atual.
Os manifestantes exibiam a bandeira com um leão e um sol ao centro, um símbolo que deixou de ser oficial após a Revolução Islâmica de 1979. Essa bandeira, por ser considerada um símbolo político, costuma ser proibida pela Fifa. No entanto, muitos torcedores conseguiram entrar com ela no estádio, em um ato de desafio e expressão de identidade.
O duelo em campo: emoção e reviravoltas
Apesar de toda a crise geopolítica, o primeiro tempo em Los Angeles foi bastante animado, com ambas as equipes buscando o gol incessantemente. Foram 16 chutes e 28 erros forçados nos 45 minutos iniciais, indicando a intensidade do confronto.
A Nova Zelândia abriu o placar aos seis minutos, com Elijah Just, que tabelou com Sarpreet Singh e, após um passe de Chris Wood, finalizou sem chances para o goleiro Alireza Beiranvand. Mesmo em vantagem, a seleção da Oceania manteve a postura ofensiva, o que abriu espaços para o Irã contra-atacar em velocidade.
O Irã assustou aos 22 minutos com o artilheiro Medhi Taremi, que acertou a trave. Aos 32, o empate veio com Ramin Rezaeian, que aproveitou uma sobra na área após jogada com Saman Ghoddos e Shahriyar Moghanlou. A virada quase ocorreu nos acréscimos, mas um gol de Ali Nemati foi anulado por impedimento.
No segundo tempo, a Nova Zelândia novamente saiu na frente, aos nove minutos, com Just puxando um contra-ataque e finalizando após tabela com Wood. A vantagem, contudo, durou pouco. Aos 18 minutos, Mohammad Mohebi cabeceou com precisão um cruzamento de Rezaeian, empatando novamente a partida.
À medida que as substituições foram feitas, a velocidade do jogo diminuiu. Ambas as equipes continuaram buscando o ataque, mas a qualidade na preparação das jogadas já não era a mesma. No fim, o empate por 2 a 2 prevaleceu, deixando o Grupo G com todas as equipes empatadas em pontos.
Próximos desafios e o cenário do Grupo G
O próximo compromisso do Irã será contra a Bélgica, novamente em Los Angeles, às 16h (horário de Brasília) de domingo (20). No mesmo dia, às 22h, a Nova Zelândia enfrentará o Egito em Vancouver, no Canadá. As próximas rodadas serão cruciais para definir quem avançará para a próxima fase, em um grupo que promete emoções até o fim.
Para o Irã, cada partida será um teste não apenas de habilidade, mas de resiliência em meio a um ambiente político complexo e de alta visibilidade. Acompanhe todos os desdobramentos e análises aprofundadas no Portal Pai D’Égua, seu portal multitemático com foco em informação relevante, atual e contextualizada. Fique por dentro dos principais acontecimentos do esporte e do mundo, com a credibilidade e a variedade de temas que você merece.
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