O ex-deputado federal Arnaldo Jordy fez duras críticas à impunidade no judiciário do Pará, denunciando a existência de uma “rede de proteção” que impede a prisão de condenados por pedofilia. Em uma entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, Jordy, autor de uma histórica CPI que investigou o tema no estado, apontou o caso Sefer como um exemplo alarmante de impunidade. O médico Luiz Afonso Sefer foi condenado há 16 anos e, mesmo com o processo transitado em julgado, continua em liberdade.
Resistência do TJPA e Pressão Externa
Segundo Jordy, o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) historicamente apresentou resistência no julgamento de crimes sexuais contra vulneráveis. Entre 2005 e 2009, foram registradas apenas 17 condenações por estupro de vulnerável, uma média de três por ano. No entanto, após pressão da CPI e da mídia nacional, esse número saltou para 93 condenações em 2010, evidenciando a necessidade de intervenções externas para garantir a justiça.
Influência do Poder Político e Econômico
Arnaldo Jordy destacou a influência do poder político e econômico de figuras envolvidas no caso, que acabam interferindo nas decisões judiciais. Ele mencionou que o ex-procurador-geral do Estado é sobrinho do condenado e que empresas ligadas à família possuem contratos milionários com o governo. Para Jordy, o silêncio institucional se torna o principal aliado dos criminosos, permitindo que a impunidade perdure.
O Combate à Impunidade e Números Alarmantes
Em relação ao caso Sefer, o ex-deputado ressaltou que houve tentativas de revogar decisões já transitadas em julgado, evidenciando a falta de comprometimento com a justiça. A intervenção do corregedor nacional do CNJ foi necessária diante desses absurdos. Além disso, os números da impunidade são chocantes: 16 anos desde a condenação de Luiz Afonso Sefer, apenas três condenações por estupro de vulnerável por ano em 2009, e 93 condenações em 2010 após a pressão da CPI da Pedofilia.