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Idoso de rua morre na Praça do Relógio em Belém e expõe vulnerabilidade social

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Imagem gerada com IA
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A Praça do Relógio, um dos pontos históricos e de grande circulação em Belém, foi palco de uma triste descoberta na manhã do último sábado (25). O corpo de um idoso em situação de rua, conhecido popularmente na região como “Cachorrão”, foi encontrado sem vida. A notícia rapidamente se espalhou, gerando comoção e levantando discussões urgentes sobre a vulnerabilidade social na capital paraense.

Populares que transitavam pela movimentada área comercial do Ver-o-Peso foram os primeiros a constatar o óbito. Segundo relatos de testemunhas, o homem teria passado mal no local, levando à mobilização para acionar o socorro. O Centro Integrado de Operações (CIOp) registrou a ocorrência por volta das 6h49, informando que a vítima “estaria em crise convulsiva e, após a crise, na chegada do resgate, já não havia sinais vitais”.

Detalhes da Trágica Descoberta e a Investigação Policial

Após a constatação da morte, a área da Praça do Relógio foi isolada para os procedimentos periciais. Uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) foi acionada para remover o corpo e encaminhá-lo para exames de necropsia. Estes exames são cruciais para determinar a causa exata do falecimento, que pode ter sido por causas naturais, possivelmente agravadas pelas condições de extrema vulnerabilidade em que o idoso vivia.

A Polícia Civil do Pará, por meio de nota, informou que o caso foi inicialmente registrado na Seccional de São Brás. A corporação esclareceu que, ao contrário de algumas informações preliminares que circularam entre testemunhas, não há confirmação de overdose. A morte foi classificada como natural. “O Serviço de Verificação de Óbitos foi acionado para a remoção do corpo”, destacou o órgão, reforçando a necessidade de aguardar os laudos oficiais.

A Tragédia do Idoso e a Vulnerabilidade Social em Belém

A morte de “Cachorrão” na Praça do Relógio expõe uma realidade dolorosa e complexa enfrentada por milhares de pessoas em situação de rua em Belém e em todo o Brasil. A ausência de um lar, a exposição a intempéries, a falta de acesso a serviços básicos de saúde e alimentação adequada são fatores que fragilizam a vida e reduzem a expectativa de vida desses indivíduos. A identidade do idoso ainda não foi oficialmente divulgada, e a busca por familiares é um dos desafios pós-óbito.

O Grupo Liberal, em sua apuração, buscou contato com a Fundação Papa João Paulo XXIII (Funpapa) para verificar se o idoso recebia acompanhamento de equipes de assistência social, se havia algum registro de identificação prévia e quais medidas seriam tomadas para o sepultamento e localização de parentes. A reportagem também questionou sobre a existência de instituições municipais de longa permanência para idosos em situação de vulnerabilidade na capital, mas, até o momento, não obteve retorno. A assistência social é um pilar fundamental para garantir a dignidade e os direitos de cidadania, como detalhado em programas governamentais de apoio à população vulnerável. Para mais informações sobre assistência social, consulte o portal do Governo Federal.

Um Precedente de Violência: A Agressão no Umarizal

A morte do idoso “Cachorrão” ganha um contexto ainda mais alarmante ao ser lembrada dias após outro grave episódio envolvendo uma pessoa em situação de rua na capital paraense. Em 13 de abril, um homem foi covardemente agredido com uma arma de choque nas proximidades de uma unidade do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), no bairro do Umarizal.

As agressões foram registradas em vídeo e amplamente divulgadas, causando revolta. Os envolvidos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como o autor dos choques, e Antônio Coelho, que teria filmado a ação, ambos rindo durante o ato. Embora os suspeitos tenham sido conduzidos à Seccional de São Brás e posteriormente liberados, um deles se apresentou espontaneamente no dia seguinte, acompanhado de advogado, para prestar esclarecimentos.

Repercussão e Ações Institucionais Diante da Vulnerabilidade

A Polícia Científica do Pará concluiu o laudo pericial da arma de choque, encaminhando-o à Polícia Civil, que segue com a investigação. O órgão informou que os celulares dos suspeitos ainda não foram recebidos. O caso, dada a condição social e psíquica da vítima, passou a ser conduzido por uma delegacia especializada vinculada à Diretoria de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAV), com prazo inicial de 30 dias para conclusão do inquérito.

A repercussão do caso do Umarizal foi ampla. O Centro Universitário do Estado do Pará instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta dos estudantes, que foram afastados. O processo segue em andamento. O Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado do Pará (MPE) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também manifestaram repúdio e acompanham o caso.

Felizmente, após o episódio, o homem agredido foi localizado e encaminhado ao serviço municipal de acolhimento. A Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna informou que ele permanece internado, com quadro psiquiátrico estável, recebendo atendimento especializado. Um laudo será emitido para encaminhamento à Defensoria Pública do Estado, visando garantir seus direitos.

A morte de “Cachorrão” e a agressão no Umarizal são lembretes contundentes da urgência em fortalecer as redes de apoio e proteção social. O Portal Pai D’Égua continuará acompanhando esses e outros temas relevantes, trazendo informação aprofundada e contextualizada para que nossos leitores estejam sempre bem informados sobre os acontecimentos que impactam a sociedade paraense e brasileira.

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