Destaques:
- O Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) realizou a primeira captação de órgãos de 2026, com dois rins e duas córneas.
- A doação foi autorizada pela família de um jovem de 21 anos, com diagnóstico de morte encefálica.
- O procedimento é crucial para pacientes na fila de transplante, especialmente os em hemodiálise, e reforça o papel do HRBA na região.
O Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna (HRBA), em Santarém, oeste do Pará, marcou o início de 2026 com um gesto de esperança e vida: a realização de sua primeira captação de órgãos do ano. O procedimento, que ocorreu na terça-feira (10), resultou na doação de dois rins e duas córneas, abrindo caminho para que quatro pacientes na fila de espera possam ter suas vidas transformadas.
A generosa doação foi possível graças à autorização da família de um jovem de 21 anos, natural de Alenquer, após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica. Em um momento de profunda dor, a decisão de doar os órgãos do ente querido representa um ato de altruísmo que ecoa em outras vidas, oferecendo uma segunda chance e renovando a esperança para quem aguarda por um transplante.
HRBA: Referência em captação e transplante na região
Desde sua habilitação pelo Ministério da Saúde em 2012, o HRBA se consolidou como uma unidade de referência em captação e transplantes na região do Baixo Amazonas. Com esta primeira captação de 2026, o hospital reitera seu compromisso com a saúde pública e a complexidade dos procedimentos que realiza.
Ao longo dos anos, a unidade já registrou a captação de 201 órgãos — incluindo 105 rins, 79 córneas, 13 fígados e quatro corações — em um total de 56 procedimentos. Esses números sublinham a importância da instituição para Santarém, o Baixo Amazonas e todo o Pará, desempenhando um papel vital na rede de transplantes do estado.
O impacto da doação: vidas transformadas
A doação de órgãos é um elo vital na cadeia da saúde, especialmente para pacientes que dependem de tratamentos contínuos e desgastantes, como a hemodiálise. O chefe da equipe de Cirurgia Geral e vice-diretor clínico do HRBA, Alberto Mariano Gusmão Tolentino, expressou a satisfação da equipe com a realização do procedimento.
“Ficamos muito felizes em fazer essa primeira captação do ano na nossa cidade. Pretendemos que sejam muitas outras, para retirar cada vez mais pacientes das máquinas de hemodiálise. Captamos dois rins e duas córneas, ajudando duas pessoas a saírem da máquina”, destacou Tolentino. Sua fala ressalta o impacto direto e transformador que cada doação tem na vida de quem espera, oferecendo uma nova perspectiva de saúde e bem-estar.
O papel crucial da OPO Tapajós e o protocolo de doação
Por trás de cada captação bem-sucedida, há uma estrutura dedicada. No HRBA, a Organização de Procura de Órgãos Tapajós (OPO Tapajós) desempenha um papel fundamental. Composta por um médico, dois enfermeiros e um assistente administrativo, a equipe atua na identificação de potenciais doadores, no suporte ao diagnóstico de morte encefálica e, crucialmente, no acolhimento e orientação das famílias durante o delicado processo de autorização da doação. É um trabalho que exige sensibilidade e rigor técnico, garantindo que todas as etapas sejam cumpridas com ética e respeito.
O protocolo para a captação de órgãos é extremamente rigoroso, exigindo a confirmação da morte encefálica — a parada irreversível das funções cerebrais — por meio de exames e avaliações médicas independentes. No Brasil, a legislação é clara: mesmo que o indivíduo tenha manifestado em vida o desejo de ser doador, a retirada de órgãos só pode ocorrer com a autorização expressa da família. Essa particularidade torna o diálogo e o acolhimento familiar ainda mais essenciais, transformando a dor da perda em um ato de generosidade que salva vidas.
Conscientização e o programa de transplantes do HRBA
Além das captações, o HRBA investe em ações de conscientização, buscando informar a população sobre a relevância da doação de órgãos e desmistificar o processo. O enfermeiro da OPO Tapajós, Fábio dos Santos, enfatiza a importância da decisão familiar: “Antes de alguém deixar de fazer hemodiálise porque recebeu um órgão, existe a decisão da família de doar, mesmo em um momento de dor.” Essa conscientização é vital para aumentar o número de doadores e, consequentemente, reduzir as filas de espera em todo o país.
O hospital não é apenas um centro de captação, mas também uma referência na realização de transplantes renais. Desde 2016, já foram 138 procedimentos, sendo 54 de doadores vivos — geralmente parentes dos pacientes — e 84 de doadores falecidos. O diretor-geral da unidade, Matheus Coutinho, reforça a capacidade da instituição: “Temos uma equipe médica preparada para esses procedimentos de alta complexidade e contamos com a OPO para identificar doadores e orientar as famílias sobre todo o processo.”
A realidade da fila de espera por órgãos no Brasil é um desafio constante. Milhares de pessoas aguardam por um transplante que pode significar a diferença entre a vida e a morte, ou a recuperação da qualidade de vida. Cada captação, como a realizada em Santarém, é um passo fundamental para diminuir essa espera e renovar a esperança de inúmeras famílias, destacando a importância contínua da doação de órgãos como um ato de solidariedade.
A primeira captação de órgãos de 2026 no Hospital Regional do Baixo Amazonas é um lembrete poderoso da importância da doação e da complexidade do sistema de transplantes. É um ato de solidariedade que transcende a dor da perda e se transforma em um legado de vida. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes, atualizadas e contextualizadas sobre saúde, ciência e os acontecimentos que impactam sua vida e sua região, siga o Portal Pai D’Égua. Nosso compromisso é com a informação de qualidade que faz a diferença.
Fonte: g1.globo.com