Destaques:
- Fundador da Reag Investimentos negou vínculo com o PCC em depoimento à CPI do Crime.
- Empresa é investigada em operações que apuram lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.
- Senadores questionaram a defesa de Mansur e a atuação da gestora no mercado.
O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, compareceu nesta quarta-feira (11) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado Federal para negar qualquer associação da gestora de fundos financeiros com a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O depoimento de Mansur é central para as investigações que buscam desvendar o braço financeiro de facções criminosas e esquemas de fraude bilionários no coração do sistema financeiro nacional, a Faria Lima.
Inicialmente, o empresário informou que permaneceria em silêncio, um direito garantido a investigados para não se autoincriminar. No entanto, após apelos do presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), Mansur optou por fazer breves comentários. ‘Não temos nenhuma ligação [com o PCC], como o nosso advogado acabou de colocar. No procedimento da Carbono Oculto [da Polícia Federal (PF)], em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado’, declarou o ex-presidente da Reag.
As Investigações e a Liquidação da Reag
Apesar da negativa de Mansur, a Reag Investimentos é alvo de múltiplas e complexas investigações. Além da Operação Carbono Oculto, que mira o crime organizado, a empresa é investigada na Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master, e na Operação Quasar, que investiga lavagem de dinheiro para facções criminosas. O senador Fabiano Contarato questionou Mansur sobre o motivo de a empresa ser alvo dessas operações, mas o empresário preferiu não opinar, afirmando: ‘Aí é uma opinião pessoal, eu acho que vou permanecer calado’.
Em janeiro deste ano, a Reag Investimentos foi liquidada pelo Banco Central (BC) por supostos vínculos com as fraudes do Banco Master, estimadas em até R$ 50 bilhões. A Reag, que administrava cerca de 700 fundos que somavam R$ 300 bilhões, é suspeita de ter contribuído com o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro, criando empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos. O BC informou que a companhia teria ocultado os beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro nacional.
O Depoimento e a Defesa de Mansur
Em sua defesa perante a comissão, João Carlos Mansur afirmou que a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais e mantinha todas as estruturas de governança de uma empresa de capital aberto, com dados divulgados ao público. ‘Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente’, disse o investigado, admitindo que o Banco Master era um dos clientes da companhia. Ele reforçou: ‘Não éramos, nunca fomos empresa de fachada, não temos investidores ocultos. É um partnership, ou seja, vários sócios, várias pessoas’.
O Contexto da CPI e as Acusações
A oitiva de João Carlos Mansur foi fruto de um requerimento de convocação apresentado pelo presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, que justificou a medida apontando a gravidade das acusações. ‘Dos 350 alvos da operação [Carbono Oculto], 42 têm escritórios na Avenida Faria Lima, o que demonstra que o crime organizado possui verdadeira indústria de lavagem de dinheiro no coração do sistema financeiro nacional’, destacou o senador capixaba. Contarato acrescentou que os fundos da Reag teriam sido utilizados para movimentar cerca de R$ 250 milhões do PCC, e que o BC informou que a companhia teria ocultado os beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro nacional.
A Posição do Relator e os Próximos Passos
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), expressou seu lamento pela recusa de Mansur em responder a perguntas da comissão de forma mais abrangente, limitando-se a comentários gerais sobre a Reag como empresa. Vieira provocou o investigado, afirmando: ‘São vários questionamentos que não são, a priori, autoincriminatórios, a não ser que a gente compreenda que absolutamente toda a atividade exercida por vossa excelência, ao longo da carreira, seja criminosa’. A comissão aprovou mais de 20 requerimentos com quebras de sigilos, pedidos de informações e convocações, mirando o braço financeiro do PCC na Faria Lima e ‘A Turma’ de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As investigações prosseguem, buscando clarear as complexas teias entre o crime organizado e o mercado financeiro brasileiro.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br