Fome: Conflito no Irã: estudo alerta para 45 milhões de pessoas a mais em fome aguda até junho

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te marítimo no Estreito de Hormuz e os riscos crescentes para o tráfego marítimo
te marítimo no Estreito de Hormuz e os riscos crescentes para o tráfego marítimo

Destaques:

  • O Programa Mundial de Alimentos (PMA) prevê um aumento recorde na fome aguda global até junho.
  • A desestabilização econômica causada pelo conflito no Irã afeta rotas marítimas e eleva custos essenciais.
  • Países da África Subsaariana e da Ásia são os mais vulneráveis ao aumento da insegurança alimentar.

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A escalada do conflito no Irã, com ataques dos EUA e de Israel, projeta um cenário alarmante para a segurança alimentar global. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) emitiu um alerta nesta semana, indicando que o número de pessoas em situação de fome aguda pode atingir patamares recordes até junho de 2026, caso a instabilidade persista e continue a desorganizar a economia mundial.

As projeções do PMA são sombrias: estima-se que quase 45 milhões de pessoas adicionais podem mergulhar em níveis de insegurança alimentar aguda ou pior se o conflito não for contido nos próximos meses. Este número se somaria aos 318 milhões de indivíduos que já enfrentam essa realidade, elevando drasticamente o total global e colocando milhões à beira de uma catástrofe humanitária.

Ondas de choque na economia global e o alerta do PMA

A preocupação do Programa Mundial de Alimentos não é infundada. O vice-diretor executivo do PMA, Carl Skau, expressou em Genebra que a continuidade do conflito enviará “ondas de choque pelo globo”, atingindo em cheio as famílias que já lutam para garantir a próxima refeição. A ausência de uma resposta humanitária adequadamente financiada, segundo Skau, pode significar um desastre para milhões que já vivem em condições precárias.

Este cenário ecoa a crise de 2022, quando o início da guerra na Ucrânia impulsionou a fome global a níveis recordes, afetando 349 milhões de pessoas. As projeções atuais do PMA sugerem que o conflito no Oriente Médio pode desencadear uma situação semelhante, ou até pior, nos próximos meses, dada a sua complexidade e o impacto em rotas comerciais vitais.

Impacto nas rotas marítimas e nos custos essenciais

Um dos principais motores dessa crise iminente é a desestabilização das rotas de transporte marítimo. Os ataques no Irã têm bloqueado corredores cruciais para a ajuda humanitária, atrasando o envio de suprimentos essenciais. Mais preocupante ainda é a paralisação virtual do transporte no Estreito de Hormuz e os crescentes riscos para o tráfego no Mar Vermelho, duas das artérias mais importantes do comércio global.

A interrupção e o desvio dessas rotas já resultaram em um aumento de 18% nos custos de transporte marítimo, segundo o PMA. Esses custos adicionais se traduzem diretamente em preços mais altos para energia, combustível e fertilizantes. A elevação desses insumos básicos tem um efeito cascata, encarecendo a produção e o transporte de alimentos, aprofundando a fome muito além das fronteiras do Oriente Médio e afetando a cadeia de suprimentos global. Para mais informações sobre o trabalho do PMA, visite o site oficial do Programa Mundial de Alimentos.

Países vulneráveis: África e Ásia sob a maior ameaça

A vulnerabilidade é acentuada em regiões que dependem fortemente da importação de alimentos e combustível. Países da África Subsaariana e da Ásia estão na linha de frente dessa ameaça. As projeções do PMA indicam um aumento de 21% nas pessoas em insegurança alimentar na África Ocidental e Central, e de 17% na África Oriental e Austral. Para a Ásia, a previsão é de um aumento de 24%.

Exemplos concretos ilustram a gravidade da situação. No Sudão, que importa cerca de 80% de seu trigo, o aumento dos preços desse alimento básico empurrará mais famílias para a fome. Na Somália, já assolada por uma seca severa, os preços de produtos essenciais subiram pelo menos 20% desde o início do conflito, conforme relatos locais. Ambos os países já enfrentaram altos níveis de insegurança alimentar e episódios de fome nos últimos anos, tornando-os extremamente suscetíveis a choques externos.

Para chegar a essas estimativas, analistas do PMA utilizaram dados pré-crise sobre a capacidade das pessoas de pagar por uma dieta com energia suficiente (2.100 kcal/dia). Eles então modelaram o impacto de um preço sustentado do petróleo em US$ 100, que eleva os custos de transporte e os preços globais de alimentos. Ao ponderar esses impactos pela dependência de cada país em energia e alimentos importados, foi possível recalcular o número de pessoas que não conseguem mais arcar com essa dieta, revelando o aumento projetado na insegurança alimentar aguda.

Um apelo urgente por ação global

A crise da fome, agravada pelo conflito no Irã, não é apenas um problema regional, mas um desafio global que exige atenção e ação coordenadas. Além do aumento dos custos, o PMA aponta para cortes profundos nos gastos de doadores, que estão direcionando mais recursos para a defesa em detrimento da ajuda humanitária. Essa mudança de prioridade agrava ainda mais a capacidade de resposta a crises como a que se avizinha.

A situação é um lembrete contundente da interconexão do mundo e de como conflitos localizados podem ter repercussões devastadoras em escala global, especialmente para as populações mais vulneráveis. É imperativo que a comunidade internacional reavalie suas prioridades e intensifique os esforços para mitigar os impactos humanitários, garantindo que a fome não se torne a próxima grande catástrofe global.

Para se manter atualizado sobre este e outros temas de relevância global, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, abordando desde a política e economia até questões sociais e humanitárias que impactam a vida de milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Fonte: noticiasaominuto.com.br

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