No último ano, o Pará registrou um aumento significativo de 23,8% nos casos de feminicídio, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do estado. Em 2024, foram contabilizados 52 casos, número que subiu para 64 em 2025. A preocupação se intensifica ao observar que nos primeiros dois meses de 2026, nove ocorrências desse crime já foram registradas. Este cenário alarmante ganha ainda mais destaque em março, mês de reflexão sobre os direitos femininos, especialmente no Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Mobilizações por todo o Pará e Brasil reforçam a necessidade de medidas efetivas para combater a violência de gênero.
A Segup destaca que todos os casos de feminicídio foram esclarecidos, com os responsáveis identificados e encaminhados à Justiça. Medidas de prevenção, proteção e investigação estão sendo realizadas através de estruturas como a Delegacia Especializada em Feminicídio, o programa Alerta Pará Mulher, o aplicativo SOS Maria da Penha, o programa Pró-Mulher Pará, além da Delegacia Virtual e dos totens de atendimento.
Além dos casos de feminicídio, os dados divulgados pela Segup mostram que houve 218 tentativas em 2024, número que diminuiu para 207 em 2025. Nos primeiros meses de 2026, já são 32 ocorrências registradas. A violência doméstica também se mantém em patamares alarmantes, com 10.091 casos de lesão corporal contra mulheres em 2025, e 1.530 registros nos primeiros meses de 2026.
Casos recentes no Pará
Em 2026, episódios chocantes de violência contra mulheres ganharam destaque no estado. Em Tomé-Açu, uma mulher foi brutalmente agredida pelo companheiro, gerando revolta e comoção. Outro caso ocorreu em Óbidos, onde uma mulher foi agredida publicamente. Ambos os casos evidenciam a urgência de medidas efetivas para proteger as mulheres paraenses.
Combate à violência e desafios futuros
Tarita Cajazeira, presidente da Comissão das Mulheres e Advogadas da OAB-PA, destaca que o aumento nos registros de violência contra a mulher reflete questões estruturais e históricas de desigualdade de gênero. Ela ressalta a importância da ampliação das informações e canais de denúncia, que encorajam mais vítimas a buscar ajuda e romper o ciclo de violência.
Além da violência física e psicológica, Tarita destaca outras formas de violência que frequentemente passam despercebidas, como a violência moral, patrimonial, sexual e digital. A advogada ressalta a importância da Lei Maria da Penha, mas alerta para a necessidade de um esforço coletivo para combater e prevenir a violência de gênero no Pará e em todo o Brasil.
Diante desse cenário preocupante, é fundamental que a sociedade e as autoridades estejam atentas e empenhadas em promover a igualdade e garantir a segurança e dignidade de todas as mulheres paraenses. A luta contra a violência de gênero demanda ação conjunta e contínua, visando a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos.
Fonte: https://www.oliberal.com