A segurança pública no estado de São Paulo apresenta um cenário de contrastes alarmantes. Enquanto a maioria dos índices criminais registrou quedas significativas em fevereiro deste ano, os casos de feminicídio dispararam, acendendo um alerta urgente sobre a violência de gênero. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) revelam um aumento de 45% no número de mulheres vítimas de feminicídio em comparação com o mesmo período do ano anterior, subindo de 20 para 29 mortes. Este crescimento preocupante ocorre em meio a uma redução geral de outros delitos, como homicídios dolosos, latrocínios, roubos e furtos, destacando a complexidade e a urgência de combater a violência direcionada às mulheres.
A escalada do feminicídio: um alerta para a sociedade
O relatório da SSP-SP detalha que o mês de fevereiro de 2026 foi particularmente sombrio para as mulheres paulistas. O salto de 20 para 29 vítimas de feminicídio em apenas um ano representa um aumento percentual expressivo e inaceitável. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o cenário é igualmente preocupante: foram 56 mulheres assassinadas por razões de gênero em janeiro e fevereiro de 2026, um crescimento de 33% em relação às 42 vítimas registradas no primeiro bimestre de 2025. Esses números não são apenas estatísticas; eles representam vidas interrompidas e famílias destruídas, evidenciando a falha em proteger as mulheres da forma mais brutal de violência.
O panorama dos crimes sexuais e a persistência da violência
Além do feminicídio, os crimes sexuais também demandam atenção contínua. Os registros de estupro em fevereiro de 2026 somaram 1.212 casos, um ligeiro aumento de 11 ocorrências em comparação com os 1.201 do mesmo mês em 2025. Embora o acumulado do bimestre tenha mostrado uma pequena redução, passando de 2.487 para 2.397 registros (90 casos a menos), a persistência de mais de mil casos de estupro por mês sublinha a vulnerabilidade feminina e a necessidade de políticas eficazes de prevenção e combate a esses crimes hediondos. A violência sexual, muitas vezes subnotificada, continua sendo uma chaga social que exige ações coordenadas e um olhar atento das autoridades e da sociedade.
Queda em homicídios e latrocínios: um cenário ambivalente
Em contraste com o aumento do feminicídio, outros indicadores de criminalidade apresentaram resultados mais positivos. Os homicídios dolosos, por exemplo, registraram uma queda de 11% em fevereiro de 2026, com 179 casos notificados contra 201 no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do bimestre, a redução foi de 11,3%, com 369 boletins de ocorrência em 2026 frente a 416 em 2025. Os latrocínios, crimes de roubo seguidos de morte, seguiram a mesma tendência de declínio, caindo de 10 para 5 casos em fevereiro e de 28 para 12 no bimestre, uma impressionante redução de 57%. Essa diminuição em crimes contra a vida de forma geral, exceto o feminicídio, ressalta a especificidade da violência de gênero.
Roubos e furtos em declínio: um ponto positivo na segurança pública
A análise dos dados da SSP-SP também aponta para uma melhora nos índices de roubos e furtos. Os roubos em geral, que englobam diversas modalidades como roubo de carga e a banco, tiveram uma queda de 18,4% em fevereiro, passando de 14.208 para 11.591 registros. No bimestre, a redução foi ainda mais acentuada, de 21,4%, com 23.719 ocorrências em 2026 contra 30.180 em 2025. Segundo a própria SSP, este é o menor índice registrado desde o início da série histórica em 2001, um marco importante para a segurança pública do estado. Os roubos de veículos também acompanharam essa tendência de queda, com 1.382 registros em fevereiro de 2026 ante 2.250 no ano anterior. Os furtos em geral igualmente diminuíram, de 44.982 em fevereiro de 2025, para 42.341 no mesmo mês deste ano. No acumulado, as ocorrências passaram de 93.008 para 86.567.
A urgência de combater a violência de gênero e proteger as mulheres
Apesar da melhora em diversos indicadores criminais, o aumento do feminicídio em São Paulo serve como um lembrete contundente de que a violência de gênero é um problema estrutural que exige ações diferenciadas e contínuas. O feminicídio, tipificado pela Lei 13.104/2015, é o assassinato de uma mulher pela sua condição de ser mulher, motivado por questões de gênero, como a misoginia, o menosprezo pela condição feminina ou a discriminação. A persistência e o aumento desses crimes indicam que, embora haja esforços na segurança pública, as raízes da violência contra a mulher ainda são profundas e demandam uma abordagem multifacetada, que inclua educação, conscientização, fortalecimento das redes de apoio e rigor na aplicação da lei. É fundamental que a sociedade e o poder público trabalhem em conjunto para garantir a segurança e a vida das mulheres, promovendo uma cultura de respeito e igualdade.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br