Família dilacerada: protestos marcam enterro de mulher espancada por ex-companheiro em Tomé-Açu

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Família dilacerada: protestos marcam enterro de mulher espancada por ex-companheiro em Tomé-Açu

Destaques:

  • O enterro de Alciely Almeida Alencar, vítima de feminicídio, foi marcado por protestos em Tomé-Açu, Pará.
  • A mulher foi brutalmente espancada com mais de 80 socos pelo ex-companheiro, Pedro do Nascimento Santana Júnior.
  • A comunidade local e a família clamam por justiça e por um basta à violência contra a mulher.

A dor da perda e a indignação contra a violência de gênero transformaram o adeus a Alciely Almeida Alencar em um potente grito por justiça neste sábado, 14 de março, em Tomé-Açu, no nordeste do Pará. O enterro da mãe de quatro filhos, brutalmente assassinada pelo ex-companheiro, foi acompanhado por uma onda de protestos que ecoou o sentimento de uma comunidade dilacerada e exigiu um basta ao feminicídio.

O caso de Alciely, de 31 anos, chocou o estado pela crueldade dos fatos. No dia 1º de março, após uma discussão em um bar, ela foi perseguida pelo ex-companheiro, Pedro do Nascimento Santana Júnior. Em uma tentativa desesperada de fuga na garupa de um mototáxi, Alciely foi derrubada da motocicleta e, em plena via pública, diante de testemunhas, foi espancada com mais de 80 socos na cabeça e no pescoço.

A luta pela vida e a confirmação da morte

Os ferimentos foram gravíssimos. Alciely foi socorrida inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tomé-Açu e, devido à severidade do traumatismo craniano, transferida para o Hospital Metropolitano, em Belém. Por cerca de 10 dias, a família e amigos viveram a angústia de vê-la lutar pela vida em estado gravíssimo. Contudo, a esperança se desfez na quinta-feira, 12 de março, com a confirmação da morte cerebral.

A notícia da morte de Alciely reacendeu a chama da revolta e da solidariedade. Na noite de sexta-feira, 13 de março, um grande grupo de moradores aguardava a chegada do corpo ao município, acompanhando o trajeto mesmo sob chuva para prestar as últimas homenagens e demonstrar apoio à família enlutada.

A dor que mobiliza e o grito por justiça

O velório, realizado no ginásio de uma escola municipal, transformou-se em um espaço de memória e protesto. Cartazes nas paredes lembravam a alegria de Alciely e carregavam mensagens contundentes contra a violência. “Queremos mulheres vivas”, dizia um deles, ao lado da foto da vítima, sintetizando o clamor popular.

A tia de Alciely, Odeiza Alencar, expressou a profunda dor da família. “Os dois mais velhos estão arrasados. Os dois mais novos ainda não entendem o que aconteceu”, lamentou, evidenciando o impacto devastador da tragédia sobre os filhos. A prima, Luana Alencar, resumiu o sentimento geral: “A família está dilacerada”.

Na manhã do sábado do enterro, o protesto ganhou as ruas. Mulheres de Tomé-Açu caminharam pelo centro da cidade, partindo da prefeitura em direção ao local do velório, com faixas e cartazes que denunciavam a violência de gênero. A estudante Jamily Almeida, uma das participantes, ressaltou a importância da mobilização. “A gente deve lutar pelo direito de defender as mulheres. O que aconteceu com a Alciely não é normal. A gente precisa batalhar contra isso”, afirmou, ecoando a necessidade de mudança cultural e social.

O feminicídio no Pará e a urgência de respostas

O brutal assassinato de Alciely Alencar não é um caso isolado, mas um triste reflexo da crescente onda de feminicídios que assola o Brasil e, em particular, o estado do Pará. Dados recentes mostram que a violência contra a mulher atinge patamares alarmantes, com o Pará figurando entre os estados com altos índices de crimes de gênero. A repercussão do caso em Tomé-Açu, uma cidade de menor porte, amplifica a visibilidade do problema e a urgência de políticas públicas eficazes de prevenção e combate.

A mobilização da comunidade local, que se uniu em luto e protesto, é um sinal claro de que a sociedade não aceita mais a impunidade e a naturalização da violência. O clamor por justiça para Alciely é, na verdade, um clamor por segurança e dignidade para todas as mulheres.

O andamento da justiça

O suspeito, Pedro do Nascimento Santana Júnior, foi preso pela Polícia Militar na manhã de segunda-feira, 3 de março, e encaminhado à Delegacia de Tomé-Açu. Inicialmente, foi autuado em flagrante por tentativa de feminicídio. Com a confirmação da morte de Alciely, a Polícia Civil informou que o caso será reavaliado pelas autoridades, e a expectativa é que a acusação seja atualizada para feminicídio, crime que prevê penas mais severas e reflete a gravidade da violência de gênero.

Acompanhar o desdobramento deste caso é fundamental para garantir que a justiça seja feita e para que a memória de Alciely Alencar se torne um símbolo na luta contra a violência que ceifa tantas vidas femininas. O Portal Pai D’Égua segue comprometido em trazer informação relevante, atual e contextualizada, cobrindo os fatos que impactam a vida de nossa comunidade e do nosso estado. Continue conosco para mais detalhes e análises sobre este e outros temas cruciais para a sociedade.

Fonte: g1.globo.com

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