Destaques:
- O enterro de Alciely Almeida Alencar, vítima de feminicídio, foi marcado por um grande protesto em Tomé-Açu, Pará.
- A mulher de 31 anos foi brutalmente espancada com mais de 80 socos pelo ex-companheiro após uma discussão.
- A comunidade e a família clamam por justiça e reforçam a luta contra a violência de gênero no Brasil.
Tomé-Açu, Pará – Um misto de dor, revolta e clamor por justiça tomou as ruas de Tomé-Açu neste sábado, 14 de março, durante o enterro de Alciely Almeida Alencar, de 31 anos. Mãe de quatro filhos, Alciely foi vítima de um crime de extrema brutalidade, espancada com mais de 80 socos pelo ex-companheiro, um caso que chocou o nordeste paraense e reacendeu o debate sobre a violência de gênero no Brasil.
O cortejo fúnebre, que saiu por volta das 14h em direção ao cemitério municipal, não foi apenas uma despedida, mas um ato de protesto. Centenas de moradores, amigos e familiares, muitos deles sob chuva, acompanharam o trajeto, exibindo faixas e cartazes que exigiam justiça e denunciavam a violência contra a mulher. O velório, realizado no ginásio de uma escola municipal, já havia se transformado em um santuário de memória e resistência, com mensagens como “Queremos mulheres vivas” estampadas nas paredes, ao lado da foto da vítima.
A brutalidade que chocou a comunidade
O crime que tirou a vida de Alciely ocorreu em 1º de março. Segundo as investigações da Polícia Civil, a tragédia começou após uma discussão em um bar, onde o ex-companheiro, Pedro do Nascimento Santana Júnior, teria agredido Alciely com uma lata de cerveja. Em uma tentativa desesperada de fuga, a mulher subiu na garupa de um mototáxi, mas foi implacavelmente perseguida por Pedro.
A perseguição culminou em um acidente provocado pelo agressor, que derrubou a motocicleta. Caída no chão, Alciely foi submetida a uma sessão de espancamento cruel, recebendo mais de 80 socos na cabeça e no pescoço, diante de testemunhas horrorizadas. A brutalidade das agressões resultou em um traumatismo craniano gravíssimo, mantendo Alciely internada por cerca de 10 dias no Hospital Metropolitano, para onde foi transferida após atendimento inicial na UPA de Tomé-Açu. Sua morte cerebral foi confirmada na quinta-feira, 12 de março.
O luto e o clamor por justiça
A chegada do corpo de Alciely a Tomé-Açu, na noite de sexta-feira, 13 de março, já havia mobilizado a comunidade, que se reuniu para prestar as últimas homenagens. No entanto, a dor da perda é imensurável para a família. “A família está dilacerada”, desabafou Luana Alencar, prima da vítima, expressando o profundo impacto da tragédia.
A tia de Alciely, Odeiza Alencar, descreveu o sofrimento dos filhos da vítima. “Os dois mais velhos estão arrasados. Os dois mais novos ainda não entendem o que aconteceu”, afirmou, evidenciando a crueldade de um crime que não apenas ceifou uma vida, mas desestruturou uma família inteira.
A mobilização da comunidade transcendeu o luto. Na manhã do sábado do enterro, mulheres caminharam pelo centro da cidade, saindo da prefeitura e seguindo até o local do velório, em um protesto veemente contra a violência de gênero. A estudante Jamily Almeida resumiu o sentimento coletivo: “A gente deve lutar pelo direito de defender as mulheres. O que aconteceu com a Alciely não é normal. A gente precisa batalhar contra isso”.
Feminicídio: uma triste realidade nacional
O caso de Alciely Almeida Alencar em Tomé-Açu não é um fato isolado, mas um triste reflexo da epidemia de feminicídio que assola o Brasil. A violência contra a mulher, muitas vezes perpetrada por parceiros ou ex-parceiros, é uma chaga social que exige atenção e ação urgentes. A brutalidade do ataque a Alciely, ocorrido em via pública e com dezenas de golpes, ressalta a audácia e a impunidade que muitos agressores sentem.
Pedro do Nascimento Santana Júnior foi preso pela Polícia Militar na manhã de 3 de março e autuado em flagrante por tentativa de feminicídio. Com a confirmação da morte de Alciely, o caso será reavaliado pelas autoridades, e a expectativa é que a acusação seja alterada para feminicídio, crime hediondo que prevê penas mais severas. A justiça para Alciely e a proteção de outras mulheres dependem da rigorosa aplicação da lei e de uma mudança cultural profunda.
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Fonte: g1.globo.com