Destaques:
- Estresse é o principal fator afetando a qualidade de vida dos médicos
- Pesquisa envolveu 2.005 profissionais de saúde em todo o Brasil
- Violência em estabelecimentos de saúde também impacta a profissão
A qualidade de vida dos médicos brasileiros tem sido um tema de crescente preocupação, especialmente em um cenário onde a pressão e as expectativas sobre esses profissionais são cada vez mais intensas. Um estudo recente, conduzido pela Afya e publicado na revista científica British Medical Journal Open, revelou que o estresse é o fator que mais impacta a vida desses profissionais. A pesquisa, que envolveu 2.005 médicos de diversas regiões do Brasil, é o primeiro levantamento nacional focado no bem-estar dos médicos no país.
O diretor do Research Center da Afya, Eduardo Moura, explica que o objetivo da pesquisa foi medir a qualidade de vida e a saúde mental dos médicos brasileiros. Os dados foram coletados por meio de questionários online aplicados entre julho e agosto de 2024, e a análise se concentrou em três áreas principais: a percepção geral da qualidade de vida, o apoio institucional recebido e o nível de estresse percebido.
Estresse e suas consequências
O estudo revelou que o estresse é mais acentuado entre mulheres, médicos em início de carreira e aqueles que trabalham mais de 60 horas por semana. Moura destaca que a carreira médica é marcada por altas expectativas, o que leva muitos profissionais a adotarem jornadas de trabalho extensas. “Outros estudos nossos apontam uma média de 52 a 54 horas semanais”, afirma. Embora a remuneração possa ser atrativa, especialmente para aqueles que ganham acima de R$ 25 mil, isso não se traduz necessariamente em uma melhor qualidade de vida.
Moura ressalta que, em determinados momentos, é necessário priorizar a saúde mental em detrimento de ganhos financeiros. Médicos em início de carreira frequentemente assumem postos em locais com menos recursos e jornadas de trabalho mais intensas, o que contribui para níveis elevados de estresse.
Violência no ambiente de trabalho
Além do estresse, um dado alarmante do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que, a cada dia, nove médicos são vítimas de violência em estabelecimentos de saúde no Brasil. Entre 2013 e 2024, foram registrados cerca de 38 mil boletins de ocorrência relacionados a ameaças, lesões corporais e outros crimes. Embora a pesquisa da Afya não tenha incluído essa questão, Moura enfatiza que a violência é um fator que pode influenciar negativamente a qualidade de vida dos profissionais de saúde.
Muitos médicos se encontram em situações vulneráveis, especialmente quando as expectativas dos pacientes não são atendidas, como em casos de demora no atendimento ou negativa de atestados. A falta de estrutura adequada nas unidades de saúde também agrava essa situação.
Apoio institucional e estratégias de prevenção
Para mitigar os efeitos do estresse, Moura sugere que um maior apoio institucional pode ser benéfico. “O estresse é um balanço entre a exigência e a demanda de trabalho e os recursos disponíveis para dar conta dessa demanda”, explica. Quando os médicos têm acesso a uma estrutura de apoio adequada, o impacto do estresse percebido é significativamente reduzido.
Programas de acompanhamento psicológico e núcleos de suporte são fundamentais para prevenir transtornos como burnout, ansiedade e depressão. Além disso, ações voltadas para promover uma alimentação saudável, a prática de atividades físicas e o monitoramento constante do bem-estar dos profissionais podem ser estratégias eficazes.
Reflexão sobre a profissão médica
A pesquisa da Afya não apenas traz à tona a realidade do estresse e da violência enfrentados pelos médicos, mas também convida a uma reflexão sobre a estrutura do sistema de saúde e as condições de trabalho desses profissionais. Em um momento em que a saúde mental é cada vez mais discutida, é fundamental que medidas sejam implementadas para garantir que os médicos possam exercer sua profissão de forma saudável e equilibrada.
A qualidade de vida dos médicos brasileiros é uma questão que merece atenção, não apenas pela saúde desses profissionais, mas também pelo impacto que isso pode ter na qualidade do atendimento prestado à população. Acompanhe o Portal Pai D’Égua para mais informações sobre saúde e bem-estar.
Fonte: noticiasaominuto.com.br