No Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, o Pará se destaca no cenário nacional com números expressivos na geração de empregos formais. O estado registrou um total de 2.984.467 admissões entre 2019 e o primeiro bimestre de 2026, consolidando-se como líder na criação de postos de trabalho na região Norte, tanto no primeiro trimestre de 2026 quanto nos últimos doze meses. Esses dados, levantados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), refletem o dinamismo econômico paraense e a eficácia das políticas públicas voltadas à qualificação profissional e inclusão produtiva.
O avanço no mercado de trabalho é impulsionado por uma série de iniciativas governamentais, como programas de qualificação e o fortalecimento de setores estratégicos. A celebração do Dia do Trabalhador no Pará, portanto, ganha um significado especial, marcando não apenas a luta por direitos, mas também a conquista de novas oportunidades e a ampliação das perspectivas econômicas para milhares de paraenses.
O Dinamismo do Mercado de Trabalho Paraense
A liderança do Pará na geração de empregos na região Norte não é um fato isolado, mas o resultado de um esforço contínuo e multifacetado. O levantamento do Dieese-PA aponta para um crescimento robusto que abrange diversos setores da economia. O setor de serviços lidera a criação de vagas, com um saldo de 113.423 postos, seguido de perto pelo comércio, que gerou 85.739 empregos. Juntos, esses dois segmentos são responsáveis por 72,3% dos empregos formais criados no estado desde 2019, demonstrando a força do setor terciário.
Outros setores também contribuíram significativamente para o saldo positivo. A indústria adicionou 42.344 vagas, a construção civil, 26.462, e a agropecuária, 7.652. Essa diversificação setorial é um indicativo da resiliência e do potencial de crescimento da economia paraense. Para Inocêncio Gasparim, secretário da Seaster, o desempenho é fruto de um trabalho contínuo que prioriza o crescimento econômico aliado à geração de emprego e renda, mantendo uma trajetória positiva mesmo diante de desafios. Everson Costa, supervisor técnico do Dieese-PA, reforça a necessidade de manter investimentos em qualificação e no fortalecimento econômico, especialmente com as novas oportunidades que surgem no estado.
Qualificação Profissional e Inclusão Social
Um dos pilares para a sustentação desse crescimento é o investimento em qualificação profissional. Entre 2019 e 2026, 48.931 pessoas foram capacitadas por meio de programas como o “Qualifica Pará” e diversas oficinas de capacitação. Essas iniciativas são cruciais para preparar a mão de obra local para as demandas de um mercado em constante evolução.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), por meio do Núcleo TerPaz, tem desempenhado um papel estratégico. Somente em 2025, a secretaria realizou 46 cursos, capacitando 811 pessoas. Em 2026, o ritmo se mantém acelerado, com 556 pessoas qualificadas em 19 cursos entre janeiro e abril. Mauro Bastos, titular da Sedeme, destaca que a qualificação amplia as oportunidades dos trabalhadores em um mercado cada vez mais competitivo, aumentando as chances de inserção e de empreendedorismo.
Além disso, programas como o “Forma Pará”, que interioriza o ensino superior, e o “Mulheres Mil”, focado na inclusão social feminina, complementam a estratégia estadual. A qualificação técnica itinerante da Sedeme, com cursos que vão de inteligência emocional à gestão de pessoas, garante que o desenvolvimento econômico alcance todas as regiões do estado, promovendo uma inclusão mais ampla.
Atração de Investimentos e Expansão Industrial
A geração de empregos no Pará também é impulsionada pela expansão da atividade industrial e pela atração de novos investimentos. A Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) atua na organização de áreas estratégicas para a instalação de empresas e no suporte a investidores. Atualmente, os distritos industriais de Belém, Ananindeua, Marabá e Barcarena abrigam mais de 220 empresas em operação, responsáveis pela criação de cerca de 65,5 mil empregos diretos e indiretos.
O futuro promete ainda mais. A implantação de novos distritos industriais em diferentes regiões tem potencial para viabilizar a instalação de até 577 indústrias e a criação de mais de 170 mil postos de trabalho nos próximos anos. Esse cenário não apenas dinamiza a economia paraense, mas também projeta o estado como um polo de desenvolvimento industrial e de oportunidades.
Histórias de Sucesso e o Protagonismo Feminino
Por trás dos números, há histórias de transformação. A presença feminina no mercado de trabalho paraense tem crescido de forma consistente, representando mais de 59% do saldo de empregos formais em 2025. Esse protagonismo se manifesta também no empreendedorismo autônomo, incentivado por programas como os das Usinas da Paz.
Santana Santos, de 44 anos, é um exemplo. Após o curso “Seja um Empreendedor de Sucesso” em Marituba, ela se tornou Microempreendedora Individual (MEI) no ramo da confeitaria. “Recebi dicas valiosas de empreendedorismo, como organização financeira, planejamento, melhoria no atendimento ao cliente e estratégias para divulgação dos produtos, e apliquei tudo isso no meu dia a dia. Hoje sou Microempreendedora Individual, cadastrada, trabalho com confeitaria e produzo bolos temáticos, doces e salgados. Passei a comercializar meus produtos e já conquistei uma clientela fiel. Meu negócio tem prosperado. Sou muito grata pela oportunidade e pelo conhecimento adquirido na Usina da Paz”, destacou Santana.
A vendedora Michele Patrícia Nascimento, de 46 anos, também reflete esse novo momento: “Depois de me recuperar de um acidente, voltar ao mercado de trabalho foi motivo de muita alegria. Em poucos meses, consegui uma nova oportunidade e sigo até hoje na empresa. Como mãe, preciso garantir o sustento da casa e dos meus filhos”. Para os jovens, programas como o “Primeiro Ofício” e a Rede de Escolas Técnicas Estaduais (Eetepa), ligada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), garantem a primeira inserção, como no caso de Geann Israel, de 22 anos, e do ex-aluno da Eetepa Vilhena Alves, Nilson Tito, que reforçam a importância da formação para a conquista de uma vaga.
O fortalecimento econômico do Pará, impulsionado por setores como mineração, agronegócio e a agenda da COP30, exige mão de obra preparada. As políticas de qualificação e inclusão são, portanto, essenciais para garantir que o desenvolvimento alcance a todos, gerando mais oportunidades e renda. Para mais informações sobre o mercado de trabalho e as políticas de desenvolvimento no Pará, você pode consultar o site oficial do Dieese-PA.
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