No dia 19 de abril de 2026, data em que se celebra o Dia Nacional dos Povos Indígenas, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) reforça seu compromisso com o fortalecimento do protagonismo feminino nas comunidades tradicionais. A instituição tem intensificado suas ações de assistência técnica, crédito e inclusão produtiva, beneficiando mulheres indígenas em diversas regiões do estado. O foco é garantir a segurança alimentar, promover o etnodesenvolvimento e ampliar o acesso a políticas públicas essenciais, refletindo uma abordagem que valoriza a cultura e a autonomia dessas populações.
O trabalho da Emater abrange um vasto território paraense, alcançando mulheres de diferentes etnias e faixas etárias, desde os 18 aos 100 anos. Elas desempenham papéis cruciais em suas comunidades, muitas vezes como chefes de família e matriarcas, mantendo viva a língua materna como principal meio de comunicação e preservação de conhecimentos ancestrais. Esse cenário exige estratégias de atendimento adaptadas e sensíveis às particularidades de cada povo.
Apoio estratégico para o etnodesenvolvimento e a segurança alimentar
A atuação da Emater está alinhada à política estadual de assistência técnica e extensão rural, priorizando o etnodesenvolvimento – um modelo de progresso que respeita e integra as tradições indígenas. As iniciativas buscam mitigar a insegurança alimentar, combater a degradação ambiental e reduzir a dependência econômica, ao mesmo tempo em que facilitam o acesso a programas federais vitais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Segundo Cristiane Corrêa, coordenadora técnica da Emater, o atendimento às mulheres indígenas é uma das prioridades institucionais. “O Proater 2026 estabelece que pelo menos 30% dos atendimentos em subprojetos sejam destinados a mulheres, jovens e povos tradicionais. A Emater prioriza o empoderamento feminino, garantindo que essas mulheres tenham acesso direto a políticas públicas, participação nas decisões comunitárias e melhores condições de vida”, explica Corrêa, sublinhando o impacto direto na qualidade de vida das famílias.
Liderança feminina e a força da tradição na produção paraense
Em Altamira, a voz de Irasilda Juruna, presidente da Associação Indígena Juruna Tubyá Rural, ecoa a importância das políticas públicas para o fortalecimento cultural e produtivo. “A língua é um elemento essencial da nossa cultura, responsável por conectar gerações e preservar conhecimentos. Hoje, trabalhamos no resgate e na revitalização da língua juruna, com apoio de políticas públicas que respeitam nossa identidade”, afirma Irasilda, destacando a parceria com a Emater no desenvolvimento de atividades produtivas.
A associação, que já opera uma casa de farinha, um espaço vital para a troca de saberes e adaptação de práticas, também se destaca na produção de chocolate. A marca Kunhã-Arã, fruto do cacau cultivado na comunidade, produz cerca de 50 quilos por mês, com sabores que incorporam ingredientes regionais como muruci e pimenta-cumaçã. Um projeto futuro, em parceria com o Consórcio Norte Energia, prevê a implantação de uma fábrica de chocolate exclusiva para mulheres, prometendo ampliar significativamente a produção e a autonomia econômica. “A construção da fábrica será um avanço importante, garantindo um espaço próprio para fortalecer a autonomia das mulheres”, ressalta a liderança.
Superando desafios linguísticos e valorizando saberes ancestrais
Na região do Tapajós, no município de Jacareacanga, a barreira linguística representa um desafio constante no atendimento às mulheres munduruku. Delival Batista, chefe do escritório local da Emater, relata a necessidade de adaptação. “Hoje, o contato com as mulheres é cada vez maior, já que elas participam ativamente dos sistemas produtivos, tanto no trabalho quanto na gestão. Mesmo com dificuldades no idioma, buscamos estabelecer comunicação, seja com conhecimento básico da língua munduruku ou com apoio de indígenas bilíngues”, detalha Batista, evidenciando a flexibilidade e o respeito cultural da equipe.
Na Aldeia Yoto Bamuybu, a produtora Lucília Paygo é um exemplo do impacto direto da assistência. Ela participa de atividades como o cultivo de mandioca e a criação de galinhas, comercializando seus produtos por meio do PAA. “A Emater ajuda com orientações e oportunidades. Apoia no forno e em várias atividades do dia a dia”, resume Lucília, mostrando como o suporte técnico se traduz em melhorias concretas para as famílias.
O impacto regional e a diversidade de etnias assistidas
A abrangência das ações da Emater alcança mulheres em territórios indígenas distribuídos por diversas regiões de integração do Pará, incluindo Araguaia, Carajás, Baixo Amazonas, Guamá, Lago de Tucuruí, Rio Caeté, Rio Capim, Tapajós, Tocantins e Xingu. Municípios como Brejo Grande do Araguaia, Cumaru do Norte e Terra Santa, além de Altamira, Jacareacanga e Aveiro, são pontos de concentração desse atendimento vital. Essa vasta atuação reflete a complexidade e a riqueza cultural do estado, demandando um olhar atento e personalizado para cada comunidade.
O apoio da Emater não se limita à produção, mas se estende à valorização da identidade e à promoção da cidadania, garantindo que as mulheres indígenas do Pará possam construir um futuro com mais autonomia e dignidade. Para o Portal Pai D’Égua, essa é uma pauta fundamental que merece acompanhamento contínuo. Continue conosco para mais informações aprofundadas sobre as realidades e os desafios do nosso estado, sempre com um olhar atento às comunidades que constroem a riqueza cultural e social do Pará. Saiba mais sobre as ações da Emater no Pará.