Desafios das Eleições no Pará em 2026

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Gabriel da Mota
Gabriel da Mota

Vazios digitais e desinformação

A corrida eleitoral de 2026 já começou nos bastidores e, embora o Brasil registre números superlativos de conectividade, a batalha pelo voto no Pará terá contornos dramáticos e particulares. Enquanto o marketing político nacional discute o refinamento de dados, na Amazônia o desafio esbarra na geografia e na infraestrutura. Com o maior eleitorado da região Norte, o Estado é um terreno fértil — e perigoso — para a desinformação, potencializada por “vazios digitais” onde a internet se resume a um aplicativo: o WhatsApp.

Dados nacionais apontam que o Brasil iniciou 2024 com 187,9 milhões de usuários de internet, cobrindo 86,6% da população, segundo o relatório “Digital 2024: Brazil”. No entanto, para o cientista político e professor universitário Rodolfo Marques, essa estatística precisa ser lida com lupa na realidade paraense. Segundo ele, em muitos municípios do interior e áreas ribeirinhas, os planos de dados limitados (zero-rating) criam um ecossistema fechado de informação.

“Quando o cidadão não pode clicar em links externos sem gastar dados, ele tende a consumir a informação que chega pronta em áudio ou material encaminhado. O WhatsApp praticamente é a internet; as pessoas não têm acesso a buscadores, sites de checagem ou portais de notícias”, analisa Marques.

“A informação que chega pelo grupo da comunidade tem um peso enorme. O combate a isso é tecnológico, mas passa por aquilo que chamamos de ‘media education’, parcerias com rádios comunitárias e lideranças locais para gerarem confiança”, pontua.

Outro ponto de atenção para 2026 é o uso de Inteligência Artificial (IA) para a criação de deepfakes. Se no resto do mundo a preocupação é com vídeos manipulados, no Pará, o perigo mora no som. A forte tradição oral e a credibilidade do rádio em comunidades afastadas tornam o eleitorado vulnerável à clonagem de voz.

“O Pará é um estado onde a questão da oralidade é muito forte. O rádio tem enorme credibilidade e a palavra falada, a voz conhecida, acaba tendo muito peso”, explica Rodolfo. Para ele, o risco é real e iminente: “A chamada clonagem de voz pode explorar isso com mensagens falsas atribuídas a prefeitos, pastores e lideranças comunitárias. Uma vez que o áudio se espalha, desmentir depois é muito mais difícil, e em campanhas de tiro curto isso acaba tendo um impacto, sem dúvida”, alerta o professor.

Embora ferramentas de IA prometam democratizar a produção de conteúdo — permitindo que candidatos menores façam vídeos e textos com baixo custo —, a realidade estrutural pode ampliar o abismo entre as campanhas.

Cultura oral e fake news

A corrida eleitoral de 2026 no Pará já começou a se desenhar, trazendo consigo desafios singulares em meio à cultura oral e à disseminação de fake news. Enquanto o Brasil todo discute estratégias refinadas de marketing político, o Estado do Pará enfrenta obstáculos distintos devido à sua geografia e infraestrutura. Com o maior eleitorado da região Norte, a disseminação de desinformação se torna ainda mais perigosa, aproveitando os ‘vazios digitais’ onde a internet se resume, em muitos casos, ao aplicativo WhatsApp.

Os dados nacionais indicam que o Brasil iniciou o ano de 2024 com 187,9 milhões de usuários de internet, cobrindo 86,6% da população, conforme o relatório ‘Digital 2024: Brazil’. No entanto, para o cientista político Rodolfo Marques, é crucial analisar essa estatística sob a ótica paraense. Em diversas regiões do interior e áreas ribeirinhas, a dependência de planos de dados limitados restringe a verificação de fatos e cria um ambiente fechado de informações.

A cultura da oralidade no Pará também se destaca como um fator que facilita a disseminação de golpes por meio de áudios falsos. A forte tradição oral e a credibilidade do rádio em comunidades afastadas tornam a população mais vulnerável à clonagem de voz, representando um desafio adicional para as eleições vindouras.

Por fim, a utilização de Inteligência Artificial para a criação de deepfakes representa mais uma ameaça, principalmente devido à desigualdade estrutural entre os candidatos. Embora prometam democratizar a produção de conteúdo, as ferramentas de IA podem ampliar o abismo entre as campanhas políticas, aprofundando as disparidades já existentes.

Impacto da Inteligência Artificial

A corrida eleitoral de 2026 já começou nos bastidores e, embora o Brasil registre números superlativos de conectividade, a batalha pelo voto no Pará terá contornos dramáticos e particulares. Enquanto o marketing político nacional discute o refinamento de dados, na Amazônia o desafio esbarra na geografia e na infraestrutura. Com o maior eleitorado da região Norte, o Estado é um terreno fértil — e perigoso — para a desinformação, potencializada por “vazios digitais” onde a internet se resume a um aplicativo: o WhatsApp.

Dados nacionais apontam que o Brasil iniciou 2024 com 187,9 milhões de usuários de internet, cobrindo 86,6% da população, segundo o relatório “Digital 2024: Brazil“. No entanto, para o cientista político e professor universitário Rodolfo Marques, essa estatística precisa ser lida com lupa na realidade paraense. Segundo ele, em muitos municípios do interior e áreas ribeirinhas, os planos de dados limitados (zero-rating) criam um ecossistema fechado de informação.

“Quando o cidadão não pode clicar em links externos sem gastar dados, ele tende a consumir a informação que chega pronta em áudio ou material encaminhado. O WhatsApp praticamente é a internet; as pessoas não têm acesso a buscadores, sites de checagem ou portais de notícias”, analisa Marques.

O especialista destaca que, no interior do Estado, a informação que circula em grupos de família e da igreja possui um peso desproporcional.

“A informação que chega pelo grupo da comunidade tem um peso enorme. O combate a isso é tecnológico, mas passa por aquilo que chamamos de ‘media education’, parcerias com rádios comunitárias e lideranças locais para gerarem confiança”, pontua.

Outro ponto de atenção para 2026 é o uso de Inteligência Artificial (IA) para a criação de deepfakes. Se no resto do mundo a preocupação é com vídeos manipulados, no Pará, o perigo mora no som. A forte tradição oral e a credibilidade do rádio em comunidades afastadas tornam o eleitorado vulnerável à clonagem de voz.

“O Pará é um estado onde a questão da oralidade é muito forte. O rádio tem enorme credibilidade e a palavra falada, a voz conhecida, acaba tendo muito peso”, explica Rodolfo. Para ele, o risco é real e iminente: “A chamada clonagem de voz pode explorar isso com mensagens falsas atribuídas a prefeitos, pastores e lideranças comunitárias. Uma vez que o áudio se espalha, desmentir depois é muito mais difícil, e em campanhas de tiro curto isso acaba tendo um impacto, sem dúvida”, alerta o professor.

Tecnologia pode aprofundar desigualdade entre candidatos

Embora ferramentas de IA prometam democratizar a produção de conteúdo — permitindo que candidatos menores façam vídeos e textos com baixo custo —, a realidade estrutural pode ampliar o abismo entre as campanhas.

Desafios da fiscalização eleitoral

A corrida eleitoral de 2026 já começou nos bastidores e, embora o Brasil registre números superlativos de conectividade, a batalha pelo voto no Pará terá contornos dramáticos e particulares. Enquanto o marketing político nacional discute o refinamento de dados, na Amazônia o desafio esbarra na geografia e na infraestrutura. Com o maior eleitorado da região Norte, o Estado é um terreno fértil — e perigoso — para a desinformação, potencializada por “vazios digitais” onde a internet se resume a um aplicativo: o WhatsApp.

Dados nacionais apontam que o Brasil iniciou 2024 com 187,9 milhões de usuários de internet, cobrindo 86,6% da população, segundo o relatório “Digital 2024: Brazil“. No entanto, para o cientista político e professor universitário Rodolfo Marques, essa estatística precisa ser lida com lupa na realidade paraense. Segundo ele, em muitos municípios do interior e áreas ribeirinhas, os planos de dados limitados (zero-rating) criam um ecossistema fechado de informação.

Dependência de planos limitados restringe checagem de fatos

“Quando o cidadão não pode clicar em links externos sem gastar dados, ele tende a consumir a informação que chega pronta em áudio ou material encaminhado. O WhatsApp praticamente é a internet; as pessoas não têm acesso a buscadores, sites de checagem ou portais de notícias”, analisa Marques.

O especialista destaca que, no interior do Estado, a informação que circula em grupos de família e da igreja possui um peso desproporcional.

“A informação que chega pelo grupo da comunidade tem um peso enorme. O combate a isso é tecnológico, mas passa por aquilo que chamamos de ‘media education’, parcerias com rádios comunitárias e lideranças locais para gerarem confiança”, pontua.

Cultura da oralidade no Pará facilita golpes com áudios falsos

Outro ponto de atenção para 2026 é o uso de Inteligência Artificial (IA) para a criação de deepfakes. Se no resto do mundo a preocupação é com vídeos manipulados, no Pará, o perigo mora no som. A forte tradição oral e a credibilidade do rádio em comunidades afastadas tornam o eleitorado vulnerável à clonagem de voz.

“O Pará é um estado onde a questão da oralidade é muito forte. O rádio tem enorme credibilidade e a palavra falada, a voz conhecida, acaba tendo muito peso”, explica Rodolfo. Para ele, o risco é real e iminente: “A chamada clonagem de voz pode explorar isso com mensagens falsas atribuídas a prefeitos, pastores e lideranças comunitárias. Uma vez que o áudio se espalha, desmentir depois é muito mais difícil, e em campanhas de tiro curto isso acaba tendo um impacto, sem dúvida”, alerta o professor.

Tecnologia pode aprofundar desigualdade entre candidatos

Embora ferramentas de IA prometam democratizar a produção de conteúdo — permitindo que candidatos menores façam vídeos e textos com baixo custo —, a realidade estrutural pode ampliar o abismo entre as campanhas.

Fonte: https://www.oliberal.com

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