Defesa Civil investiga rompimento de barragens como causa de alagamento em Bebedouro

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Defesa Civil investiga rompimento de barragens como causa de alagamento em Bebedouro

Destaques:

  • A Defesa Civil de Bebedouro, SP, apura se o alagamento que atingiu cerca de 20 casas foi provocado pelo rompimento ou extravasamento de duas barragens em propriedades rurais.
  • O incidente ocorreu após um volume de chuva de 175 mm entre quinta e sexta-feira, elevando drasticamente o nível do Córrego Bebedouro.
  • A prefeitura decretou situação de emergência, e famílias afetadas contabilizam grandes prejuízos em bens materiais.

Uma forte chuva que castigou a cidade de Bebedouro, no interior de São Paulo, entre a noite de quinta-feira (12) e a madrugada desta sexta-feira (13), deixou um rastro de destruição e levantou sérias questões sobre a segurança hídrica local. A Defesa Civil do município está investigando a possibilidade de que o alagamento que invadiu pelo menos 20 residências tenha sido provocado pelo rompimento ou extravasamento de duas barragens localizadas na zona rural da cidade.

O volume pluviométrico registrado foi alarmante: 175 milímetros em poucas horas, concentrado principalmente nos distritos de Botafogo e Turvínia. É nessas áreas que se encontram as represas, pertencentes a propriedades particulares, que são agora o foco da apuração. A suspeita é de que a estrutura dessas barragens não tenha suportado o grande volume de água, liberando-o de forma abrupta e direcionando-o para o Córrego Bebedouro, que corta a cidade.

A força da água e o transbordamento do Córrego Bebedouro

O coordenador da Defesa Civil de Bebedouro, Luiz Antônio Luciano da Silva, explicou a dinâmica do ocorrido. “[A água] Cai aqui no lago artificial e, do lago, deságua no córrego Bebedouro e o córrego Bebedouro é estreito, por isso que deu essa vazão muito grande”, detalhou. Ele ressaltou que a previsão de fortes chuvas, recebida do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), permitiu que o nível do lago artificial fosse preventivamente abaixado, o que, segundo ele, “ajudou um pouco de não ter uma tragédia maior”.

A elevação súbita do nível do Córrego Bebedouro, um curso d’água que historicamente não costuma transbordar com tamanha intensidade, pegou muitos moradores de surpresa. A água invadiu casas, arrastou móveis e eletrodomésticos, transformando a rotina de dezenas de famílias em um pesadelo de perdas e incertezas. A situação ressalta a vulnerabilidade de áreas urbanas próximas a cursos d’água, especialmente quando há intervenções a montante, como represas particulares.

Prejuízos e o drama das famílias afetadas

O impacto humano do alagamento é palpável nas ruas de Bebedouro. A dona de casa Antônia Cabral, moradora do Jardim das Laranjeiras, relatou o susto de ser acordada pela vizinha com a água já na altura dos joelhos. “Se ela não me chama, eu não ia ouvir nada. Ia levantar com a água em cima de mim”, disse. Para Antônia, a sexta-feira foi de muito trabalho e a constatação de grandes perdas: “A geladeira está cheia de água, caiu no chão. A máquina de lavar roupa também caiu, encheu de água. Eu acho que teve muita perda”.

O motorista Nielson Paulo também contabilizou os estragos em sua residência. “Foi subindo, subiu aí dentro 40 cm, porque a casa é um pouquinho alta. Mas subiu, pegou sofá, guarda-roupa, guarda-roupa novinho, cama”, lamentou. Ambos os moradores destacaram que, apesar de chuvas serem comuns, o córrego não transbordava daquela forma há muito tempo, e a intensidade da água que invadiu as casas não correspondia à chuva que caía naquele momento, reforçando a tese do volume extra vindo das represas.

Ações da Defesa Civil e o decreto de emergência

Diante da gravidade da situação, a Defesa Civil de Bebedouro, com o apoio da Defesa Civil do Estado de São Paulo, agiu rapidamente. Equipes atuaram durante toda a noite no atendimento e monitoramento das áreas afetadas, garantindo que não houvesse registro de vítimas ou feridos, um alívio em meio ao caos. Dois idosos que tiveram suas casas atingidas foram prontamente encaminhados para residências de parentes.

Além do resgate e apoio inicial, a prefeitura de Bebedouro decretou situação de emergência. Essa medida é crucial, pois permite que o município acesse recursos federais e estaduais de forma mais ágil para auxiliar as famílias desabrigadas ou desalojadas, além de agilizar a recuperação da infraestrutura danificada. O CGE já autorizou o envio de itens essenciais como cobertores, colchões, mantimentos, cestas básicas e produtos de higiene para as famílias atingidas, demonstrando uma resposta coordenada à crise.

As ruas afetadas pelos alagamentos passaram por um intenso trabalho de limpeza nesta sexta-feira, visando a liberação do trânsito e a normalização da vida urbana. Contudo, a investigação sobre a origem da água é fundamental para que medidas preventivas sejam tomadas no futuro, especialmente no que diz respeito à fiscalização e manutenção de barragens em propriedades particulares, que podem representar um risco significativo para a população em caso de eventos climáticos extremos.

Este episódio em Bebedouro serve como um alerta para a necessidade de um planejamento urbano e hídrico mais robusto, considerando as mudanças climáticas e a crescente intensidade das chuvas. A segurança das estruturas de contenção de água, sejam elas públicas ou privadas, é uma pauta urgente para garantir a proteção das comunidades. O Portal Pai D’Égua continuará acompanhando de perto os desdobramentos desta investigação e as ações de apoio aos moradores, reforçando nosso compromisso com a informação relevante e contextualizada para você, leitor, que busca entender os fatos que impactam sua realidade e a de sua região.

Fonte: g1.globo.com

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