Carnaval: Cuidados essenciais para evitar doenças transmitidas pelo beijo e contato na folia

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Gabriel Pires
Gabriel Pires

Com a proximidade do Carnaval, a maior festa popular do Brasil que mobiliza milhões de pessoas em celebrações por todo o país, a alegria e a efervescência vêm acompanhadas da necessidade de redobrar a atenção com a saúde. O período de folia, marcado por aglomerações e interações sociais intensas, cria um cenário propício para a proliferação de doenças transmitidas pelo contato próximo, especialmente o beijo. O alerta parte de especialistas, que ressaltam a importância da prevenção para garantir que a diversão não se transforme em preocupação.

O médico virologista Caio Botelho, de Belém, destaca que o aumento na incidência de casos de diversas enfermidades durante o Carnaval não é mera coincidência, mas um reflexo direto do comportamento coletivo. “Nesta época, a incidência de casos costuma aumentar devido ao período prolongado de folia e à maior proximidade entre as pessoas”, explica o especialista. O contato direto da saliva, em particular, emerge como uma das principais vias de contaminação para algumas dessas doenças, exigindo cautela e responsabilidade por parte dos foliões.

Doenças do Beijo: Mononucleose e Herpes em Destaque

Entre as enfermidades que ganham força durante a folia, a mononucleose infecciosa, popularmente conhecida como a “doença do beijo” ou “sapinho”, figura como uma das mais comuns. Causada pelo vírus Epstein-Barr, ela se manifesta com sintomas como dores de garganta intensas, febre alta e inchaço dos linfonodos (ínguas), que podem, inclusive, dificultar a alimentação. A transmissão ocorre principalmente pela saliva, tornando o beijo uma via eficaz para o contágio, especialmente no início ou final do quadro sintomático da doença, quando os sinais podem ser mais sutis.

Outra doença que exige atenção é a herpes, causada pelo vírus Herpes Simplex. Embora conhecida pela transmissão via beijo quando há lesões labiais ativas, o médico Caio Botelho esclarece que sua propagação vai além. “A herpes pode ser transmitida pelo contato da pele com as feridas, as bolhas estouradas da herpes, quando entram em contato com a pele de uma pessoa saudável”, alerta. Essas bolhas contêm uma grande quantidade de vírus, o que torna crucial evitar o contato direto com qualquer lesão herpética, seja no rosto ou em outras partes do corpo, como a região genital. A simples presença de uma pequena ferida pode ser suficiente para a transmissão.

A monkeypox, ou varíola dos macacos, também aparece na lista de preocupações, embora sua contaminação pelo beijo seja menos provável e exija a presença de vesículas ou bolhas ativas. Contudo, em ambientes de contato próximo, a atenção deve ser mantida, reforçando a máxima de evitar interações com pessoas que apresentem qualquer tipo de lesão cutânea suspeita.

Sinais de Alerta e a Busca por Ajuda Médica

O reconhecimento precoce dos sintomas é fundamental para um tratamento eficaz e para a interrupção da cadeia de transmissão. O virologista Botelho orienta que sinais como dor de garganta intensa, febre alta (entre 38°C e 39°C), inchaço dos linfonodos e dificuldade para engolir ou se alimentar, especialmente após contato oral com outras pessoas, são indicativos para procurar atendimento médico. A recomendação é buscar ajuda profissional em até cinco dias após a suspeita de exposição.

A prevenção, nesse contexto, passa por atitudes simples, mas poderosas: evitar o beijo ou contato próximo com pessoas que apresentem dor de garganta, febre, feridas ou aftas na boca. “Caso se tenha dor na garganta, feridas na boca como aftas ou lesões, é melhor evitar o contato de beijo, porque isso pode transmitir doenças. E também isso deixa a pessoa vulnerável a outras doenças”, reforça o médico, sublinhando que a integridade da mucosa oral é uma barreira importante contra patógenos.

Além do Beijo: O Risco das Aglomerações e ISTs

Embora o compartilhamento de objetos pessoais não seja a principal via de transmissão para a maioria dessas doenças, o contato corpo a corpo em aglomerações é um fator de risco significativo. Para doenças transmitidas por fômites (objetos), a contaminação geralmente ocorre em fases sintomáticas intensas. Portanto, a orientação é clara: se uma pessoa estiver muito doente, com febre alta, mal-estar e mialgia, o ideal é evitar o contato próximo, pois não se pode determinar qual doença ela possa estar portando. As aglomerações, de forma geral, aumentam exponencialmente o contágio de infecções, especialmente as respiratórias, como gripes e resfriados, que tendem a ser mais comuns neste período.

O Carnaval é, infelizmente, também um período de alto risco para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A atmosfera de festa, o consumo de álcool e a consequente diminuição da percepção de risco podem levar a relações sexuais desprotegidas. Caio Botelho faz um apelo veemente para o uso consistente de preservativos. “Os preservativos não são apenas um método de barreira para prevenir gravidez ou HIV, mas também hepatites e sífilis”, enfatiza o especialista, lembrando do recente aumento de casos de sífilis no Brasil e a importância de conter a disseminação de diversas ISTs.

As campanhas de prevenção, intensificadas no período carnavalesco, reiteram que os preservativos são disponibilizados gratuitamente em serviços de saúde. É crucial que a população se valha desses recursos. O álcool, ao afetar o discernimento, pode potencializar as chances de contrair ISTs, tanto pela maior frequência quanto pela duração das relações sexuais, alertam os profissionais de saúde.

A Realidade Nacional e as Campanhas de Saúde Pública

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel fundamental na prevenção e no combate a essas doenças. Anualmente, o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais promovem vastas campanhas educativas, distribuindo milhões de preservativos e materiais informativos. Essas iniciativas são um pilar para mitigar os riscos associados ao Carnaval, reforçando a mensagem de que a prevenção é um ato de cuidado consigo e com o próximo, permitindo que a festa aconteça com segurança e responsabilidade social.

Portanto, enquanto o país se prepara para vestir a fantasia e cair na folia, a mensagem dos especialistas é clara: celebre com alegria, mas não descuide da saúde. Pequenas atitudes de prevenção podem fazer toda a diferença para garantir que as lembranças do Carnaval sejam apenas de bons momentos e muita diversão, sem arrependimentos ou preocupações com a saúde. A conscientização individual, aliada às informações e recursos disponibilizados pelos órgãos de saúde pública, é a chave para um Carnaval seguro e feliz para todos.

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