O Carnaval de 2026 entrou para a história como o mais violento das últimas dez edições nas rodovias federais brasileiras. O balanço alarmante, divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta quinta-feira (19), revela um aumento preocupante no número de fatalidades: foram 130 mortes registradas no período festivo, um salto de quase 53% em comparação com as 85 vítimas fatais do ano anterior. Os dados acendem um alerta sobre a segurança viária no país e a urgência de uma mudança de comportamento no trânsito.
Um aumento que desafia o investimento em segurança
A Operação Carnaval da PRF, que anualmente intensifica a fiscalização nas estradas, focou no combate às infrações mais perigosas: a combinação de álcool e direção, o excesso de velocidade e as ultrapassagens proibidas. Apesar dos esforços concentrados e do significativo investimento em patrulhamento e conscientização, os resultados foram inversos ao esperado, culminando neste trágico recorde. O diretor-geral da PRF, Fernando Oliveira, expressou sua indignação com os números, ressaltando a desconexão entre o trabalho das agências de segurança viária e a resposta dos motoristas.
“É inadmissível tanto dinheiro público investido, tanto esforço, e a gente ainda ter nessa década presente, de 2020 para cá, o pior número, o carnaval mais violento no trânsito. Isso não é razoável se você compara o investimento e o esforço que as agências que produzem segurança viária fazem no Brasil, e a gente não ter a resposta pelos usuários e pelos condutores”, afirmou Oliveira, em um apelo por maior conscientização e responsabilidade individual.
Acidentes com múltiplas vítimas: a tragédia por trás dos números
A análise detalhada dos acidentes revela uma característica particularmente sombria do Carnaval de 2026: o aumento expressivo de sinistros com múltiplas vítimas. Segundo Fernando Oliveira, enquanto em 2025 foram registrados quatro acidentes com duas vítimas, totalizando oito mortes, este ano o número saltou para nove acidentes com duas vítimas. Mais alarmante ainda é a ocorrência de colisões com um número ainda maior de fatalidades: o ano passado não registrou nenhum acidente com três, quatro, cinco ou seis vítimas, ao passo que em 2026, houve um acidente com seis mortos, dois com cinco, um com quatro e quatro acidentes com três vítimas.
Esse padrão sugere que, além do maior volume de ocorrências, a severidade dos acidentes também se agravou. Mesmo com o total de sinistros de trânsito passando de 1.190 para 1.241, e o número de feridos de 1.433 para 1.481, o salto mais drástico foi na quantidade de mortes e na gravidade dos acidentes, que aumentaram 8,54% (de 316 para 343).
Além da festa: o risco no transporte de passageiros
Um ponto crucial levantado pelo diretor-geral da PRF é que parte desses acidentes fatais ocorreu em locais não considerados críticos para o trânsito e, o que é ainda mais preocupante, sem ligação direta com as festividades carnavalescas. Ele citou dois exemplos marcantes: um transporte de trabalhadores rurais do Maranhão para Santa Catarina, que resultou em seis mortes em São Paulo, e uma van que colidiu na traseira de um caminhão em Brasília, vitimando cinco pessoas que vinham do interior da Bahia.
Esses casos específicos apontam para uma fragilidade maior no sistema de transporte de passageiros, muitas vezes operando de forma irregular ou com falhas de segurança. A PRF, ciente dessa realidade, planeja intensificar a atenção sobre este tipo de transporte, buscando diálogo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para revisar e fortalecer as regulamentações e fiscalizações, na tentativa de evitar que acidentes com múltiplas fatalidades se tornem uma triste rotina.
O impacto da fiscalização e o desafio da conscientização
A Operação Carnaval de 2026 mobilizou a PRF na fiscalização de 326 mil pessoas e veículos, realizando 118 mil testes de alcoolemia. Como resultado, 2,4 mil condutores foram autuados por dirigir sob efeito de álcool ou por se recusar a fazer o teste do bafômetro, culminando na detenção de 108 motoristas. Esses números demonstram o esforço contínuo das forças de segurança em coibir infrações, mas também sublinham a persistência de condutas irresponsáveis nas estradas brasileiras.
O desafio transcende a fiscalização e a punição. Ele reside na necessidade de uma mudança cultural, onde a segurança viária seja vista como uma responsabilidade coletiva. A tragédia do Carnaval 2026 serve como um lembrete doloroso de que vidas são perdidas, famílias são desestruturadas e a sociedade é impactada sempre que a prudência cede lugar à imprudência no trânsito.
Os dados apresentados pela PRF clamam por uma reflexão profunda e por ações contínuas que envolvam não apenas as autoridades, mas cada motorista, passageiro e pedestre. A busca por um trânsito mais seguro é um compromisso diário, essencial para evitar que futuros carnavais sejam marcados por estatísticas tão desoladoras. Continue acompanhando o Portal Pai D’Égua para informações relevantes, análises aprofundadas e o compromisso inabalável com o jornalismo de qualidade, que contextualiza os fatos e explora seus desdobramentos para nossos leitores.