Destaques:
- O Brasil compete pelo esqui cross-country neste domingo, último dia das Paralimpíadas de Inverno em Milão-Cortina.
- Cristian Ribera, já medalhista de prata, é a principal esperança para uma segunda conquista histórica.
- Aline Rocha, Wellington da Silva e outros três atletas brasileiros também buscam pódio na prova de 20 km.
O esporte paralímpico brasileiro vive um momento de efervescência e superação, e as Paralimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026 são o palco para mais um capítulo dessa história. Neste domingo, 15 de março, o Brasil encerra sua participação nos Jogos com a esperança de conquistar uma inédita segunda medalha, consolidando um legado de pioneirismo e resiliência em modalidades de inverno.
A última chance de pódio será nas desafiadoras provas de 20 quilômetros (km) do esqui cross-country, que acontecem na cidade de Tesero, a partir das 5h (horário de Brasília). Seis atletas brasileiros estarão na linha de partida, com os olhos do país voltados para o desempenho de nomes que já fizeram história e outros que buscam seu lugar ao sol na neve italiana.
Cristian Ribera: o pioneiro em busca de mais um feito
A principal aposta brasileira para este domingo é Cristian Ribera. O atleta, que já gravou seu nome na história ao conquistar a primeira medalha do Brasil em uma Paralimpíada de Inverno – uma prata no sprint (1 km) para esquiadores sentados –, agora mira uma segunda glória em Milão-Cortina. A confiança não é infundada: no Mundial do ano passado, em Toblach, também na Itália, o rondoniense radicado em Jundiaí (SP) faturou o bronze justamente na prova de 20 km, demonstrando sua capacidade na distância.
Nascido com artrogripose, uma condição que afeta as articulações das pernas, Cristian personifica a força de vontade. Em depoimento ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), ele enfatizou a preparação minuciosa: “Já estudamos os tempos dos dez melhores para podermos chegar firmes e fortes nas primeiras colocações. O esporte é individual, mas tem uma equipe enorme trabalhando e é por isso que a gente está evoluindo”. Essa visão de equipe é crucial para o desenvolvimento do esporte em um país tropical, onde o acesso a treinamentos em neve é limitado e exige um esforço logístico e financeiro considerável.
A força do coletivo: o revezamento e a evolução brasileira
A jornada de Ribera e dos demais atletas não é solitária. No sábado, 14 de março, Cristian participou do revezamento do esqui cross-country ao lado da paranaense Aline Rocha e do paulista Wellington da Silva. Embora a prova original seja disputada por quatro atletas, a equipe brasileira, com três integrantes, demonstrou um espírito de luta notável. Wellington, único esquiador brasileiro classificado aos Jogos que compete de pé devido a uma má-formação congênita no antebraço esquerdo, percorreu dois trechos de 2,5 km, assumindo uma responsabilidade extra.
O resultado foi histórico: a equipe brasileira terminou na sétima colocação, entre dez equipes, com o tempo de 27min00s5. Foi o melhor desempenho do Brasil na história do revezamento paralímpico de inverno. Para se ter uma ideia da evolução, na edição de 2022, em Pequim, o país foi representado por quatro esquiadores, todos cadeirantes, e ficou na oitava e última posição. “Hoje [sábado] não senti tanto a respiração, foi mais dor física, principalmente nas pernas. Gostei da prova. Fiz uma boa primeira volta; na segunda, cansei bastante. É muito bom fazer uma prova em conjunto. Sempre treino com o Cristian e com a Aline”, comentou Wellington, destacando a sinergia do grupo.
Aline Rocha, paraplégica devido a um acidente automobilístico, reforçou a importância da inclusão de atletas standing (em pé) na equipe: “Antes, a gente fazia [a prova de revezamento] meio de brincadeira, sempre chegava em último. Com o Wellington no standing, as coisas melhoraram”. A paranaense é, inclusive, outra forte candidata a pódio neste domingo, tendo conquistado bronze nos 18 km no Mundial de Ostersund (Suécia), em 2023, uma prova similar à de 20 km.
Um legado para o esporte paralímpico nacional
A participação brasileira nas Paralimpíadas de Inverno, que começou em Sochi 2014, tem sido marcada por um crescimento constante. A cada edição, os atletas superam barreiras, não apenas as físicas, mas também as impostas pela falta de tradição em esportes de neve. A medalha de Cristian Ribera e o desempenho no revezamento são marcos que inspiram novas gerações e demonstram o potencial do Brasil em modalidades que, à primeira vista, parecem distantes da realidade nacional.
Além de Cristian, Aline e Wellington, os paulistas Guilherme Rocha e Elena Sena e o paraibano Robelson Lula também estarão na disputa por medalhas neste último dia, representando a diversidade e a garra do esporte paralímpico brasileiro. Independentemente dos resultados finais, a presença desses atletas no cenário internacional já é uma vitória, abrindo caminho para que o Brasil se consolide como uma força emergente nos esportes de inverno adaptados.
A cerimônia de encerramento das Paralimpíadas de Inverno de Milão-Cortina será realizada em Cortina d’Ampezzo, que sediou as provas de snowboard, a partir das 16h30. Será o momento de celebrar as conquistas, as superações e a união de atletas de todo o mundo. Para o Brasil, será a celebração de uma participação histórica, com a esperança de ter adicionado mais um capítulo dourado à sua trajetória.
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