Bioeconomia: Brasil traça rota para transformar biodiversidade em motor de desenvolvimento até 2035

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O Brasil deu um passo significativo em direção a um futuro mais sustentável e economicamente próspero com o lançamento, nesta quarta-feira (1º), do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). A iniciativa governamental visa posicionar a vasta biodiversidade do país como um dos principais ativos econômicos, impulsionando o desenvolvimento nacional até o ano de 2035. A estratégia abrange um espectro amplo, desde a valorização do trabalho de extrativistas até a inovação na indústria, buscando integrar a conservação ambiental com a geração de riqueza e inclusão social.

Entre as metas ambiciosas do PNDBio estão a expansão do pagamento por serviços ambientais, a incorporação de novos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e a concessão de novas Unidades de Conservação para fomentar o ecoturismo. O plano reflete uma visão estratégica que reconhece o potencial inexplorado da natureza brasileira, propondo um modelo de desenvolvimento que alie inovação, sustentabilidade e equidade.

Uma Estratégia Nacional para a Bioeconomia Brasileira

O PNDBio está estruturado em três eixos fundamentais que guiarão as ações governamentais e setoriais nos próximos anos: Sociobioeconomia e ativos ambientais, Bioindustrialização competitiva e Produção sustentável de biomassa. Essa organização demonstra a complexidade e a abrangência do plano, que busca atuar em diversas frentes para consolidar a bioeconomia no país.

Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, enfatizou que o PNDBio representa uma estratégia de desenvolvimento nacional que transcende a mera conservação. Segundo ela, o plano busca olhar para os ativos ambientais sob a ótica de como utilizá-los de forma produtiva dentro das atividades econômicas, com o objetivo de “gerar um novo ciclo de prosperidade” para o Brasil. Essa abordagem inovadora visa transformar o patrimônio natural em um motor de crescimento econômico e social.

Impulsionando a Sociobioeconomia e Serviços Ambientais

O primeiro eixo do PNDBio, focado na Sociobioeconomia e ativos ambientais, dedica-se à estruturação de um ecossistema robusto de negócios comunitários. As ações propostas incluem o apoio direto a 6 mil empreendimentos, fortalecendo a base da economia local e tradicional. Além disso, prevê-se um aumento de 20% nos contratos da linha de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) destinados a produtores de baixa renda, o que deve impulsionar a produção sustentável e a renda no campo.

Um dos pilares deste eixo é a duplicação do valor bruto produzido anualmente a partir da sociobiodiversidade, evidenciando o potencial de crescimento desse setor. O plano também valoriza os serviços ambientais e socioculturais prestados por povos e comunidades tradicionais, com a previsão de pagamento a 300 mil beneficiários. Essa medida reconhece a importância dessas comunidades na manutenção dos ecossistemas e na preservação do conhecimento tradicional.

A legislação brasileira já prevê que comunidades tradicionais, como povos indígenas, recebam parte dos lucros gerados pelo uso de seu patrimônio genético na indústria. O PNDBio ambiciona ampliar essa repartição, com a meta de aumentar em 50%, até 2035, o número de organizações que podem se beneficiar dessa política. Essa iniciativa reforça a justiça social e econômica, garantindo que os guardiões da biodiversidade sejam devidamente recompensados.

No âmbito ambiental, o plano estabelece metas claras para a recuperação de vegetação nativa em 2,3 milhões de hectares, integrando essas áreas às cadeias da bioeconomia. A consolidação de 30 territórios de restauração no país e a concessão de 60 Unidades de Conservação para a promoção do ecoturismo são outras ações estratégicas. O aumento das áreas para manejo florestal para 5,28 milhões de hectares complementa o compromisso com a gestão sustentável dos recursos naturais.

Inovação e Competitividade na Bioindustrialização

O eixo da Bioindustrialização competitiva concentra-se em setores estratégicos, como saúde e bem-estar, por meio do uso sustentável do patrimônio genético. O plano projeta a incorporação de novos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população a tratamentos baseados na flora brasileira. Além disso, busca-se um aumento de 5% na participação desse tipo de medicamento no faturamento da indústria farmacêutica nacional, incentivando a pesquisa e o desenvolvimento de produtos inovadores.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a natureza inclusiva da bioeconomia proposta para o Brasil. “Há lugar para extrativista, para industrial do cosmético, dos fármacos. É uma bioeconomia para um novo ciclo de prosperidade”, afirmou a ministra, ressaltando que o plano visa beneficiar diversos atores da sociedade, desde os que trabalham diretamente com a extração de recursos naturais até as grandes indústrias que os transformam em produtos de valor agregado.

Biomassa e Economia Circular: O Futuro Verde da Indústria

O terceiro eixo, focado na Produção sustentável de biomassa, aborda o aproveitamento de materiais orgânicos de origem vegetal e animal como fonte de energia e matéria-prima para a indústria nacional. A biomassa, definida como todo material orgânico que pode ser utilizado para energia, representa um pilar fundamental para a transição energética e para a promoção da economia circular no país.

Este eixo também contempla o desenvolvimento da indústria bioquímica de renováveis, com destaque para a produção de biocombustíveis, como o etanol. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, resumiu a visão para este setor: “Inovadora, competitiva, exportadora e verde. Então temos uma indústria sustentável”, projetando um futuro onde a indústria brasileira seja sinônimo de sustentabilidade e alta performance.

Construção Colaborativa e Perspectivas Futuras

A elaboração do PNDBio foi um processo colaborativo e abrangente, que durou dois anos e envolveu a participação de 16 ministérios, além de organizações da sociedade civil, da academia e do setor privado. Esse esforço conjunto culminou na formação da Comissão Nacional de Bioeconomia (CNBio), responsável por consolidar as diretrizes do plano.

Após ser submetido a uma consulta pública que recebeu mais de 900 contribuições, a política pública foi finalizada e aprovada pela CNBio em 5 de março de 2026. O resultado é um documento robusto que define 185 ações estratégicas para o país, delineando um caminho claro para o desenvolvimento da bioeconomia brasileira nos próximos anos.

O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia representa uma aposta estratégica do Brasil em seu capital natural, buscando harmonizar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes, atuais e contextualizadas sobre este e outros temas que impactam o Brasil e o mundo, siga o Avexado News. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, oferecendo uma leitura jornalística aprofundada e diversificada para você se manter sempre bem-informado.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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