Alckmin cobra rigor no caso Banco Master e detalha agenda política e econômica

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Destaques:

  • Vice-presidente Geraldo Alckmin defende apuração rigorosa e punição no caso Banco Master.
  • Alckmin confirma sua saída do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) em 2 de abril para disputar eleições.
  • Ele abordou impactos econômicos de conflitos internacionais, cenário eleitoral polarizado e a PEC da Segurança Pública.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, exigiu apuração rigorosa e punição exemplar para todos os envolvidos no escândalo do Banco Master. O caso, que segundo o Banco Central (BC) gerou prejuízos bilionários a investidores e entidades públicas e privadas, tem sido um dos focos de atenção do governo.

A declaração foi feita durante a estreia do programa Na Mesa com Datena, na TV Brasil, na noite de terça-feira, 10 de março. Alckmin enfatizou a necessidade de investigar a fundo as ramificações da fraude, que, segundo ele, não é recente.

“Você não tem um desfalque, uma fraude, do ponto de vista bancário, que começou ontem. Isso vem lá de trás. Agora, está ficando claro que tinham pessoas dentro do Banco Central, que é o órgão responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento do sistema financeiro, que tinham envolvimentos. Já ficou claríssimo isso. Tem que ser feita apuração rigorosa, punição rigorosa”, afirmou Alckmin.

O vice-presidente reiterou a posição do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em garantir total liberdade investigativa à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. “O presidente Lula tem sido claro. Ninguém no governo limita investigação. Nenhuma. É investigação rigorosa. Polícia Federal tem liberdade, o Ministério Público, Poder Judiciário. É apurar e fazer justiça, é isso que se deseja. E, de outro lado, responsabilizar e aprimorar os instrumentos de controle. Isso já poderia ter sido pego lá para trás”, observou.

Além da punição, Alckmin defendeu o fortalecimento das instituições de controle, como o Banco Central. “Esse é um processo permanente de você melhorar as instituições, aprimorar as instituições. Na democracia, tem que ter transparência, tem que ter clareza”, disse ele.

Operação Compliance Zero e a prisão de Daniel Vorcaro

O caso Banco Master ganhou novos contornos com a recente prisão do financista Daniel Vorcaro. Na semana passada, ele foi detido novamente pela Polícia Federal, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Vorcaro já havia sido alvo de um mandado de prisão no ano anterior, mas obteve liberdade provisória mediante uso de tornozeleira eletrônica.

A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação. As mensagens revelaram ameaças a jornalistas e indivíduos que teriam contrariado seus interesses, conforme noticiado pela imprensa. A Compliance Zero investiga fraudes bilionárias no Banco Master, que teriam causado um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, destinado ao ressarcimento de investidores.

Saída do MDIC e futuro político

Na mesma entrevista, Alckmin confirmou sua saída do cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no dia 2 de abril. A medida é uma exigência da legislação eleitoral, que estabelece um prazo de desincompatibilização de seis meses antes do pleito para quem deseja disputar cargos públicos nas eleições de outubro. A data limite para o afastamento é 4 de abril.

Embora tenha evitado antecipar seu futuro político, Alckmin esclareceu que continuará exercendo a vice-presidência da República. “Olha, Datena, vice-presidente não precisa deixar a vice-presidência, você continua na vice-presidência. Agora, ministério, para qualquer cargo que você for disputar, você tem que se afastar. Então, no dia 2 de abril, cumprindo rigorosamente a lei, nós vamos nos afastar”, garantiu.

A informação sobre sua saída do ministério já havia sido antecipada a jornalistas na semana passada, durante uma coletiva de imprensa no MDIC, onde foram anunciados os resultados da balança comercial.

Cenário econômico e geopolítico

Alckmin também abordou os efeitos econômicos das tensões geopolíticas, referindo-se especificamente à “guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã”. Ele previu que o Brasil, apesar dos impactos globais, não deverá ser tão severamente atingido, devido à sua dependência maior do comércio internacional com parceiros como China, União Europeia, Argentina e os próprios Estados Unidos, regiões distantes do epicentro do conflito.

“Todos os países saem prejudicados, mas o Brasil é o menos prejudicado, porque nossos grandes compradores, parceiros comerciais são China, União Europeia, Argentina, Estados Unidos. Agora, já encareceu o petróleo, então claro que afeta gasolina e diesel”, ponderou.

Sobre o cenário eleitoral, Alckmin reconheceu a polarização global, mas expressou otimismo quanto à percepção da sociedade sobre o bom momento econômico do país. “No mundo inteiro, você tem eleições bastante polarizadas. Eleição é comparação, você faz uma comparação. Não tem eleição fácil, mas acredito que as coisas tendem a melhorar”, afirmou.

Ele destacou indicadores positivos como o menor índice de desemprego da série histórica e uma inflação controlada em 4,2%. “Então, você tem um ganho de renda da população. Salário mínimo com ganho real. Vamos lembrar que 60% dos aposentados e pensionistas vivem com um salário mínimo no Brasil”, acrescentou.

PEC da Segurança Pública e combate ao crime

Questionado sobre os desafios do combate ao crime, Alckmin ressaltou a recente aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública pela Câmara dos Deputados, que agora segue para análise no Senado. A proposta original do governo visa criar o Sistema Único de Segurança Pública, buscando maior integração entre as forças de segurança.

Um dos pontos destacados pelo vice-presidente é o fortalecimento das polícias municipais. “Essa PEC dá mais espaço para a ação local. Não vai trocar as polícias, mas vai trazer mais um. A mudança da PEC dando mais poder à polícia municipal vai fazer a diferença, porque você está muito mais próximo da população local”, explicou.

A PEC também atribui expressamente à Polícia Federal o combate a crimes de organizações e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional. A Polícia Rodoviária Federal, por sua vez, terá suas atribuições estendidas para incluir ferrovias e hidrovias federais. Alckmin defendeu, ainda, o aumento de pena para o crime organizado e a necessidade de prender os líderes das facções criminosas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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