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Capacitação em Belém impulsiona produção de alimentos em assentamento do Pará

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Imagem gerada com IA
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Em um esforço conjunto para fortalecer a agricultura familiar e promover a segurança alimentar no Pará, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realizaram uma capacitação especial em Belém. O evento, denominado ‘Dia de Campo Sisteminha Embrapa’, reuniu cerca de 40 agricultores familiares e representantes de comunidades tradicionais na sede da Embrapa Amazônia Oriental, no bairro do Marco, na última quinta-feira (23).

A iniciativa visa apresentar e disseminar o Sisteminha Embrapa, uma tecnologia inovadora e acessível que integra diversas atividades produtivas em pequenas áreas, otimizando recursos e gerando renda. A expectativa dos participantes era alta, como expressou Maria Leonor Nascimento, de 65 anos, assentada da reforma agrária de Acará: “Eu sei que, quando a gente vem, chega, conversa, é uma troca de ideia, de informação, de existência, mas tudo presencial, estar dentro da experiência, é como sentir o futuro na pele, na alma e no coração”. Sua fala reflete o anseio por conhecimento e novas perspectivas para o campo paraense.

O Sisteminha Embrapa: inovação e sustentabilidade para o campo

O Sisteminha Embrapa representa uma solução prática e de baixo custo para os desafios da agricultura familiar na Amazônia. Trata-se de uma tecnologia que interliga de forma circular atividades como compostagem, minhocário, horticultura, piscicultura, avicultura e fruticultura. Com uma área necessária de apenas 500 m² e um custo de implantação a partir de R$ 500, o sistema permite o reaproveitamento circular de água e a reciclagem de resíduos, minimizando o impacto ambiental e maximizando a produtividade.

O objetivo principal é garantir a produção constante de alimentos nutritivos e, ao mesmo tempo, oferecer oportunidades de comercialização do excedente. Jorge Augusto Macedo, sociólogo e chefe da Emater em Marituba, destacou a eficácia do modelo: “É um sonho de bom funcionamento na agricultura familiar que não tem impedimento para virar realidade. No básico, a água e os sedimentos são multi utilizados, com resultado de produção de proteínas animal e vegetal e de carboidratos suficientes para alimentar até cinco pessoas, pelas recomendações da OMS [Organização Mundial da Saúde]”.

Vozes do campo: expectativas e a busca por novas práticas

Os participantes do ‘Dia de Campo’ vieram de diversas localidades, incluindo assentados de Acará, sete comunidades tradicionais de Bujaru (Cajueiro, Curuçambaba, Jabatiteua, Santa Maria, Santo Amaro, Tracuateua e Trindade) e Marituba (São Francisco), além de representantes do Movimento Sem-Terra (MST). A diversidade de origens sublinha a amplitude do impacto que o Sisteminha pode ter na região.

Maria Leonor, que já trabalha com criação de galinha caipira e pato, além do plantio de açaí e mandioca em seu Sítio São José, expressou seu novo interesse: “Agora, com essa vez, eu entendendo como se faz, meu interesse é começar no cultivo de peixe em tanque e associar com irrigação do açaí, porque é uma forma de mais comida na nossa mesa e mais dinheiro no nosso bolso”. Sua fala ilustra a busca por diversificação e otimização da produção.

Outro exemplo é Gaio Ricardo Carvalho, de 27 anos, da comunidade Curuçambaba, em Bujaru, que participou do evento com sua mãe, Andréia Piedade, de 44 anos. Gaio vê na modernização e na ciência aliadas cruciais para o futuro da agricultura familiar. “Eu penso que modernização é sempre bem-vinda e que a ciência é uma aliada da agricultura familiar, até pelo significado de menos impacto ambiental: nós estamos abertos a melhorar, adaptar, diminuir gasto e aumentar produtividade, pra que nossos produtos finais agreguem cada vez mais qualidade e se tornem cada vez mais sustentáveis”, afirmou. Ele também ressaltou a importância de integrar o conhecimento popular e ancestral com as novas tecnologias, incluindo o uso de redes sociais para vendas e encomendas.

A parceria estratégica entre Emater e Embrapa

A colaboração entre a Emater e a Embrapa é um pilar fundamental para o sucesso de iniciativas como o Sisteminha. Fábio Barbieri, médico-veterinário e chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, enfatizou a importância dessa sinergia. “É a consolidação da ciência aplicada. Com a capilaridade e a imersão da Emater em todos os 144 paraenses, a Embrapa consegue desenvolver soluções – e tais soluções só são exequíveis porque a Emater age também como identificadora e diagnosticadora dos problemas que exigem soluções”, explicou Barbieri, que é especialista em Gestão de Projetos e mestre e doutor em Parasitologia Animal.

Essa parceria garante que as demandas tecnológicas da agricultura familiar sejam atendidas de forma eficaz, criando um canal de comunicação direto entre o laboratório e o campo. O resultado são políticas públicas mais efetivas, que promovem a cidadania e o desenvolvimento sustentável, essenciais para o progresso das comunidades rurais do Pará. Para mais informações sobre o Sisteminha, acesse o site oficial da Embrapa.

Impacto regional e o futuro da agricultura familiar no Pará

O ‘Dia de Campo Sisteminha Embrapa’ não é apenas um evento de capacitação, mas um catalisador para a transformação da agricultura familiar no Pará. Ao oferecer ferramentas e conhecimentos práticos, a iniciativa empodera agricultores como Maria Leonor e Gaio Ricardo, permitindo-lhes adotar práticas mais eficientes e sustentáveis. A visita a vitrines vivas e módulos de criação de peixe, compostagem orgânica, produção de minhocas para adubo natural, criação de galinhas poedeiras e de corte, e plantio biofertilizado, proporcionou uma experiência imersiva e tangível.

O potencial de replicação do Sisteminha em outras propriedades e assentamentos da Amazônia paraense é imenso, prometendo não apenas mais comida na mesa das famílias, mas também um aumento significativo na renda e na qualidade de vida. A integração de saberes tradicionais com a ciência moderna, como exemplificado por Gaio, é a chave para um futuro mais próspero e resiliente para a agricultura familiar na região.

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