O Paysandu Sport Club, um dos gigantes do futebol paraense e de grande relevância no cenário nacional, enfrenta um dos capítulos mais desafiadores de sua história recente, desta vez fora das quatro linhas. O clube bicolor lida com um passivo trabalhista que ultrapassou a alarmante marca de R$ 10 milhões ao fim de 2025, um montante que reflete a complexa teia de compromissos não cumpridos com ex-profissionais. Esta dívida, impulsionada por uma série de ações judiciais movidas por ex-treinadores e jogadores, intensifica a pressão sobre a diretoria justamente em um período delicado, com o Papão em processo de Recuperação Judicial.
A situação é um espelho das dificuldades financeiras que muitos clubes brasileiros enfrentam, mas no caso do Paysandu, a urgência se acentua pela presença de seu patrimônio em jogo e pela necessidade de reequilíbrio para garantir sua sustentabilidade a longo prazo. As demandas judiciais variam desde figuras de grande destaque e reconhecimento público até atletas que tiveram passagens mais discretas pelo elenco, mas que, legalmente, buscam o que lhes é devido por contrato. A soma desses processos representa um obstáculo significativo na busca do clube por estabilidade e reconstrução.
As Figuras por Trás dos Números Milionários
Na vultosa lista de credores do Paysandu, alguns nomes se destacam não apenas pela projeção no futebol, mas pelos valores expressivos de suas reivindicações. O técnico Hélio dos Anjos, por exemplo, figura como um dos maiores credores individuais, com uma cobrança de aproximadamente R$ 2,6 milhões. Este montante inclui verbas rescisórias, premiações e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), e a condenação foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) em dezembro de 2025, ratificando a obrigação do clube.
Entretanto, o maior valor individual pleiteado é pelo volante Leandro Vilela, que reivindica cerca de R$ 4,05 milhões. Em sua ação, o jogador detalha uma série de problemas contratuais, como atrasos salariais, o uso irregular de seus direitos de imagem e a ausência de seguro obrigatório, condição agravada após ele sofrer uma lesão grave durante sua passagem pelo clube. Tais alegações, se confirmadas, desenham um cenário de descumprimento que vai além da simples inadimplência salarial e tocam em direitos fundamentais dos atletas.
Outras Ações e o Efeito Cascata
A lista de atletas buscando reparação judicial é extensa e segue crescendo. O atacante André Lima, que vestiu a camisa bicolor em 2025, também entrou com um processo, cobrando mais de R$ 1,6 milhão. Outros casos incluem o lateral-esquerdo PK, com uma ação de R$ 523 mil que tramita na 19ª Vara do Trabalho de Belém e tem audiência marcada para 2026; o técnico Luizinho Lopes, que cobra R$ 351 mil em valores contratuais; e o atacante Jorge Benítez, com uma demanda de R$ 333 mil. Benítez é o sétimo jogador do elenco de 2025 a acionar judicialmente o clube, um indicativo da dimensão do problema.
Além desses nomes, tramitam também ações movidas pelos atletas Giovanni e Wesley Fraga, que buscam direitos trabalhistas e valores relacionados a contratos de imagem. Embora os montantes desses processos corram sob sigilo, sua inclusão na lista reforça a magnitude do passivo e a diversidade das reivindicações, que abrangem desde salários e FGTS até questões mais complexas como uso de imagem e seguros.
O Impacto da Multa do MPT e a Recuperação Judicial
A pressão financeira sobre o Paysandu não se limita às ações individuais. O clube também sofreu uma condenação relevante envolvendo um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2008. Em setembro de 2025, a Justiça determinou o pagamento de R$ 1,5 milhão devido a atrasos salariais registrados em 2024. A decisão se baseou no entendimento de que o Paysandu descumpriu o acordo histórico que previa a manutenção dos salários em dia, resultando na aplicação cumulativa da multa e adicionando mais um encargo substancial ao passivo.
Este cenário ganha contornos ainda mais complexos com o Paysandu em Recuperação Judicial (RJ). A RJ é um instrumento legal que visa permitir que empresas em dificuldades financeiras reestruturem suas dívidas e evitem a falência, mantendo suas operações. No contexto de um clube de futebol, isso significa tentar equacionar os débitos trabalhistas, fiscais e com fornecedores, negociando prazos e condições de pagamento sob supervisão judicial. A inclusão desses passivos trabalhistas no plano de Recuperação Judicial é crucial, mas também um desafio gigantesco, pois afeta diretamente a capacidade de investimento no futebol e a gestão do dia a dia.
Relevância e Perspectivas para o Futuro Bicolor
A dívida milionária e o emaranhado de ações judiciais não são apenas números frios; eles têm um impacto direto e profundo na vida do Paysandu e de sua apaixonada torcida. A instabilidade financeira pode afetar a capacidade do clube de contratar novos talentos, de manter jogadores importantes e de investir na infraestrutura necessária para o alto rendimento. Isso, por sua vez, reflete-se no desempenho em campo, na competitividade em campeonatos estaduais e nacionais, e na própria imagem da instituição.
Para o torcedor, que sonha com títulos e momentos de glória, a situação gera preocupação e demanda transparência. O processo de Recuperação Judicial, embora seja uma tábua de salvação, exige rigorosa disciplina e um plano de reestruturação que contemple a quitação dessas dívidas. A gestão atual tem o desafio de navegar por essas águas turbulentas, buscando soluções que preservem a saúde financeira do clube sem comprometer seu futuro esportivo e sua ligação com a comunidade que tanto o apoia. O sucesso dessa empreitada dependerá de negociações eficazes, da confiança dos credores e de uma administração financeira impecável.
O Paysandu segue em campo lutando por cada vitória, mas a batalha nos tribunais e na gestão financeira é igualmente importante para sua sobrevivência e prosperidade. Acompanhar os desdobramentos desses processos é fundamental para entender o caminho que o clube trilhará nos próximos anos. Para se manter sempre bem informado sobre este e outros temas que impactam o cenário local, regional e nacional, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua. Nosso compromisso é levar a você informação relevante, contextualizada e com a profundidade que o leitor merece, cobrindo os fatos que realmente importam.
Fonte: https://www.oliberal.com