Apesar da festa pela classificação às semifinais do Campeonato Paraense, a vitória do Remo sobre o Águia de Marabá, conquistada nos pênaltis em um Mangueirão parcialmente lotado, não aplacou as críticas direcionadas ao técnico Juan Carlos Osorio. Alvo de vaias no intervalo e de questionamentos recorrentes por suas escolhas táticas, especialmente as improvisações na defesa, o treinador colombiano se viu na linha de frente para justificar sua estratégia após o confronto decisivo. Em meio à tensão de um resultado que demorou a vir, Osorio defendeu a atuação do Leão Azul, insistindo que, apesar das dificuldades, a equipe mostrou superioridade.
Improvisações Táticas e a Crítica da Torcida
A partida contra o Águia, válida pelas quartas de final do Parazão, foi um reflexo da montanha-russa emocional que tem sido a temporada remista. Osorio optou por um desenho tático incomum, escalando o zagueiro Thalisson improvisado na lateral-direita e Léo Andrade, outro defensor, na lateral-esquerda. A medida foi amplamente contestada pelos torcedores, que já no primeiro tempo, ao verem o Remo ir para o intervalo em desvantagem no placar de 1 a 0, expressaram sua insatisfação com vaias.
No decorrer do jogo, o treinador voltou a mexer no setor, deslocando Léo para a zaga e empurrando Kayky Almeida, também zagueiro de origem, para a lateral-esquerda. A ausência dos laterais de ofício, como Cufré e Sávio, seja por lesão, suspensão ou opção técnica, agrava a percepção de instabilidade tática e tem sido um dos principais pontos de atrito entre a comissão técnica e a torcida. Para muitos, a repetição de improvisações em posições-chave prejudica o desempenho coletivo e aumenta a vulnerabilidade da equipe.
A Defesa de Osorio: Controle e Estratégia
Na coletiva de imprensa pós-classificação, Osorio não se furtou a defender suas escolhas. Ele explicou que a estratégia visava neutralizar o jogo aéreo do Águia de Marabá, que, segundo ele, seria a principal arma ofensiva do adversário, especialmente em um gramado que considerou propício para o estilo de jogo do time marabaense. “Planejamos o jogo para evitar o jogo aéreo, pensávamos que era o melhor caminho para eles atacarem, e creio que controlamos muito bem”, afirmou o treinador.
O colombiano também destacou a capacidade de reação do Remo, mesmo após um início mais intenso do Águia, impulsionado pelo apoio da torcida. “Passados os primeiros 15 minutos, eles com muito apoio da torcida, nivelamos o jogo e terminamos os últimos 15 do primeiro tempo e todo o segundo tempo superiores. Merecíamos outro gol a mais”, analisou. Para Osorio, o Leão soube competir em um cenário adverso, tanto pela postura do rival quanto pelas condições do campo.
Apesar de reconhecer as dificuldades, como as condições do gramado e a escuridão que prejudicava os passes longos, o técnico evitou usá-las como justificativa principal para o resultado suado. “Não gosto de dar desculpas no campo, mas creio que o campo hoje foi um item adverso para nossa ideia, a escuridão também dificultou os passes longos, e também que a equipe rival deu a vida por cada bola”, pontuou. Preferiu valorizar o aspecto mental do elenco: “A equipe mostrou resiliência, foi buscar o placar, ficam coisas positivas”.
A Repercussão e o Peso da Camisa Azulina
A insatisfação da torcida remista vai além das vaias no estádio; ela ecoa nas redes sociais e nos programas esportivos, refletindo a paixão e as altas expectativas em torno do clube. O Remo, um dos maiores do Norte do país, carrega uma história rica e uma rivalidade intensa com o Paysandu, o que torna cada resultado, especialmente no Campeonato Paraense, motivo de profunda análise e, muitas vezes, de cobrança exacerbada. A percepção de que o time não apresenta um padrão de jogo consistente e a insistência em soluções táticas não-ortodoxas geram um desgaste que Osorio precisa administrar.
A classificação, por mais dramática que tenha sido, alivia momentaneamente a pressão, mas não resolve os problemas de fundo. A torcida do Remo, conhecida por seu engajamento, espera ver um time mais organizado, com jogadores atuando em suas posições de origem e, acima de tudo, com um futebol que condiza com a grandeza do Leão Azul. As discussões sobre a “mentalidade vencedora” ou a “resiliência” do elenco, tão caras ao discurso do técnico, precisam ser traduzidas em desempenho mais convincente e resultados sem tantos percalços.
O Desafio Pela Frente no Parazão
Com a vaga garantida na semifinal, o Remo se prepara para uma nova fase de desafios no Parazão. O campeonato estadual não é apenas um título em jogo; é uma vitrine, uma fonte de receita e, principalmente, um termômetro para a temporada. Um bom desempenho é crucial para a moral da equipe, a confiança dos torcedores e até mesmo para a estabilidade do comando técnico. Osorio, ao final de sua entrevista, reforçou a confiança no grupo, apesar das críticas externas e da instabilidade. “Creio que podemos competir com qualquer equipe brasileira”, concluiu, demonstrando sua convicção na capacidade de seu elenco.
No entanto, a prática tem mostrado que essa capacidade precisa ser mais frequentemente demonstrada em campo, com atuações que dissipem as dúvidas e consolidem a imagem de um time forte e bem treinado. As próximas partidas serão cruciais para que o Remo não apenas avance no Parazão, mas também para que Osorio consiga conquistar de vez a confiança da apaixonada torcida azulina, que, apesar das críticas, anseia por ver seu time no topo.
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