Técnicos-administrativos da UFPA, Unifesspa e Ufopa aprovam greve a partir do dia 23

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Vito Gemaque
Vito Gemaque

Os servidores técnicos-administrativos em educação das universidades federais do Pará, Unifesspa e Ufopa decidiram, em assembleias realizadas nas últimas semanas, deflagrar uma greve a partir da próxima segunda-feira, 23 de outubro. A aprovação do movimento ocorreu em meio a um cenário de insatisfação com a implementação de benefícios acordados em negociações anteriores com o Governo Federal.

Motivações da greve

Os servidores reivindicam a implementação de diversos benefícios que deveriam ter sido instaurados após a negociação do acordo de greve de 2024. Entre as principais demandas estão a redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais, a implementação da gratificação por Reconhecimento de Saberes e Competências Técnicas (RSC), que representa cerca de 22% do salário, e outras questões que visam melhorias nas condições de trabalho e na carreira dos técnicos-administrativos.

Cenário atual e desdobramentos

Até a próxima sexta-feira, 20 de outubro, as assembleias gerais dos técnicos-administrativos em universidades de todo o Brasil irão ocorrer, e a expectativa é que a greve se torne um movimento nacional, dependendo do resultado dessas deliberações. A Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) foi a única instituição no Pará a votar contra a greve, o que poderá resultar em uma mobilização diferenciada nesta universidade.

Will Mota, coordenador de finanças do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes), destacou a importância das assembleias para determinar a adesão ao movimento. “Se a maioria das assembleias votarem a favor, a greve vai começar”, afirmou. O Sindtifes aguarda orientações da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) para definir os próximos passos.

Reivindicações e respostas do governo

As reivindicações dos servidores vão além das questões salariais. Mota criticou a postura do governo em restringir a aplicação da jornada de 30 horas apenas aos servidores que atendem ao público, desconsiderando a maioria dos técnicos-administrativos que atuam em funções burocráticas internas. Além disso, o Reconhecimento de Saberes e Competências Técnicas, que deveria estar garantido no Projeto de Lei 6.170, foi alterado em sua essência, conforme afirmam os sindicalistas. “O governo desfigurou alguns itens que já tinham sido acordados, e isso tem gerado frustração na categoria”, relatou.

Impactos nos serviços prestados

Uma das preocupações em relação à greve é o impacto nos serviços prestados pelas universidades, especialmente em áreas como a saúde. Os hospitais da UFPA, João de Barros Barreto e Bettina Ferro, que contam com aproximadamente 400 servidores vinculados à universidade, podem ter suas atividades parcialmente afetadas. Contudo, como esses hospitais são administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), os atendimentos devem continuar, embora com possíveis limitações.

Busca por soluções

A reportagem do Grupo Liberal tentou entrar em contato com a UFPA para obter informações sobre como as universidades estão se preparando para o movimento grevista e quais serviços poderão ser afetados, mas não obteve resposta. O Ministério da Educação (MEC) também foi procurado e ainda não se manifestou. O espaço para manifestação das universidades e do governo federal permanece aberto, e as expectativas são de que um diálogo possa ser estabelecido para evitar a paralisação.

Diante deste cenário de incertezas, a mobilização dos servidores técnicos-administrativos é um reflexo das tensões entre as categorias de trabalhadores e o governo, que têm buscado formas de implementar acordos salariais e de melhorar as condições de trabalho. A situação ainda pode evoluir nos próximos dias, com desdobramentos que podem impactar não apenas as universidades, mas também a comunidade acadêmica e a população em geral.

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