Enquanto a equipe masculina do Clube do Remo já vive a rotina intensa do Campeonato Brasileiro, o cenário azulino se volta agora para o futuro do futebol feminino. Em uma cerimônia realizada na sede social do clube, em Belém, o Leão Azul apresentou oficialmente, nesta semana, a equipe feminina que representará suas cores na temporada de 2026. O evento marcou o início dos trabalhos e a reafirmação de um compromisso que, apesar dos desafios, busca consolidar o futebol feminino do Remo no cenário nacional, com um calendário cheio de competições e a mira apontada para o retorno à segunda divisão do futebol brasileiro.
A solenidade contou com a presença do presidente Antônio Carlos Teixeira, conhecido como Tonhão, que deu as boas-vindas à comissão técnica e às atletas. Este é um momento crucial para o esporte, que cresce em visibilidade e profissionalização no Brasil, e clubes tradicionais como o Remo se veem na responsabilidade de não apenas participar, mas de serem protagonistas nesse processo. A aposta na nova equipe reflete uma tendência nacional e a crescente demanda por investimento e reconhecimento das jogadoras.
Experiência no Comando e Ambições Elevadas
Para liderar o projeto do futebol feminino em 2026, o Remo trouxe um nome de peso: o experiente treinador Mercy Nunes. Com um currículo recheado de conquistas e passagens significativas, Nunes assume o comando técnico com a missão de reerguer o Leão Azul na modalidade. Ao seu lado, Renan Felizardo será o responsável pela preparação física do elenco, formando uma dupla que o clube espera ser decisiva para os resultados almejados.
Mercy Nunes expressou sua satisfação em retornar à casa azulina, onde já deixou sua marca. “Muito feliz de estar nessa casa. O presidente Tonhão me fez o convite para tocar o projeto Futebol Feminino Forte do Norte”, declarou o treinador. Ele recordou feitos importantes de sua trajetória, afirmando ter sido bicampeão paraense, conquistado o acesso da Série A3 para a A2 e chegado ao vice-campeonato brasileiro em outras experiências. Tais credenciais apontam para um profissional habituado a grandes desafios e com conhecimento aprofundado do cenário regional e nacional do futebol feminino, elementos cruciais para o sucesso da equipe que busca um novo patamar.
Calendário Cheio e a Busca pelo Acesso
A temporada de 2026 promete ser intensa para as atletas azulinas. O calendário prevê a participação em quatro competições de peso: o Campeonato Paraense, a Copa Pará, o Campeonato Brasileiro Série A3 e a Copa do Brasil. Esse volume de jogos e a diversidade de torneios representam uma grande oportunidade para a equipe demonstrar seu valor e, principalmente, alcançar o objetivo primordial: o retorno à Série A2 do futebol feminino brasileiro. A competição nacional, em especial, é vista como a principal porta para o crescimento e a consolidação do time em um patamar de maior visibilidade e competitividade.
Augusto Pinto, diretor do departamento de futebol feminino do Remo, destacou os obstáculos na formação do elenco, tanto no profissional quanto nas categorias de base. “É um desafio muito grande não só no profissional, mas também fortalecer a base do futebol feminino. Montar esse time não é fácil, há o convite de outros clubes, negociações”, detalhou Pinto. Contudo, o diretor se mostrou confiante na construção de um trabalho sólido, que conta com o respaldo da diretoria e do presidente Tonhão. A união de atletas experientes, algumas com passagens anteriores pelo próprio Remo, e novos talentos, garimpados em peneiras realizadas pelo clube, forma a base para a equipe que já iniciou os trabalhos no Centro da Juventude (Ceju), em Belém, com a equipe sub-20 também em preparação.
O Nó Orçamentário e a Luta por Investimento
Apesar do otimismo e da ambição, a realidade financeira do futebol feminino no Brasil, e no Remo, ainda impõe barreiras significativas. Para 2026, a previsão de gastos do Remo com o departamento de futebol feminino é de R$ 80 mil para a equipe profissional. Somando-se a isso, R$ 600 mil serão direcionados para a base e outros R$ 400 mil para despesas diversas, totalizando um investimento de R$ 1,08 milhão. Esse valor, embora represente um esforço do clube, ainda é mínimo quando comparado ao orçamento geral. O clube prevê um gasto total de R$ 139,650 milhões com o futebol, o que significa que o futebol feminino receberá menos de 1% (exatos 0,057%) desse montante.
Essa disparidade orçamentária é um reflexo de um problema crônico no futebol brasileiro, onde a modalidade feminina, apesar de seu crescimento e da obrigatoriedade imposta pela CBF para clubes que disputam as Séries A e B masculinas, ainda luta por maior equidade. A falta de investimento robusto impacta diretamente a capacidade de contratação de grandes nomes, a infraestrutura de treinamento, o marketing e a visibilidade das equipes. Para o Remo, esse cenário exige criatividade e muita gestão para fazer mais com menos, dependendo da paixão e do comprometimento de todos os envolvidos para superar os desafios financeiros e competitivos.
Perspectivas e o Caminho Adiante
A busca por reforços para compor o elenco azulino segue no mercado, um sinal de que a diretoria e a comissão técnica estão empenhadas em fortalecer a equipe. A jornada para a temporada de 2026 será árdua, mas a determinação de retornar à Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino e de representar o Pará com dignidade nas competições nacionais é o combustível para as jogadoras e a comissão técnica. O sucesso do projeto não dependerá apenas dos resultados em campo, mas também da capacidade de atrair maior apoio da torcida, de patrocinadores e de mostrar que o investimento no futebol feminino é um caminho sem volta, essencial para a diversidade e a força do esporte.
O pontapé inicial da temporada feminina do Remo em 2026 é mais do que a apresentação de um time; é um testemunho da evolução do futebol paraense e brasileiro, com seus desafios e esperanças. Acompanhe de perto essa trajetória e fique por dentro das notícias, análises e reportagens que moldam o cenário esportivo e muito mais, acompanhando o Portal Pai D’Égua, seu parceiro na informação relevante e de qualidade.