Às vésperas de mais uma celebração carnavalesca, o setor hoteleiro do Pará projeta uma ocupação robusta, com taxas que variam entre 80% e 85% nos principais destinos turísticos do estado para o Carnaval de 2026. A informação, divulgada pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Pará (SHRBS), revela uma estabilidade em relação ao mês anterior, mas aponta para uma tendência marcante: o público, mais atento aos gastos, tem direcionado seu orçamento para experiências pontuais e acessórios festivos, impactando a escolha por hospedagens mais luxuosas e mantendo as reservas dentro da média histórica para o período.
O Cauteloso Consumidor e o Cenário Econômico
O comportamento do consumidor para este Carnaval reflete um cenário econômico desafiador. Fernando Soares, assessor jurídico do SHRBS, observa uma ‘reserva em fazer reserva’ por parte dos associados, indicando uma maior ponderação antes de comprometer grandes valores com hospedagem. “É um ano complicado para gastos. Vi uma pesquisa que falava sobre alta intenção de gastos com fantasias e acessórios, mas o gasto com hospedagem é diferente, não se compara”, explica Soares, ressaltando que, embora a intenção de foliar seja alta, a prioridade tem sido dada a despesas mais imediatas e de menor custo unitário.
Essa cautela pode ser atribuída a fatores como a inflação, que erode o poder de compra, e a incerteza sobre o futuro econômico, levando muitos a planejar com mais rigor seus orçamentos de lazer. Para o setor hoteleiro, a recomendação primordial do sindicato é o ‘bom senso nos preços’. A prática de valores justos e competitivos torna-se crucial para atrair e reter a clientela de última hora, que busca opções acessíveis sem abrir mão da experiência carnavalesca.
Destinos em Destaque: Tradição, Adaptação e Criatividade
A diversidade geográfica e cultural do Pará se reflete na preferência dos foliões por diferentes destinos, cada um com suas particularidades e desafios na oferta de hospedagem.
Salinópolis: A Busca por Economia em Grupo
Salinópolis, com suas praias e infraestrutura crescente de resorts e apart-hotéis, continua a ser o polo que mais atrai turistas. No entanto, o perfil do visitante tem evoluído. Observa-se uma crescente tendência de grupos, compostos por 10 a 15 pessoas, que optam por alugar imóveis particulares para dividir custos. Essa estratégia, motivada pela busca por economia, desafia o modelo tradicional de hospedagem hoteleira e impulsiona o mercado de aluguéis por temporada, gerando impacto na arrecadação municipal e na dinâmica do comércio local.
Alter do Chão: O Refúgio Amazônico Mantém o Encanto
Em Santarém, Alter do Chão reafirma sua posição como destino de tranquilidade e contato com a natureza. Conhecida como o ‘Caribe Amazônico’, a vila deve registrar a maior ocupação do estado, atingindo cerca de 95% da capacidade de suas pousadas. O apelo de suas praias de rio, sua cultura local e o ecoturismo atraem um público que busca relaxamento e imersão cultural, mesmo em meio à efervescência do Carnaval.
Cametá e Vigia: Folia Intensa e Soluções Flutuantes
Para os amantes da folia mais eufórica, municípios como Cametá e Vigia são os epicentros. Com um público majoritariamente jovem, esses locais se destacam pela energia contagiante de seus carnavais de rua e blocos. Fernando Soares aponta um desafio estrutural nesses polos: a insuficiência de meios de hospedagem para a alta demanda. Em Cametá, uma solução criativa se tornou tradição: a utilização de navios como hotéis flutuantes, que ancoram nas margens dos rios, oferecendo acomodação e camarotes para os foliões. Nesses locais, o consumo de alimentação fora do lar é alto, mas com um ticket médio menor, refletindo a busca por opções mais rápidas e econômicas.
Bragança e Mosqueiro: Alternativas Acessíveis
Bragança se apresenta como um destino mais acessível, atraindo aqueles que buscam uma experiência carnavalesca com toque histórico e cultural, a preços mais convidativos. Diárias em pousadas charmosas podem ser encontradas a partir de R$ 250. Já Mosqueiro, ilha próxima à capital, Belém, oferece uma vasta gama de casas para aluguel por temporada, com pacotes que variam de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil para o período, sendo uma opção prática para famílias e grupos que desejam a comodidade de um lar durante a festa.
Dinâmica da Mão de Obra e Perspectivas para o Setor
A mão de obra temporária no setor de hospitalidade para o Carnaval de 2026 segue um padrão distinto do ano anterior. Se em 2025 a proximidade da COP 30 impulsionou contratações formais e por períodos mais longos, dada a natureza do evento e a necessidade de qualificação, em 2026 o foco retorna às contratações por diárias. Garçons, cozinheiros e seguranças são exemplos de profissionais empregados especificamente para os dias de festa, sem a criação de postos de trabalho temporários de longa duração. Essa modalidade oferece flexibilidade aos estabelecimentos diante da demanda sazonal, mas levanta discussões sobre a precarização e a ausência de benefícios para os trabalhadores, além de exigir um esforço constante das empresas para garantir qualidade nos serviços com equipes rotativas.
Os preços de hospedagem, simulados pela reportagem, reforçam a diversidade de ofertas: de resorts em Salinópolis com diárias a partir de R$ 900 e casas para 12 pessoas entre R$ 5 mil e R$ 8 mil o pacote, a pousadas em Alter do Chão com diárias médias de R$ 450 a R$ 700. Em Cametá, os hotéis no centro estão esgotados, e pacotes em navios/camarotes variam entre R$ 1,2 mil e R$ 2,5 mil por pessoa. Essa segmentação reflete a tentativa do mercado de atender a diferentes públicos e orçamentos, em um esforço para capitalizar sobre a festividade.
O Carnaval 2026 no Pará, com sua alta ocupação hoteleira e um consumidor mais estratégico, reitera a força cultural e econômica da festa para o estado. No entanto, ele também lança luz sobre a necessidade contínua de adaptação do setor, tanto em termos de oferta de serviços quanto na compreensão do comportamento de um turista que valoriza a experiência sem abrir mão da cautela financeira. Para entender como essas tendências moldarão o futuro do turismo paraense e acompanhar a repercussão e os desdobramentos de eventos tão importantes, continue conectado ao Portal Pai D’Égua, sua fonte confiável de informação relevante e contextualizada sobre o Pará e o Brasil.