Na última segunda-feira, um evento inusitado chamou a atenção dos moradores de Mosqueiro, distrito de Belém, no Pará. Pela primeira vez, um golfinho-listrado (Stenella coeruleoalba), espécie que normalmente habita águas oceânicas profundas, foi encontrado sem vida na praia de Ariramba, uma região de água doce. Este acontecimento é particularmente notável devido à natureza do habitat usual desses golfinhos, que se encontram em toda a costa brasileira, mas raramente se aventuram em águas tão rasas e distantes de seu ambiente natural.
Descoberta e Reação Imediata
Após o avistamento do golfinho, moradores locais rapidamente acionaram o Corpo de Bombeiros, que fez o recolhimento do corpo do animal. Posteriormente, o golfinho foi entregue a pesquisadores do Instituto Bicho D'Água e do Instituto de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Castanhal. Esses especialistas têm agora a tarefa de realizar análises detalhadas para compreender as razões que levaram o golfinho a aparecer em um ambiente tão distinto de seu habitat usual e as causas de sua morte.
Possíveis Causas da Aparição e Morte
Renata Emin, presidente do Instituto Bicho D'Água, destacou a preocupação dos cientistas com o fato de o golfinho-listrado ter se deslocado para tão longe de seu habitat natural. Esses golfinhos são conhecidos por viverem em áreas oceânicas a mais de 100 metros de profundidade, o que torna sua presença em águas rasas um motivo de alerta. Uma das hipóteses consideradas é que o golfinho pudesse estar doente ou desorientado devido a parasitas, que são conhecidos por causar desorientação em cetáceos.
Análise e Estudos Futuramente Conclusivos
Os pesquisadores do Instituto de Medicina Veterinária da UFPA conduzirão uma necropsia no golfinho para determinar a causa exata da morte. É esperado que, em um prazo de 30 dias, os resultados das análises laboratoriais possam esclarecer as circunstâncias que levaram ao encalhe e morte do animal. Essa investigação é crucial para entender o que pode estar afetando a fauna marinha na região.
Incidentes Anteriores e Monitoramento Contínuo
Este não é o primeiro incidente de cetáceos oceânicos encontrados nas praias do Pará recentemente. No mês passado, um golfinho-de-Fraser (Lagenodelphis hosei) também foi encontrado encalhado na praia do município de Colares. Além disso, no ano anterior, duas baleias foram encontradas em situação semelhante. Esses eventos têm sido monitorados de perto pelo Instituto Bicho D'Água, que mantém equipes de prontidão para responder rapidamente a esses casos.
Importância da Comunicação Rápida
Renata Emin enfatiza que a rapidez na comunicação por parte da população é vital. Avisos rápidos permitem que as equipes do Instituto Bicho D'Água possam atuar prontamente, aumentando as chances de resgatar animais em perigo e garantindo a coleta de dados valiosos em casos de mortes. A rápida ação é especialmente importante em regiões tropicais, onde a decomposição de carcaças é acelerada pelas condições climáticas.
Contribuição da População e Contato
Em casos de avistamento de encalhes ou mortes de animais marinhos, a orientação é que a população entre em contato imediatamente com as equipes do Instituto Bicho D'Água, através do número (91) 98226-5005. A colaboração da comunidade é essencial para a proteção e preservação de espécies como golfinhos, botos, baleias e tartarugas, que são vitais para a biodiversidade marinha.
Este incidente, ao mesmo tempo que é alarmante, também oferece uma oportunidade para a ciência e a comunidade local trabalharem juntas na conservação e entendimento das dinâmicas marinhas. Continue acompanhando outras notícias e descobertas sobre a fauna marinha no Portal Pai D'Égua para ficar sempre bem informado.