O comércio e o setor de serviços no Brasil iniciam o ano de 2026 com grandes expectativas de geração de empregos. A previsão é de que, juntos, eles criem cerca de 850 mil novas vagas de trabalho com carteira assinada. Essa perspectiva positiva, no entanto, é moderada por preocupações significativas com o nível de endividamento das famílias brasileiras. Em 2025, a inadimplência alcançou um patamar recorde, atingindo 30,4%, o maior desde 2010. Esses dados foram divulgados por José Roberto Tadros, presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), durante uma entrevista ao Grupo Liberal.
Resiliência em meio a desafios econômicos
José Roberto Tadros destacou que o cenário econômico atual é de resiliência. O ano de 2025 foi marcado por um desempenho excepcional nas vendas durante o Natal e o Dia das Crianças, atingindo o melhor faturamento da última década. No entanto, o recorde histórico de endividamento familiar trouxe um alerta para 2026. Segundo Tadros, este será um ano de transição e cautela, com foco na adaptação técnica à reforma tributária e na busca pelo equilíbrio fiscal para sustentar o consumo. A expectativa é que o consumo seja mantido, mas com um olho atento nas reformas econômicas necessárias.
Desafios na contratação de mão de obra
Apesar da previsão de criação de um grande número de vagas, o setor de comércio enfrenta desafios na contratação de mão de obra qualificada. Em julho de 2025, 57% das principais ocupações no comércio apresentaram escassez de mão de obra, o maior índice desde 2020. As áreas mais afetadas são logística e administração, onde há uma notável deficiência de profissionais como almoxarifes e assistentes administrativos. Esse déficit de mão de obra qualificada pode comprometer as metas de crescimento do setor e requer atenção especial das empresas e do governo.
Impactos das mudanças legislativas
Outro ponto de preocupação para o setor é a proposta de alteração na escala de trabalho 6×1. Segundo a CNC, uma mudança legislativa neste aspecto poderia elevar os custos operacionais das empresas em até 40%, afetando principalmente micro e pequenas empresas. Tadros argumenta que tal aumento nos custos poderia pressionar a inflação e incentivar a informalidade no mercado de trabalho. A CNC defende que cada setor tenha a liberdade de negociar suas cargas horárias através de negociações coletivas, o que permitiria um melhor ajuste às necessidades específicas de cada segmento.
Reforma tributária e seu impacto no setor produtivo
O ano de 2026 também marca o início do período de teste para a reforma tributária, que traz novas alíquotas de 0,1% para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e 0,9% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A CNC expressa preocupação com o impacto deste ajuste no setor de serviços, que pode sofrer um aumento de até 200% na carga tributária em algumas atividades. Tadros enfatiza que, dado o foco do setor em mão de obra intensiva, sem a possibilidade de abater gastos com pessoal da tributação, essa reforma exige um olhar atento para que não prejudique a economia como um todo.
Destaque regional: o crescimento do Pará
Na região Norte do Brasil, o Pará se destaca por crescer acima da média nacional, impulsionado pelos preparativos e a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) em novembro passado. Este evento, juntamente com a movimentação estratégica nos portos de Vila do Conde e Santarém, contribuiu para o avanço econômico do estado. Tadros aponta o Pará como um exemplo de progresso regional, destacando o papel do estado como motor de desenvolvimento econômico com base em serviços, turismo e logística portuária.
Projeções para 2026
As projeções para 2026 indicam que o comércio deve criar 302 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, enquanto o setor de serviços contribuirá com 548 mil novas vagas. As vendas do comércio estão projetadas para crescer 3,0% em volume, e a receita de serviços deve ter uma alta de 2,7%. No entanto, a inadimplência permanece uma preocupação, com 30,4% das famílias ainda enfrentando dificuldades financeiras.
Com o mercado de trabalho e a economia sob pressão, é essencial que empresários e formuladores de políticas continuem colaborando para criar um ambiente que favoreça o crescimento sustentável e a inclusão social. Para se manter atualizado sobre as mudanças e desafios enfrentados pelo comércio e setor de serviços, continue acompanhando as notícias no Portal Pai D’Égua, onde você encontrará análises aprofundadas e informações relevantes para o mercado brasileiro.