Alagamentos aumentam risco de doenças em Belém, alerta infectologista

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Belém, a capital paraense, enfrenta um desafio recorrente durante o período de chuvas intensas: os alagamentos. Este fenômeno não só causa transtornos urbanos, mas também eleva o risco de doenças, conforme alerta o infectologista Alessandre Guimarães. As águas que invadem ruas e canais não são compostas apenas por água da chuva; elas frequentemente se misturam com esgoto, criando um caldo perigoso que pode transmitir diversas doenças para a população que entra em contato com ela.

Doenças bacterianas: um perigo invisível

Entre as doenças bacterianas que podem ser transmitidas por essas águas contaminadas, a leptospirose é uma das mais preocupantes. Esta enfermidade é causada por uma bactéria que penetra no organismo humano através de pequenas lesões na pele. Normalmente, a bactéria Leptospira é encontrada na urina de roedores, como os ratos, habitantes comuns dos esgotos. Durante os alagamentos, a presença dessa bactéria na água torna-se um risco significativo, podendo levar a complicações graves e até mesmo à morte se não tratada adequadamente.

Outra doença bacteriana digna de nota é a febre tifóide, ou salmonelose, causada pela Salmonella Typhi. Esta infecção pode ocorrer quando as pessoas consomem água ou alimentos contaminados. O infectologista ressalta que a contaminação pode ser indireta, por exemplo, através do toque do rosto após o contato com a água contaminada.

Vírus em meio ao caos

Os alagamentos também criam condições favoráveis para a proliferação de doenças virais. A água parada, resultado comum das inundações, é um ambiente ideal para a reprodução de mosquitos, como o Aedes aegypti, transmissor da dengue. Com as mudanças climáticas, esses mosquitos estão se multiplicando em um ritmo mais acelerado, aumentando o risco de surtos.

Além disso, a gastroenterite viral aguda, frequentemente causada pelo rotavírus, é outra preocupação. Este vírus pode ser transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados, destacando a importância de medidas preventivas rigorosas para evitar sua disseminação.

Infecções fúngicas e parasitárias

O contato prolongado com água de alagamentos pode levar a infecções fúngicas, como as micoses. Estas são facilitadas pela umidade constante, especialmente se as pessoas não trocam de roupa molhada ou não mantêm uma boa higiene pós-exposição. A esporotricose, embora não diretamente relacionada à água, tem registrado surtos na região, exigindo um tratamento prolongado que pode durar mais de 30 dias.

Entre as doenças parasitárias, a ancilostomíase e a necatoríase são preocupações sérias. Estas parasitoses podem ser transmitidas pela água contaminada, transformando-se em sérios problemas de saúde pública se medidas preventivas não forem adotadas.

Medidas de prevenção e proteção

Para se proteger dos riscos associados aos alagamentos, o infectologista Alessandre Guimarães recomenda algumas medidas práticas. Por exemplo, usar sacos plásticos reforçados nos pés para evitar o contato direto com a água contaminada. Além disso, ele menciona a possibilidade de profilaxia medicamentosa em casos específicos de exposição, onde medicamentos antimicrobianos podem ser administrados preventivamente.

As vacinas também desempenham um papel crucial na prevenção. Existem vacinas contra a hepatite A, que pode ser transmitida por água e alimentos contaminados, e contra a dengue. Durante as chuvas intensas, a aglomeração de pessoas em locais secos pode aumentar a transmissão de doenças respiratórias, como a gripe, o que reforça a importância da vacinação.

Em conclusão, a prevenção e a conscientização são fundamentais para minimizar os riscos das doenças de veiculação hídrica em Belém. A população deve estar atenta e adotar medidas de proteção sempre que possível. Para mais informações sobre saúde e dicas de prevenção, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua e fique sempre bem informado.

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