Os dados mais recentes do IPS Brasil 2025 (Índice de Progresso Social) revelam um quadro alarmante para o Pará. O estado aparece com a maior concentração de municípios entre os piores índices de qualidade de vida do país, em um ranking dominado por cidades paraenses. Jacareacanga, Bannach, Trairão, Pacajá, Portel, São Félix do Xingu e Anapu estão entre as dez piores pontuações nacionais, evidenciando desigualdades profundas dentro do próprio estado.
Desafios do Pará para Melhorar a Qualidade de Vida
Entrevistados pelo Grupo Liberal apontam que o resultado é consequência de um modelo de desenvolvimento pouco inclusivo, baseado em atividades econômicas de baixo impacto social, forte informalidade, precariedade de serviços públicos e incapacidade de transformar riqueza em bem-estar. O IPS mede o bem-estar da população a partir de três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Diferentemente do PIB, o índice não mede produção econômica, mas sim a capacidade de um território transformar crescimento em qualidade de vida, dialogando diretamente com o conceito de desenvolvimento humano.
Impacto Econômico dos Baixos Índices de Qualidade de Vida
Apesar da relevância econômica e estratégica para o Brasil, o Pará apresenta resultados sociais muito abaixo da média nacional. Enquanto Belém registra pontuação acima da média brasileira no IPS, grande parte do interior permanece marcada por déficits históricos de infraestrutura, serviços públicos precários e baixa capacidade de gestão municipal.
Desafios para Atração de Investimentos e Desenvolvimento Econômico
Para o economista Genardo Oliveira, os baixos índices do IPS funcionam como um sinal de alerta para o mercado. Municípios como Jacareacanga, Bannach, Trairão, Pacajá e Portel enfrentam custos operacionais mais elevados pela precariedade social. A falta de mão de obra qualificada, logística precária e ausência de serviços básicos elevam o custo de produção, afastando investimentos e travando o desenvolvimento.
Impacto Social e Econômico da Exclusão
A relação entre indicadores sociais e mercado de trabalho é direta. Municípios com baixos indicadores sociais enfrentam déficit educacional, informalidade predominante e precariedade dos serviços básicos, o que limita a diversificação econômica e a geração de empregos formais.
Perspectivas para a Qualidade de Vida no Pará
Para a pesquisadora Auristela Correa Castro, os baixos resultados do Pará no IPS refletem escolhas estruturais de política pública ao longo do tempo. A falta de investimentos em áreas fundamentais gera um ciclo vicioso de pobreza e baixa qualidade de vida. É necessário repensar os modelos de desenvolvimento adotados, priorizando a inclusão social, a sustentabilidade ambiental e a diversificação da economia para garantir um desenvolvimento mais justo e sustentável para todos os paraenses.