Clube do Remo desmente planos de virar SAF

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Fábio Will
Fábio Will

Em um período de intensa movimentação nos bastidores, onde o Clube do Remo se empenha na formação do elenco para a temporada de 2026 e na busca por um técnico visando o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, a diretoria azulina viu-se na necessidade de emitir um posicionamento oficial. Rumores recentes, indicando que o clube estaria planejando se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), têm circulado, gerando discussões e especulações entre a torcida. O Leão Azul agiu rapidamente para esclarecer a situação, buscando afastar qualquer incerteza e garantir a tranquilidade do ambiente institucional. A comunicação do clube visa dissipar as informações que, segundo a gestão, têm o objetivo de tumultuar o trabalho focado em preparar o Remo para os desafios da Série A.

Negação oficial e posicionamento do clube

O Clube do Remo, através de uma nota divulgada em seu site oficial, negou veementemente as informações sobre uma suposta transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A diretoria azulina caracterizou as notícias como “irresponsáveis” e sem qualquer procedência, enfatizando que tais boatos visam exclusivamente perturbar o ambiente interno da instituição e desviar o foco dos objetivos esportivos e administrativos que estão sendo perseguidos com afinco. O posicionamento público do Leão Azul reforça o compromisso com a transparência e a manutenção de sua estrutura associativa atual, rechaçando qualquer cogitação de mudança para SAF. A gestão atual tem se dedicado à reestruturação e ao planejamento estratégico para o futuro do futebol remista, com foco no desempenho em campo e na estabilidade financeira, e vê as informações infundadas como um obstáculo a esse processo crucial.

O esclarecimento da diretoria

A diretoria do Clube do Remo fez questão de detalhar em sua comunicação que nunca houve qualquer estudo ou planejamento interno para a alteração de sua estrutura jurídica de clube associativo para SAF. A nota ressaltou que as “informações sem procedências estão circulando de forma irresponsável”, criando um cenário de desinformação no seio da comunidade azulina. O comunicado é claro ao afirmar que o objetivo dessas notícias falsas é “tumultuar o ambiente da instituição”, um cenário indesejado em um momento crucial de montagem de elenco e definição de comissão técnica para a Série A do Brasileiro. Este esclarecimento busca blindar o clube contra manipulações externas e assegurar que o foco permaneça nas prioridades esportivas e administrativas. A instituição reafirma sua identidade e a gestão atual se mantém firme na condução do clube sob o formato tradicional, priorizando a participação dos associados e a cultura que historicamente caracteriza o Leão Azul em sua rica trajetória.

Contexto histórico e visões anteriores

Embora a diretoria atual negue categoricamente os rumores sobre a adoção do modelo SAF, é importante notar que a ideia de uma transformação para Sociedade Anônima do Futebol não é completamente nova dentro do Clube do Remo. Em 2022, durante a gestão do então presidente Fábio Bentes, o clube chegou a contratar uma consultoria especializada para analisar a viabilidade e os impactos de uma potencial conversão para SAF. Esse estudo demonstrou uma preocupação da administração da época em explorar novas avenidas para a gestão e profissionalização do futebol, diante de um cenário nacional em que diversos clubes já começavam a migrar para esse formato. A iniciativa refletia uma busca por modernização e por modelos de negócios que pudessem garantir maior competitividade e sustentabilidade financeira a longo prazo, buscando entender as tendências emergentes no futebol brasileiro.

A análise de 2022 e a perspectiva de Fábio Bentes

O ex-presidente do Remo, Fábio Bentes, que atualmente preside o Conselho Deliberativo do clube, expressou publicamente em janeiro de 2022 sua visão sobre o futuro do futebol brasileiro, defendendo a transição para o modelo SAF como uma necessidade. Bentes argumentou que clubes que não se adaptarem a essa nova realidade correm o risco iminente de perder relevância e mercado no cenário esportivo nacional. Em suas palavras, divulgadas à época, “Eu acho que o futuro do futebol é que as equipes virem SAF. Não sei daqui a quantos anos, mas as equipes que não tiverem virado clube empresa vão perder mercado.” Ele traçou um paralelo histórico com a década de 1990, quando houve uma intensa profissionalização no futebol e o Remo, segundo ele, “ficou pra trás”, resultando em perdas significativas. Essa perspectiva sugere que a SAF não é apenas uma opção, mas uma evolução inevitável para a sobrevivência e sucesso dos clubes. O dirigente alertou para a urgência de uma mudança de mentalidade e estrutura, evitando que o Remo e outras instituições repitam erros do passado e garantam sua posição em um mercado cada vez mais competitivo e financeiramente exigente.

O futuro do futebol brasileiro e o modelo SAF

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) representa uma transformação significativa no panorama do futebol brasileiro, surgindo como um modelo de gestão empresarial que permite aos clubes separarem suas operações de futebol em uma pessoa jurídica própria, facilitando a captação de investimentos e a profissionalização. A Lei nº 14.193/2021, que instituiu a SAF, abriu caminho para que diversas equipes adotassem essa estrutura, buscando maior governança corporativa, transparência financeira e atração de capital externo. Clubes como Cruzeiro, Botafogo e Vasco da Gama já trilharam esse caminho, com variados graus de sucesso e desafios, evidenciando que a transição é complexa e exige planejamento meticuloso para adaptar-se às novas realidades do mercado.

Para os defensores da SAF, os benefícios são claros: maior capacidade de investimento em infraestrutura, contratação de jogadores e comissão técnica, redução de dívidas e uma gestão mais profissionalizada, menos suscetível a mudanças políticas internas. Contudo, críticos apontam para possíveis perdas de identidade cultural e tradicional dos clubes, o risco de decisões empresariais prevalecerem sobre o vínculo com a torcida e a possibilidade de descaracterização da paixão que move o futebol associativo. A escolha de um modelo de gestão é uma decisão estratégica que afeta profundamente o presente e o futuro de um clube de futebol, exigindo uma análise criteriosa de seus prós e contras, sempre com o olhar atento à sua história, sua torcida e seus objetivos de longo prazo. A discussão sobre a SAF no futebol brasileiro é, portanto, multifacetada, envolvendo aspectos financeiros, esportivos e culturais, e continuará a ser um tema central nas estratégias de desenvolvimento dos clubes, incluindo aqueles que optam por manter suas raízes associativas.

Fonte: https://www.oliberal.com

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