O estado do Pará poderá adicionar R$ 10,7 bilhões ao seu Produto Interno Bruto (PIB) em um período de cinco anos, além de gerar aproximadamente 52 mil novos postos de trabalho formais. Essa projeção otimista está atrelada à possível exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira. O levantamento foi realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), utilizando como base estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A estimativa considera a perfuração de um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, projeto que recebeu autorização do Ibama para pesquisa exploratória. Essa autorização reacendeu as expectativas em relação ao potencial econômico da Margem Equatorial, uma área que se estende do AP ao Rio Grande do Norte e é vista como uma nova fronteira para a exploração de petróleo e gás no país.
Em nível nacional, a produção de petróleo na Margem Equatorial tem o potencial de adicionar R$ 65 bilhões ao PIB brasileiro, criando 326 mil empregos formais e elevando a arrecadação indireta em R$ 3,87 bilhões. Especificamente para o Pará, o crescimento projetado de 6,2% no PIB considera a exploração de um poço com capacidade de produção de 100 mil barris por dia, a um preço médio de US$ 80 por barril e câmbio de R$ 4,93, conforme os parâmetros do plano estratégico da Petrobras para o período de 2025–2029.
O impacto econômico do projeto deverá se estender a diversos setores da economia paraense. As indústrias extrativas devem liderar com um incremento estimado de R$ 14,9 bilhões, seguidas pela indústria de transformação (R$ 1,12 bilhão), transporte e armazenagem (R$ 1 bilhão) e serviços diversos (R$ 1,5 bilhão). Outros segmentos, como comércio (R$ 642 milhões), atividades imobiliárias (R$ 401 milhões), serviços financeiros (R$ 313 milhões) e construção civil (R$ 246 milhões), também devem se beneficiar.
A Margem Equatorial é considerada uma das áreas mais promissoras do Atlântico Sul, devido à semelhança geológica com as bacias da Guiana e do Suriname. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o avanço das pesquisas na Foz do Amazonas pode representar um novo “pré-sal” para o Brasil, ampliando a produção energética e a competitividade do país no setor de petróleo e gás.
O economista Genardo Oliveira estima que a exploração na Margem Equatorial pode gerar uma renda total de R$ 175 bilhões para o Brasil ao longo de 25 anos, com R$ 106 bilhões sendo arrecadados em impostos federais, estaduais e municipais. O ICMS, incidente sobre a comercialização do petróleo e seus derivados, e os royalties devem impulsionar a arrecadação.
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) esclareceu que ainda não é possível estimar valores de royalties a serem repassados a estados e municípios da Margem Equatorial, incluindo o Pará. Atualmente, os blocos localizados em águas profundas e ultraprofundas da região ainda se encontram na fase de exploração, que é o primeiro estágio dos contratos firmados com as empresas petrolíferas.
Nélio Bordalo, membro do Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá (Corecon PA/AP), avalia que o estado dispõe de uma base portuária relevante, mas que ainda não está totalmente preparada para absorver o volume de investimentos e operações que o setor exigirá. Ele ressalta a necessidade de investimentos em logística, energia, telecomunicações, transporte multimodal e programas de formação técnica, para que o estado possa ocupar um papel central na cadeia produtiva.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Alex Carvalho, afirma que os números revelam o potencial transformador que a exploração de petróleo pode ter para a economia local, criando um ciclo de desenvolvimento sustentado.
Fonte: www.oliberal.com