O estado do Pará alcançou um marco significativo na luta contra o tráfico de drogas e o crime organizado, com a apreensão de mais de 4,7 toneladas de entorpecentes no primeiro semestre de 2026. Os dados, divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) por meio da Secretaria-Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac), refletem uma estratégia robusta que combina investimentos em tecnologia, inteligência e uma atuação integrada das forças de segurança estaduais.
Essa performance é vista como a continuidade de um trabalho que vem sendo aprimorado ao longo dos últimos sete anos, resultando em prejuízos substanciais para as redes criminosas que atuam na região. A eficácia das operações não se limita apenas ao volume de apreensões, mas também à manutenção de índices positivos de criminalidade, reforçando a presença policial e a capacidade de resposta rápida às ocorrências.
Investimentos Estratégicos e Tecnologia no Combate ao Tráfico
A estratégia de segurança pública do Pará tem como pilar fundamental o investimento contínuo em recursos tecnológicos e humanos. Equipamentos de alta tecnologia, como scanners portáteis de raio-X, são empregados pela Polícia Civil para detectar materiais entorpecentes ocultos em objetos e veículos, agilizando as investigações e aumentando a taxa de sucesso nas abordagens.
Além disso, a atuação das agências de inteligência é crucial, com a qualificação de agentes e a promoção da integração entre as diversas unidades policiais, facilitando a troca de informações estratégicas com outros estados brasileiros. O estado também fortaleceu sua capacidade operacional com a aquisição de lanchas rápidas, incluindo seis modelos blindados, essenciais para o patrulhamento da vasta malha fluvial paraense, uma rota frequentemente utilizada pelo tráfico.
Ações Integradas e o Impacto no Crime Organizado
A integração das forças de segurança é um diferencial na abordagem multifacetada contra o crime. Polícias Militar e Civil atuam em conjunto em diversas frentes, realizando fiscalizações intensivas nas rodovias paraenses. Abordagens a veículos de passeio, caminhões de carga e ônibus de transporte intermunicipal e interestadual visam interceptar carregamentos de drogas e prender indivíduos conhecidos como “mulas”, que transportam entorpecentes em suas bagagens.
No ambiente hidroviário, a implantação de Bases Fluviais Integradas, como a “Antônio Lemos” no Arquipélago do Marajó, a “Candiru” no estreito de Óbidos e a recém-instalada “Baixo Tocantins” em Abaetetuba, intensificou as ações de fiscalização. Essas bases estratégicas permitem abordagens diárias a embarcações e navios, interceptando rotas importantes do tráfico, especialmente aquelas que se conectam com o Amazonas e o Amapá.
O delegado-geral de Polícia Civil, Raimundo Benassuly, ressalta que o trabalho da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) vai além da apreensão, focando na identificação e descapitalização de grupos criminosos. O objetivo é retirar o aparato financeiro dos envolvidos, impedindo que financiem novos carregamentos. Para isso, a Polícia Civil, em parceria com o Ministério Público e o Poder Judiciário, utiliza medidas assecuratórias como o sequestro de valores bancários e o perdimento de veículos e imóveis adquiridos com o lucro do tráfico.
Números Expressivos e o Prejuízo Milionário
Os resultados alcançados pelo Pará demonstram uma escalada no combate ao tráfico. Em 2025, o estado registrou a maior apreensão de drogas de sua história, totalizando 16,8 toneladas. Comparativamente, entre 2015 e 2018, o volume apreendido foi de aproximadamente 11,4 toneladas, evidenciando um salto significativo nos últimos anos. Nos primeiros seis meses de 2026, as 4.084,5918 kg de entorpecentes apreendidos (somando cocaína e maconha) já representam uma parcela considerável do total anual.
Desde 2024 até o momento, as operações das forças de segurança do Pará causaram um prejuízo financeiro estimado em R$ 445.446.334,00 ao crime organizado. Esse valor reflete não apenas o volume de drogas retiradas de circulação, mas também a desarticulação das estruturas financeiras que sustentam essas atividades ilícitas.
O Papel da Inteligência e da Comunidade
O diretor da Denarc, delegado Davi Cordeiro, destaca que o combate ao tráfico ocorre diariamente, seja em grandes ou pequenas apreensões, atingindo desde o traficante local até as grandes organizações. A colaboração da sociedade é fundamental, por meio de canais como o Disque-Denúncia 181 da Segup e o WhatsApp da Iara (091 3210-0181), que permitem coletar informações valiosas para compreender o modus operandi dos grupos criminosos.
Além disso, o Batalhão de Ações com Cães da Polícia Militar investe na criação e treinamento de animais farejadores, que são peças-chave nas ações de detecção de drogas. A maternidade canina do estado reproduz suas próprias matrizes, garantindo cães altamente especializados para o combate ao tráfico.
As informações apresentadas nesta matéria são baseadas em dados divulgados por autoridades competentes. O caso pode receber atualizações conforme o avanço das investigações.
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