A terceira fase da Operação Escudo Feminino, uma iniciativa crucial no combate à violência de gênero no Pará, foi concluída com um balanço significativo: 40 pessoas foram presas e mais de mil mulheres receberam atendimento em todo o estado. Entre os resultados mais impactantes, destaca-se o resgate de uma mulher que era mantida em cárcere privado, vítima de violência doméstica, no município de Parauapebas. A ação reforça o compromisso das forças de segurança em proteger as paraenses e responsabilizar agressores.
Desde o seu lançamento, a operação tem se consolidado como um pilar na política estadual de proteção à mulher, demonstrando a importância da atuação integrada entre as diversas instituições. Os números da mais recente fase, somados às edições anteriores, sublinham a persistência e a gravidade do problema da violência contra a mulher, mas também a efetividade das respostas dadas pelas autoridades.
Ações Integradas e Resultados Abrangentes
A Operação Escudo Feminino III, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), mobilizou um vasto aparato de segurança, incluindo a Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Científica e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), além de outros órgãos da rede de proteção. O objetivo foi intensificar o acompanhamento de medidas protetivas, ampliar o atendimento às vítimas e garantir a responsabilização dos autores de violência.
Ao longo da operação, foram realizados 2.259 procedimentos operacionais, que resultaram em 40 prisões e 1.152 atendimentos diretos a mulheres. O Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) desempenhou um papel fundamental, monitorando as ações em tempo real e assegurando uma resposta rápida e coordenada às ocorrências em todo o Pará.
A Polícia Científica do Pará contribuiu com 51 procedimentos periciais, abrangendo exames de lesão corporal, sexologia forense, perícias em locais de crime e análises digitais, fornecendo suporte técnico essencial às investigações. Paralelamente, a Seap reforçou o monitoramento de indivíduos sob tornozeleira eletrônica e o acompanhamento de agressores com medidas restritivas, visando prevenir novas violências.
O titular da Segup, coronel PM Ed-lin Anselmo, ressaltou que os resultados alcançados são um reflexo do fortalecimento da política permanente de proteção às mulheres. “A Operação Escudo Feminino consolida uma atuação integrada das forças de segurança e da rede de proteção para ampliar o atendimento, acompanhar medidas protetivas e agir rapidamente diante de situações de risco. Mais do que números, estamos falando de vidas protegidas e de respostas efetivas para interromper ciclos de violência”, afirmou.
O Resgate Dramático em Parauapebas
Um dos casos mais emblemáticos da terceira fase da operação foi o resgate de uma mulher em Parauapebas, que era mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro. A ocorrência foi descoberta durante visitas de fiscalização e acompanhamento de medidas protetivas de urgência.
A equipe da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Parauapebas, com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, recebeu informações cruciais que levaram à localização da vítima. Inicialmente, os agentes foram ao endereço cadastrado para o acompanhamento da medida protetiva, onde a mãe da vítima relatou estar sem contato com a filha desde o dia 10 de junho e suspeitava que ela estivesse na residência do ex-companheiro.
Ao chegar ao imóvel indicado, o suspeito fugiu. A vítima foi encontrada com sinais visíveis de agressões físicas e relatou que estava impedida de sair da casa há aproximadamente uma semana. Durante esse período, ela foi submetida a agressões e ameaças constantes, tendo sido impedida de deixar a residência na noite anterior ao resgate, mediante violência e intimidação. A mulher recebeu acolhimento e escuta especializada no local, sendo posteriormente encaminhada para atendimento médico e registro da ocorrência. O suspeito segue sendo procurado pelas autoridades.
O delegado-geral da Polícia Civil, Raimundo Benassuly, destacou a prioridade no atendimento à vítima. “No momento em que a equipe da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Parauapebas chegou ao local, o foco foi garantir o atendimento imediato à vítima, que estava muito machucada e debilitada. Foi realizado o acolhimento e a escuta especializada. Apesar da fuga do suspeito, as diligências seguem de forma ininterrupta, para localizá-lo e efetuar a prisão”, informou.
Compromisso Governamental e Mensagem aos Agressores
A governadora Hana Ghassan, que lançou a operação, enfatizou a seriedade da situação e a importância da atuação conjunta das forças de segurança. Ela garantiu que o estado não tolerará a violência contra a mulher, enviando uma mensagem clara aos agressores.
“A Polícia Civil resgatou uma mulher mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro em Parauapebas. Ela foi encontrada presa, com sinais de agressão, em um cômodo da casa do agressor. Ele já foi identificado e está sendo procurado. Casos como esse mostram a importância de mudarmos este cenário. E eu garanto: nós vamos mudar. Quem cometer esse crime no nosso estado vai responder com o rigor da lei. No Pará, agressor de mulher não vai ter um dia de paz”, declarou a governadora.
Desde o início de suas três fases, em 16 de abril, a Operação Escudo Feminino já totalizou mais de 100 prisões e cerca de 4.752 mil mulheres atendidas em ações de acolhimento, proteção e fiscalização. Esses números reforçam a efetividade da atuação integrada no enfrentamento à violência de gênero e o compromisso do governo em proteger as mulheres paraenses.
A luta contra a violência doméstica e de gênero é uma prioridade constante, e operações como a Escudo Feminino são essenciais para garantir que as vítimas encontrem apoio e que os agressores sejam responsabilizados. Para mais informações sobre canais de denúncia e apoio, acesse o Ligue 180, serviço de utilidade pública do governo federal.
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As informações apresentadas nesta matéria são baseadas em dados divulgados por autoridades competentes. O caso pode receber atualizações conforme o avanço das investigações.