O julgamento do caso Henry Borel, que tramita no 2° Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, alcançou nesta terça-feira (2) o seu nono dia de atividades. O processo tornou-se um marco no sistema judiciário fluminense por sua extensão, superando o tempo de duração do julgamento da ex-deputada Flordelis, ocorrido em 2022. A complexidade do caso e a quantidade de depoimentos colhidos ao longo das sessões evidenciam a magnitude da apuração sobre a morte da criança de 4 anos, ocorrida em março de 2021.
A conclusão da fase de depoimentos
Após a oitiva de 22 testemunhas desde o início dos trabalhos, em 25 de maio, o tribunal encerrou a etapa de instrução probatória. O último depoimento foi prestado pelo médico Jeferson Evangelista Correa, arrolado pela defesa de Jairo Souza Santos Júnior. O acusado, conhecido como Dr. Jairinho, responde pelo crime ao lado de Monique Medeiros, mãe da criança. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o menino faleceu em decorrência de uma laceração hepática causada por ação contundente, com a suposta omissão da genitora.
Interrogatórios e a dinâmica dos réus
A fase atual do julgamento foca nos interrogatórios dos acusados. Por decisão judicial, Monique Medeiros prestou depoimento antes de Jairinho, permitindo que a defesa do ex-vereador pudesse estruturar seus questionamentos com base nas declarações apresentadas. Durante o ato, os réus são submetidos a perguntas da magistrada Elizabeth Machado Louro, do Ministério Público e da assistência de acusação, que representa o pai da vítima, Leniel Borel. É importante ressaltar que, por norma processual, um réu não acompanha o depoimento do outro para garantir a imparcialidade das versões apresentadas.
Debates e o veredito do conselho de sentença
A partir de quarta-feira (3), o tribunal entra na fase de debates, momento em que acusação e defesa apresentam suas teses finais aos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença. O rito prevê tempos específicos para explanações, réplicas e tréplicas, garantindo o contraditório. Após as exposições, os jurados — formados por cinco homens e duas mulheres — podem solicitar esclarecimentos adicionais sobre os autos ou instrumentos periciais antes de se retirarem para a votação sigilosa.
O isolamento dos jurados e a reta final
Para assegurar a integridade do julgamento, os jurados permanecem incomunicáveis desde o início das sessões. Eles estão proibidos de manter contato com terceiros, acessar redes sociais ou consumir notícias relacionadas ao caso, sendo mantidos sob vigilância em alojamento próprio do tribunal durante os intervalos e pernoites. A expectativa das autoridades é que o veredito seja proferido entre quarta (3) e quinta-feira (4), encerrando um dos capítulos mais acompanhados pela opinião pública recente no país. As informações apresentadas nesta matéria são baseadas em dados divulgados por autoridades competentes. O caso pode receber atualizações conforme o avanço das investigações.
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