A Polícia Civil do Pará deflagrou, nesta semana, a Operação D20, uma ação estratégica voltada para desarticular um esquema de tráfico de entorpecentes em larga escala na região de Santarém, no oeste do estado. A investigação, conduzida pela 16ª Seccional Urbana, revelou uma trama complexa que envolve o transporte de quase uma tonelada de drogas camuflada em carregamentos de móveis planejados, além da participação inesperada de agentes de segurança pública.
Até o momento, a operação resultou na prisão de dois suspeitos, enquanto outros três permanecem foragidos. O trabalho investigativo ganhou corpo após um suposto roubo de carga ocorrido em abril, que acabou expondo a verdadeira natureza do material transportado. O caso acende um alerta sobre as rotas de tráfico que utilizam o modal fluvial e rodoviário entre o Amazonas e o Pará, utilizando disfarces comerciais para burlar a fiscalização.
A dinâmica do crime e o disfarce nos móveis planejados
De acordo com as autoridades, a carga de entorpecentes teve origem em Manaus e chegou a Santarém acondicionada em caixas de madeira que simulavam uma entrega regular de móveis planejados. A estratégia visava dar uma aparência de legalidade ao transporte, facilitando a circulação da mercadoria ilícita por portos e estradas da região.
A diretora da 16ª Seccional da Polícia Civil, delegada Raíssa Beleboni, detalhou que a droga estava meticulosamente escondida dentro das estruturas de madeira. Durante as diligências da Operação D20, os agentes conseguiram apreender cerca de 30 dessas caixas, que serviam como compartimentos falsos. A sofisticação do método indica uma organização criminosa com logística estruturada e recursos para simular operações comerciais legítimas.
O caso começou a ser desvendado no dia 11 de abril, quando um motorista de frete relatou ter sido rendido por homens armados e encapuzados no bairro Área Verde. Os criminosos levaram a caminhonete D20 carregada com o que, inicialmente, acreditava-se ser apenas mobiliário avaliado em R$ 100 mil. No entanto, o abandono do veículo e a posterior localização de tabletes de maconha tipo skank em um ramal da comunidade Estrada Nova mudaram o rumo das apurações.
Investigação aponta envolvimento de agentes de segurança
Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a identificação de dois agentes de segurança pública entre os suspeitos de participação no crime. Segundo a Polícia Civil, um desses agentes já foi detido preventivamente, enquanto o segundo permanece foragido. A presença de profissionais do setor de segurança no esquema levanta questionamentos sobre o uso de informações privilegiadas ou facilitação logística.
O superintendente da Polícia Civil do Baixo Amazonas, delegado Jardel Guimarães, informou que a operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão. “Durante o curso das investigações, infelizmente constatou-se que a carga era algo em torno de quase uma tonelada de drogas”, afirmou o delegado, ressaltando a gravidade do volume de entorpecentes movimentado pelo grupo.
A polícia ainda trabalha para confirmar se os agentes envolvidos atuaram valendo-se de suas funções ou se a prática criminosa ocorreu de forma alheia ao cargo ocupado. Além das prisões, foram apreendidos celulares, notebooks e equipamentos de monitoramento que passarão por perícia técnica para identificar outros possíveis integrantes da rede de tráfico.
Busca por foragidos e próximos passos da Operação D20
Apesar do sucesso inicial das prisões, a Polícia Civil mantém as buscas por três investigados que já possuem mandados de prisão expedidos e são considerados foragidos da Justiça. Os nomes divulgados pelas autoridades são:
- Leomar Alessandro Jati Leal
- Ricardo Júnior Maia da Costa
- Uderlei Oliveira da Silva
A colaboração da população é considerada fundamental para a localização desses indivíduos. Informações podem ser repassadas de forma anônima através do Disque Denúncia. A continuidade do inquérito policial busca agora mapear o destino final da droga e identificar os financiadores do esquema, que movimentava valores milionários no mercado ilegal.
Este caso reforça a importância de operações integradas e da vigilância constante nas rotas que ligam os estados do Norte do Brasil. A apreensão de quase uma tonelada de drogas representa um prejuízo significativo para o crime organizado e demonstra a capacidade investigativa da polícia local em desvendar crimes complexos que tentam se esconder sob a fachada de atividades cotidianas.
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