A Polícia Civil do Pará efetuou, na última terça-feira (26), a prisão de Adriane Chagas Gonçalves, conhecida no meio criminal como Drika Gonçalves. Ela é apontada como uma das principais articuladoras de um assalto vultoso contra uma joalheria localizada no bairro do Comércio, em Belém, ocorrido no mês de abril. A suspeita, que estava foragida desde a identificação oficial pelo serviço de inteligência, apresentou-se à Divisão de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) após o cerco policial se fechar em torno de seus esconderijos.
O disfarce e a dinâmica do crime no centro de Belém
O crime, que chocou o setor comercial da capital paraense pela audácia e planejamento, aconteceu no dia 22 de abril. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o grupo criminoso, composto por pelo menos quatro pessoas, utilizou uma estratégia de infiltração sofisticada: eles trajavam vestimentas táticas semelhantes às fardas oficiais da instituição policial para simular o cumprimento de um mandado judicial.
Durante a ação, Adriane teria desempenhado um papel central na encenação, apresentando-se falsamente como delegada de polícia para neutralizar a reação de funcionários e clientes. Enquanto ela mantinha o controle psicológico das vítimas, os demais comparsas realizavam a limpa nas vitrines e cofres. O prejuízo estimado pelo estabelecimento gira em torno de R$ 500 mil em joias e metais preciosos, embora o impacto logístico e a violência empregada elevem a gravidade do caso para o patamar de crime de grande repercussão.
Câmeras de segurança e o erro fatal do celular
A identificação de “Drika” foi facilitada por dois fatores cruciais. Diferente de seus comparsas, que utilizaram balaclavas para esconder o rosto, a mulher agiu de rosto limpo, confiando no disfarce de autoridade. Imagens do circuito interno de segurança registraram o momento em que ela, armada, rendia o proprietário da joalheria, que estava com as mãos atadas sob ameaça constante.
Além do registro visual, um erro técnico da quadrilha selou o destino da investigada. Durante a fuga, o grupo abandonou o veículo utilizado no crime no bairro do Jurunas. Dentro do automóvel, os agentes da DRFR encontraram o aparelho celular de Adriane. A perícia técnica no dispositivo revelou conexões, endereços e comunicações que permitiram à polícia mapear os passos da suspeita e de seus aliados nos dias subsequentes ao roubo.
Cerco policial e a rendição em Icoaraci
Com o mandado de prisão preventiva expedido, a Polícia Civil iniciou um monitoramento rigoroso em diversos endereços ligados à suspeita, com foco especial no distrito de Icoaraci, onde informações de inteligência indicavam que ela estaria homiziada. A pressão das diligências constantes e a proximidade de uma operação de captura iminente levaram a defesa de Adriane a negociar sua apresentação.
A entrega ocorreu no exato momento em que equipes táticas se preparavam para invadir o local onde ela se escondia. Em depoimento oficial na delegacia, a mulher confessou sua participação no assalto, detalhando parte da logística do grupo. Após os procedimentos legais, ela foi transferida para o sistema penitenciário do estado, onde aguardará o julgamento pelos crimes de roubo majorado e associação criminosa.
Desdobramentos e a rede criminosa interestadual
A prisão de Adriane é considerada uma peça-chave para encerrar o ciclo de investigações sobre este caso específico. Outros três integrantes da quadrilha já haviam sido retirados de circulação em operações anteriores: Adilson Neto, José Denilson (localizado em Santa Catarina, indicando a ramificação interestadual do grupo) e Leonardo Soares, que foi baleado durante o confronto no momento de sua captura.
A Polícia Civil agora trabalha para localizar o restante do material roubado e identificar se houve a participação de informantes que facilitaram o acesso à joalheria. O caso reforça o alerta para comerciantes sobre protocolos de segurança e a importância da verificação de credenciais em operações policiais, visando coibir a ação de falsários.
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