Imagens de câmeras de segurança revelaram os momentos de tensão e desespero vivenciados durante o socorro à terapeuta Gabriela Moura, de 31 anos, em uma clínica de reprodução humana na Zona Sul de São Paulo. O caso, ocorrido em 17 de fevereiro de 2026, culminou na morte da paciente sete dias após sua internação em um hospital da capital paulista. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do óbito, tratando-o como morte suspeita, com o objetivo de determinar se houve falha na assistência médica durante a coleta de óvulos.
O socorro e a suspeita de falha na assistência
Os registros em vídeo mostram o marido da vítima, o médico Samuel Moura, acompanhando o atendimento emergencial dentro da Clínica Genics. Segundo relatos de Samuel à imprensa, Gabriela já estava entubada e sob cuidados de uma equipe composta por anestesista, ginecologista e socorristas quando foi transferida para a ambulância. O marido suspeita que tenha ocorrido uma demora por parte do anestesista, Nestor Turner, em identificar a parada cardiorrespiratória da esposa.
Em depoimento, Samuel afirmou ter recebido informações de que Gabriela teria permanecido por cerca de 15 minutos sem oxigenação cerebral antes da retomada dos batimentos. Esse período de hipóxia teria causado danos irreversíveis, levando ao quadro de encefalopatia anóxica e hipertensão intracraniana, conforme apontado pelo prontuário médico do Hospital Sírio-Libanês, para onde a paciente foi transferida.
Versões dos profissionais e apuração policial
O anestesista Nestor Turner, de 72 anos, declarou às autoridades que seguiu todos os protocolos de reanimação, incluindo massagem cardíaca e uso de adrenalina. Ele sustentou que os equipamentos de monitoramento estavam operantes e que tentou ventilar a paciente durante o procedimento. Por sua vez, a ginecologista Aline Nogueira afirmou que a coleta transcorreu sem intercorrências ginecológicas e que foi acionada pelo anestesista apenas quando notou a alteração na coloração da paciente.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as oitivas com os profissionais envolvidos foram concluídas. Atualmente, a autoridade policial aguarda o laudo necroscópico e o exame toxicológico, ambos sob responsabilidade do Instituto Médico Legal (IML), para fundamentar a investigação conduzida pelo 4º Distrito Policial (Consolação). A família de Gabriela, que era uma pessoa ativa e sem comorbidades conhecidas, busca respostas sobre como um procedimento eletivo resultou em uma tragédia.
Contexto de segurança em procedimentos de reprodução
O caso de Gabriela Moura integra uma série de preocupações sobre a segurança em clínicas de reprodução assistida, sendo comparado por autoridades ao falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, ocorrido em maio de 2026, também após uma coleta de óvulos no interior de São Paulo. A Clínica Genics, em nota oficial, defendeu a segurança dos protocolos de fertilização in vitro (FIV), ressaltando que complicações graves são eventos raros na prática médica.
A instituição afirmou que a paciente passou por avaliação prévia e foi considerada apta para o procedimento. Enquanto a investigação segue, a família de Gabriela, que doou seus órgãos, tenta lidar com o luto e a busca por justiça. O Portal Pai D’Égua continua acompanhando o desenrolar deste caso e os desdobramentos das perícias técnicas, mantendo o compromisso de levar aos nossos leitores informações apuradas e relevantes sobre temas de interesse público.