A riqueza cultural da Amazônia brasileira desembarca no Rio de Janeiro com a chegada da exposição ‘Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos’, do renomado fotógrafo, cineasta e documentarista Alexandre Baena. A mostra, que narra a extraordinária festividade do Sairé, realizada anualmente na Vila de Alter do Chão, em Santarém, no Pará, será lançada nesta sexta-feira (15) de 2026, às 16h, na Pontifícia Universidade Católica (PUC Rio).
A iniciativa reforça o compromisso com o fortalecimento dos laços culturais brasileiros, da arte, da religiosidade e das tradições ancestrais. Após uma bem-sucedida itinerância por diversas regiões do país em 2025, e uma passagem por São Paulo este ano, a exposição agora encanta o público carioca, levando a magia e o simbolismo do Sairé a um dos mais importantes centros acadêmicos do Brasil.
A Essência do Sairé: Fé, Lenda e Tradição
O Sairé é uma manifestação cultural e religiosa que transcende o tempo, com mais de 300 anos de história. A festividade, que tem suas raízes na Vila de Alter do Chão, é um louvor à Santíssima Trindade, incorporando elementos da natureza e da tradição paraense. A exposição de Alexandre Baena mergulha nessa dualidade, apresentando tanto o lado sagrado quanto o profano da celebração.
No aspecto religioso, o rito é marcado pela forte presença de povos tradicionais, incluindo ribeirinhos, quilombolas e indígenas Boraris. Cenas como a colocação dos mastros, as rezas e os cânticos de louvor são retratadas com traços expressivos, evidenciando a profunda conexão desses povos com a fé católica e suas tradições ancestrais. Em São Paulo, a abertura da mostra no Museu de Arte Sacra foi inclusive marcada pela apresentação do rito religioso, com uma comitiva da Corte do Sairé, mesclando fé e tradições indígenas.
Paralelamente, a mostra explora o lado profano da festividade, protagonizado pela lenda encantada dos botos Cor de Rosa e Tucuxi. A disputa entre essas agremiações é um momento de grande emoção e identidade para a população local, que valoriza a história e a cultura amazônica. As indumentárias, as cores vibrantes e a presença dos povos tradicionais são elementos centrais que ganham vida nas telas do artista, revelando a riqueza de enredos que homenageiam as raízes de Alter do Chão.
O Olhar de Alexandre Baena: Arte e Preservação
Com curadoria e assinatura do próprio Alexandre Baena, a exposição ‘Sairé’ é uma proposta que destaca a preservação e a valorização das tradições que moldam a identidade do festival. O artista consegue capturar a essência de um momento de conexão com o rito religioso, que vai além do que os olhos podem ver, convidando o público a uma imersão profunda na cultura paraense.
Baena ressalta a mensagem intrínseca dos povos originários, que se torna bem perceptível em suas obras. Ele destaca a necessidade urgente da preservação do meio ambiente e da coexistência harmoniosa entre a biodiversidade. “A narrativa apresentada na exposição, nós fazemos uma reflexão na história do boto, animal que é protegido pelos Encantados, e que é trazido à vida, e aqui com um olhar não literal ao que é apresentado, você tem, claramente, essa forte mensagem de preservação do meio ambiente, do ecossistema e da vida ancestral”, afirma o fotógrafo.
Essa perspectiva ecológica e ancestral confere à exposição um caráter não apenas artístico, mas também educativo e de conscientização, dialogando com questões contemporâneas sobre sustentabilidade e respeito à natureza, temas de grande relevância para a PUC Rio, que se destaca em áreas como sustentabilidade e cultura.
Itinerância e Alcance Nacional da Exposição Sairé
A exposição ‘Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos’ tem percorrido o Brasil, levando a cultura amazônica a um público diversificado. Em 2025, a mostra iniciou sua jornada por Brasília, no Senado Federal e no Museu Nacional da República (como parte do 4º Fórum Internacional sobre a Amazônia – FIA da Universidade de Brasília). Seguiu para Curitiba (Universidade Federal do Paraná), Belo Horizonte (CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais), Salvador (Museu Eugênio Teixeira Leal), Manaus (Centro Cultural Palácio da Justiça), Belém do Pará (Galeria Fidanza – Museu de Arte Sacra) e Santarém (Centro Cultural João Fona e Casa Santarém em Alter do Chão), durante a própria festividade do Sairé.
Este ano de 2026, a exposição retorna ao circuito nacional em grandes centros, com passagens por São Paulo (onde a cerimônia de abertura contou com a presença de rainhas e botos Tucuxi e Cor de Rosa, em conjunto com a Festa do Divino de Mogi das Cruzes) e agora no Rio de Janeiro, na PUC Rio, antes de retornar a Belém. Essa ampla itinerância demonstra o reconhecimento da importância cultural do Sairé e do trabalho de Alexandre Baena.
Legado Cultural e Apoio à Arte Amazônica
Alexandre Baena, que em 2026 completa 41 exposições em suas itinerâncias pelas cinco regiões brasileiras, é um defensor incansável da cultura amazônica. Seus projetos anteriores incluem documentações sobre a Marujada de Bragança, o Festribal de Juruti, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e a exposição ‘Juruti – Terra Munduruku e Muirapinima’, apresentada na Green Zone da COP30 em Belém, em 2025. Atualmente, ele também exibe ‘Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral’ em São Paulo.
A realização da exposição ‘Sairé’ conta com o patrocínio da Prefeitura de Santarém, do mandato do Deputado Federal Henderson Pinto, do Governo do Estado do Pará (através do Banpará, SECULT PA, SETUR PA), e o apoio do mandato do Senador Jader Barbalho, com a produção da MAB Comunicação. Esse suporte é fundamental para que a cultura amazônica alcance novos públicos e continue a ser valorizada em todo o território nacional.
A exposição é mais do que uma mostra de imagens; é um diálogo cultural que convida visitantes de todas as idades, estudantes, turistas e profissionais a se conectarem com a beleza e a profundidade de uma das mais belas manifestações seculares do Pará e do Brasil. Para mais informações sobre eventos culturais e notícias relevantes, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua, sua fonte de informação atualizada e contextualizada sobre o que acontece no Brasil e no mundo.