O projeto ReinserCão, uma iniciativa da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), tem se destacado como um modelo de integração entre políticas de bem-estar animal e estratégias de reintegração social. Desenvolvido na Unidade de Custódia e Reinserção do Coqueiro (UCRC), o programa oferece um novo destino a cães resgatados em situação de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que proporciona aos custodiados uma oportunidade de aprendizado e transformação pessoal por meio do cuidado diário com os animais.
Estrutura e funcionamento do projeto no sistema prisional
O funcionamento do ReinserCão baseia-se em uma parceria estratégica com a Prefeitura de Belém. O Centro de Controle de Zoonoses de Belém atua na linha de frente, realizando o resgate, a triagem e os primeiros atendimentos veterinários dos animais. Após essa etapa inicial, os cães são encaminhados ao canil estruturado dentro da unidade prisional, onde recebem cuidados contínuos.
No ambiente do canil, os animais passam por um protocolo rigoroso que inclui vacinação, vermifugação, higienização e adestramento. Este trabalho é realizado com a participação direta dos custodiados, que auxiliam no manejo e na socialização dos cães. A rede municipal de saúde animal também colabora, garantindo o suporte necessário para procedimentos cirúrgicos, como a castração, essencial para o controle populacional e a saúde dos pets.
O marco da primeira adoção e o compromisso com o bem-estar
A cadela Shakira tornou-se o símbolo do sucesso do projeto ao ser a primeira a ser oficialmente adotada. Sua história, marcada por um resgate na sede da Seap e um tratamento de saúde complexo que incluiu uma mastectomia, sensibilizou a servidora Clarisse Ferreira Quaresma, que já acompanhava a evolução da cadela. O caso ilustra o rigor do processo de adoção, que não termina com a entrega do animal.
A coordenadora do projeto, Roberta Reis Ramos, enfatiza que a adoção responsável exige uma análise criteriosa do perfil do adotante. O processo envolve entrevistas, avaliação das condições do lar e a assinatura de um termo de responsabilidade. Além disso, o projeto mantém o acompanhamento pós-adoção, garantindo que animais que necessitam de continuidade em tratamentos clínicos, como é o caso de Shakira, recebam todo o suporte logístico e veterinário necessário.
Impacto na ressocialização e perspectiva futura
Para os internos que participam do projeto, como Rafael Borges Marino, a experiência vai muito além do cumprimento da pena. O contato com os animais desperta sentimentos de afeto e responsabilidade, elementos fundamentais para o processo de ressocialização. O vínculo criado no canil reflete o impacto positivo que a interação com seres vivos pode exercer sobre a saúde mental e a perspectiva de futuro dos custodiados.
Atualmente, o projeto mantém sete cães prontos para encontrar um novo lar: Antônio Bandeiras, Bosquinho, Black, Leonardo, Julie, Hope e Salsicha. Todos os animais estão microchipados, castrados e vacinados. Para saber mais sobre como apoiar ou participar dessa corrente de solidariedade, continue acompanhando as atualizações do Portal Pai D’Égua, seu compromisso diário com informações relevantes e transformadoras para a sociedade paraense.
Para mais detalhes sobre as políticas públicas de proteção animal, consulte o portal oficial da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.