Conciliar a maternidade, as responsabilidades do lar, o trabalho e os estudos é um desafio hercúleo para muitas mulheres. No Pará, essa realidade, frequentemente marcada pela necessidade de priorizar a família e a subsistência, tem encontrado um novo caminho graças a iniciativas do Governo do Estado. Programas como a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o EJA Técnico e o Forma Pará estão se tornando pilares para que mães paraenses não apenas retomem seus estudos, mas também concretizem sonhos e construam novos projetos de vida.
Essas políticas públicas, que ganham destaque especialmente em datas como o Dia das Mães, representam mais do que uma segunda chance; são um convite à transformação. Elas reconhecem as barreiras enfrentadas por essas mulheres e oferecem estruturas e flexibilidade que permitem conciliar as múltiplas jornadas, provando que a idade ou o tempo de afastamento da sala de aula não são impedimentos para o aprendizado e o desenvolvimento pessoal e profissional.
A Força da EJA: Histórias de Superação e Recomeço
A trajetória de Edilma Silva, uma dona de casa de 60 anos, é um testemunho vivo do poder transformador da educação. Após 42 anos longe das carteiras escolares, Edilma decidiu, com coragem e determinação, retornar à sala de aula por meio da EJA. Mãe de três filhos, ela teve sua vida escolar interrompida ainda na adolescência, aos 17 anos, quando engravidou de seu primeiro filho. Hoje, Edilma já concluiu o Ensino Fundamental na Escola Palmira Gabriel e, atualmente, cursa o Ensino Médio na Escola Justo Chermont, a mesma instituição onde iniciou seus estudos na juventude.
Sua história ressoa com a de muitas outras mulheres que, por diferentes motivos, precisaram adiar seus próprios sonhos. “Apesar da minha idade, eu não olho para a dificuldade. Eu penso no que ainda posso alcançar na vida. Não foi fácil voltar, enfrentei medos e preconceitos, mas fui muito acolhida pelos professores e pela escola”, relata Edilma. Seu próximo passo? A faculdade de Serviço Social, impulsionada pelo desejo de ajudar outras pessoas, assim como ela foi ajudada. A certificação, para ela, é a chave para buscar empregos melhores e reconhecimento profissional, um objetivo que a mantém firme em sua jornada.
EJA Técnico e Forma Pará: Novas Perspectivas Profissionais e Acadêmicas
Além da EJA tradicional, o Governo do Pará expande as oportunidades com o EJA Técnico e o programa Forma Pará, focados na qualificação profissional e no acesso ao ensino superior. A camareira hospitalar Marlene Costa, de 41 anos, é um exemplo. Após dois anos afastada dos estudos para cuidar do filho, ela retomou sua formação na Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (EETEPA) Anísio Teixeira, buscando a conclusão do Ensino Médio e um técnico em Contabilidade simultaneamente.
“Esse curso gera oportunidades porque mesmo quem não tem tempo, pode fazer à noite, saindo do serviço, e faz as duas coisas junto (EJA e EJA Técnico). Eu tinha o sonho de concluir meus estudos e fazer uma faculdade. Agora isso vai caminhar”, celebra Marlene, destacando a flexibilidade e a praticidade da modalidade que permite conciliar trabalho e estudo. Essa abordagem integrada é crucial para mães que buscam ascensão profissional sem comprometer suas responsabilidades familiares.
No interior do estado, o programa Forma Pará tem um impacto ainda mais profundo. Em Muaná, no Marajó, Dhiúlly Lima, mãe de dois filhos, formou-se em Geografia no início deste ano. O modelo intervalar oferecido pelo programa foi fundamental para que ela conseguisse conciliar sua vida profissional, familiar e acadêmica. “O programa, sem dúvida, é uma oportunidade gigantesca para as mães que querem voltar a estudar, que precisam conciliar estudo e família, especialmente, porque alcança diversos municípios em que a graduação não é oferecida por instituições públicas”, explica Dhiúlly.
O Compromisso do Estado com a Educação Inclusiva
O titular da Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc), Ricardo Sefer, enfatiza o propósito desses programas: garantir oportunidades para quem busca uma mudança de vida por meio da educação. “O Governo do Estado tem investido na ampliação do acesso, melhoria da estrutura das escolas e em políticas que incentivem a permanência dos estudantes em sala de aula”, ressalta Sefer. Ele destaca que a EJA, em suas diversas modalidades, representa inclusão, dignidade e a perspectiva para novos caminhos profissionais e pessoais.
Essas iniciativas não apenas reabrem portas para o conhecimento, mas também impulsionam a autonomia feminina e o desenvolvimento social e econômico das comunidades. Ao investir na educação de mães, o estado não só transforma a vida dessas mulheres, mas também impacta positivamente suas famílias e as futuras gerações, que veem na educação um exemplo concreto de superação e perseverança. Para mais informações sobre os programas de educação no Pará, acesse o site oficial da Seduc Pará.
Histórias como as de Edilma, Marlene e Dhiúlly reforçam a importância de políticas públicas que considerem as especificidades e os desafios da maternidade. Elas demonstram que, com apoio e oportunidades, o sonho de uma educação plena e de um futuro promissor é acessível a todas as mães, independentemente de sua idade ou de quanto tempo se passou desde a última vez que estiveram em uma sala de aula. O Portal Pai D’Égua continuará acompanhando e noticiando as histórias que transformam o cenário paraense, sempre com informação relevante, atual e contextualizada para você.