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Pará realiza simpósio inédito para aprimorar atendimento em Libras no serviço público estadual

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Em um passo significativo para a consolidação de políticas de inclusão no Norte do Brasil, o Governo do Pará deu início ao I Simpósio sobre a Política de Atendimento ao Público em Libras. O evento, organizado pela Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), ocorre entre os dias 7 e 9 de maio, ocupando as dependências da Escola Estadual de Ensino Médio Augusto Meira, em Belém. A iniciativa surge como uma resposta à necessidade urgente de qualificar o diálogo entre o Estado e a comunidade surda, garantindo que o acesso aos serviços públicos não seja barrado por obstáculos linguísticos.

O simpósio reúne um público diversificado, composto por membros da comunidade surda, intérpretes profissionais e servidores públicos. Mais do que um treinamento técnico, o encontro se propõe a ser um espaço de escuta e construção coletiva. Durante as atividades, os participantes discutem estratégias práticas para humanizar o acolhimento nos órgãos estaduais, além de prestigiar apresentações culturais que reforçam a riqueza da identidade surda. A programação, que se estende até o sábado, reforça o compromisso governamental em transformar a Língua Brasileira de Sinais em uma ferramenta cotidiana de cidadania.

Diálogo e qualificação: os pilares do atendimento em Libras no Pará

A realização deste primeiro simpósio marca um amadurecimento na gestão da assistência social paraense. Ao focar na qualificação dos serviços ofertados, a Seaster busca padronizar o atendimento em Libras, evitando que o cidadão surdo dependa exclusivamente da sorte de encontrar um servidor capacitado por iniciativa própria. A ideia é institucionalizar a presença do intérprete e a fluidez na comunicação em todas as instâncias de atendimento ao público.

Para os organizadores, a escolha de uma escola estadual como sede do evento também carrega um simbolismo forte: a educação é a base para qualquer mudança cultural. Ao levar o debate para dentro do ambiente escolar, o Estado sinaliza que a inclusão deve começar na formação e se estender por toda a vida civil. O evento é aberto ao público e permite inscrições presenciais, o que democratiza o acesso à informação e convida a sociedade civil a entender melhor as demandas dessa parcela da população.

Desafios da acessibilidade e o impacto social da comunicação inclusiva

Os números justificam a urgência do debate. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 10,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva, o que representa aproximadamente 5% da população nacional. No Pará, essa realidade exige políticas públicas capilares e eficientes. Nazaré Cruz, diretora de Assistência Social da Seaster, enfatiza que a Libras é fundamental para assegurar que essas pessoas não sejam invisibilizadas pelo sistema.

“A Seaster e o Centro Integrado de Inclusão e Cidadania (CIIC) atuam diretamente com esse público, fornecendo intérpretes em ações e espaços de outras instituições”, explicou a diretora durante a abertura. Essa rede de apoio é vital, pois garante que o cidadão surdo possa exercer direitos básicos, como solicitar documentos, buscar vagas de emprego ou acessar serviços de saúde, com autonomia e dignidade. A meta é que o atendimento inclusivo deixe de ser uma exceção para se tornar a regra no funcionalismo público paraense.

Identidade e educação: a voz da comunidade surda no simpósio

Um dos pontos altos do evento é a participação ativa de estudantes e lideranças da comunidade. Suelen Santos, estudante de Libras na Universidade do Estado do Pará (Uepa) e presidente do Centro Acadêmico de Letras Libras, trouxe uma perspectiva essencial: a língua de sinais não é apenas um código de comunicação, mas uma expressão de identidade. Para ela, a sociedade precisa abandonar a visão de segregação e adotar uma postura coletiva.

“Nosso objetivo é contribuir para a construção de uma educação que contemple a Libras como parte integrante do ensino brasileiro”, afirmou Suelen. Essa visão é compartilhada por muitos participantes que veem no simpósio uma oportunidade de desmistificar preconceitos. A inclusão real acontece quando o ouvinte se dispõe a aprender e a respeitar a cultura surda, reconhecendo que a barreira não está na audição, mas na falta de acessibilidade do ambiente.

Legislação e o futuro das políticas públicas para surdos

Embora a Língua Brasileira de Sinais tenha sido oficialmente reconhecida pela Lei 10.436 em 24 de abril de 2002, a implementação prática de políticas linguísticas ainda enfrenta desafios estruturais. Weslei Farias, intérprete de Libras da Seaster, destaca que o simpósio é uma ferramenta de fortalecimento dessas políticas. Segundo ele, as instituições públicas têm o dever de buscar meios constantes para aprimorar o atendimento em diferentes áreas da sociedade.

O encerramento da programação no sábado (09) não deve ser visto como o fim, mas como o início de um novo cronograma de ações. Os desdobramentos esperados incluem a ampliação de cursos de capacitação para servidores e a criação de protocolos mais rígidos de acessibilidade nos prédios públicos. O Pará, ao promover este simpósio, coloca-se na vanguarda do debate sobre direitos linguísticos na Amazônia, provendo um modelo que pode ser replicado por outros estados da região.

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