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Arte e antropologia da Ufopa ganham destaque nacional com prêmio de reconhecimento

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Artista e antropóloga da Ufopa tem coleção selecionada para prêmio nacional Jean Silva/TV Tapaj
Artista e antropóloga da Ufopa tem coleção selecionada para prêmio nacional Jean Silva/TV Tapaj

O reconhecimento da cosmologia amazônica em escala nacional

A produção artística e científica desenvolvida na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) acaba de alcançar um patamar de visibilidade nacional. Uma pesquisadora e artista, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Arqueologia da instituição, teve sua coleção de artes digitais selecionada para o prestigiado Prêmio Pierre Verger. A indicação coloca a cosmologia afroindígena da Amazônia no centro de um dos debates mais importantes da Antropologia Visual brasileira.

A obra, intitulada “Resgate das Taperas (Casas Abandonadas) de Encantados”, é composta por 12 telas digitais que exploram a intersecção entre o território físico e o plano espiritual. O trabalho surgiu como um desdobramento criativo de sua pesquisa acadêmica, realizada entre 2023 e 2024, e conta com o suporte do Núcleo de Pesquisa e Documentação das Expressões Afroreligiosas (NPDAFRO).

Memória e espiritualidade nas telas digitais

O conceito central da coleção gira em torno das “taperas”, casas abandonadas que, sob o olhar da antropóloga, deixam de ser apenas estruturas em ruínas para se tornarem espaços de memória e conexão. Nas telas, a artista retrata a relação dos moradores das áreas de várzea com os “encantados”, figuras centrais na cosmologia local.

A viabilização técnica e a difusão desse projeto foram possíveis graças ao incentivo da Lei Paulo Gustavo, que contemplou a proposta no segmento de cultura digital em 2024. Esse suporte financeiro foi fundamental para que a pesquisa acadêmica transcendesse os muros da universidade e ganhasse uma forma estética capaz de dialogar com o grande público.

Projeção no cenário da Antropologia Visual

A indicação ao Prêmio Pierre Verger não é apenas uma conquista individual, mas um reconhecimento da relevância das narrativas amazônicas. A premiação ocorrerá durante a 35ª Reunião Brasileira de Antropologia, que será realizada entre os dias 13 e 17 de julho, na Universidade de Goiânia. A organização do evento é de responsabilidade da Associação Brasileira de Antropologia.

Após a exposição durante o evento, as obras selecionadas seguirão um circuito itinerante. A previsão é que a coleção circule por diversas regiões do país e também no exterior ao longo dos próximos dois anos, levando a realidade das comunidades de várzea para novos públicos e pesquisadores internacionais. Para conferir mais detalhes sobre o evento e a associação, acesse o portal da Associação Brasileira de Antropologia.

Trajetória além das artes visuais

A atuação da pesquisadora vai muito além das telas digitais. Ela é uma figura ativa no audiovisual através do Coletivo Mucajá, onde assina a direção de obras que preservam saberes tradicionais. Filmes como “Bole-bole mucajá: um filme de brincar”, “Samaúmas Sagradas” e “A casa que habita em mim” são exemplos de como a artista utiliza diferentes linguagens para documentar a cultura amazônica.

O trabalho contínuo em comunidades de várzea reforça o compromisso da pesquisadora com a valorização das identidades locais. Ao unir o rigor da antropologia com a sensibilidade da arte digital e do cinema, ela contribui para que as vozes e as crenças da região sejam ouvidas e respeitadas em todo o território nacional.

O Portal Pai D’Égua segue acompanhando os desdobramentos dessa trajetória e os avanços da cultura e ciência na nossa região. Continue conosco para se manter informado sobre as notícias que valorizam a nossa identidade e o conhecimento produzido no Norte do Brasil.

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