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Trinta anos do massacre de Eldorado do Carajás: MST mobiliza ações em memória dos mártires

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todos os territórios organizados pelo conjunto da militância do MST. VEJA MAIS
Reprodução Oliberal

O massacre de Eldorado do Carajás completa 30 anos nesta sexta-feira, 17 de abril, uma data que coincide com o Dia Internacional da Luta Camponesa. Para honrar a memória dos 21 trabalhadores rurais sem-terra que perderam a vida em 1996, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organiza, ao longo deste mês, a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. As atividades ocorrem em todas as regiões do Brasil, destacando a luta e o sacrifício dos mártires da reforma agrária.

Considerado um dos episódios mais trágicos da história da luta pela terra no Brasil, o massacre ocorreu quando cerca de 1.500 trabalhadores rurais marchavam na PA-150, em protesto contra a morosidade da reforma agrária na região sul e sudeste do Pará. No dia 17 de abril de 1996, a Polícia Militar do Estado do Pará atacou o grupo, resultando na morte de 21 pessoas. Este evento se tornou um símbolo da luta por justiça social e reforma agrária, sendo lembrado anualmente como um marco na resistência camponesa.

Apesar da grande repercussão nacional e internacional, a impunidade permanece um tema doloroso. Dos 155 agentes envolvidos, apenas dois foram presos, e os demais foram absolvidos após um curto período. Essa realidade evidencia a persistente injustiça no campo brasileiro, que continua a afetar a classe trabalhadora. Entre os sobreviventes, 64 foram mutilados e 25 ainda não receberam indenização, além de não contarem com acompanhamento médico adequado para tratar as sequelas do ataque.

Mobilizações em todo o Brasil

Até o dia 15 de abril, o MST realizou mobilizações em 20 municípios, abrangendo 13 estados e o Distrito Federal, com a participação de cerca de 16 mil militantes. A programação deste ano inclui uma série de atividades especiais no Pará, local do massacre, mas se estende a todos os territórios organizados pelo MST.

Ayala Ferreira, integrante da direção nacional do MST, destaca que a mobilização contínua do movimento, três décadas após a tragédia, demonstra a relevância da luta pela reforma agrária. “Que possamos fazer do dia 17 de abril um dia que marque profundamente o que pode ser um movimento que hoje é referência para o mundo”, afirmou. Atualmente, cerca de 145 mil famílias sem terra permanecem acampadas no Brasil, das quais 100 mil estão organizadas no MST.

Atividades no Pará

No estado do Pará, diversas atividades estão programadas para abril em memória dos mártires. O 20º Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra, que começou no dia 10 e vai até o dia 17 de abril, reúne 500 jovens de estados como Maranhão, Tocantins e Roraima, além de militantes locais. O acampamento tem como objetivo a formação e organização da juventude, com plenárias, assembleias e oficinas que discutem a Reforma Agrária Popular do MST, além de atividades culturais como o festival Terra, Arte e Pão.

Em Curionópolis, o VIII Ato Político-Religioso no Assentamento Frei Henri, realizado em 12 de abril, homenageou o advogado francês Frei Henri Burin des Roziers, que lutou contra o trabalho escravo e pela terra no Brasil. O ato reuniu cerca de 1.500 militantes e reforçou a importância da memória e da resistência.

A programação também inclui uma marcha que retoma o percurso interrompido em 1996, com o lema: “A voz pela vida calará a ambição”. A mobilização começou em Curionópolis e segue em direção à Curva do S, em Eldorado do Carajás, com a chegada prevista para o Dia Internacional da Luta Camponesa, reunindo cerca de 3 mil militantes.

Debates e reflexões sobre a reforma agrária

No dia 15 de abril, João Pedro Stedile, dirigente nacional do MST, participou de um debate no Instituto Federal do Pará (IFPA), campus de Parauapebas, onde abordou temas relacionados à reforma agrária e à economia mineral. Este evento faz parte da Jornada de Abril de Lutas pela Reforma Agrária, que marca os 30 anos do massacre e busca promover discussões sobre a democratização da terra e a crise social que afeta o país.

A luta pela reforma agrária continua a ser um tema central na agenda política brasileira, refletindo a necessidade de justiça social e direitos para as populações rurais. O MST, ao relembrar a tragédia de Eldorado do Carajás, reafirma seu compromisso com a luta pela terra e pela dignidade dos trabalhadores rurais.

Para mais informações sobre a luta pela reforma agrária e as atividades do MST, continue acompanhando o Portal Pai D’Égua, que se dedica a trazer notícias relevantes e contextuais sobre questões sociais e políticas no Brasil.

Fonte: oliberal.com

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