🎵 Rádio LiberalFM ao Vivo

Coletivo de moda em Belém transforma materiais descartados em arte e identidade amazônica

Facebook
X
WhatsApp
Telegram
Criatividade e reaproveitamento produzem peças com valor ambiental
Criatividade e reaproveitamento produzem peças com valor ambiental

Um coletivo de moda criativa, formado por jovens da periferia de Belém, tem se destacado pelo uso inovador de materiais descartados, criando peças que não apenas refletem a identidade amazônica, mas também promovem a sustentabilidade. Desde sua fundação, há cerca de um ano, o grupo tem utilizado a moda como uma poderosa ferramenta de expressão cultural, unindo estética e consciência ambiental.

As criações do coletivo são verdadeiras obras de arte, onde cada look é pensado com detalhes como acessórios, recortes e colagens que traduzem referências locais. A proposta é clara: construir uma moda que dialogue com o território e as vivências dos criadores, valorizando a rica cultura da região amazônica.

O conceito de upcycling e sua importância

O processo criativo do coletivo gira em torno do conceito de upcycling, uma técnica que visa reutilizar materiais descartados para criar novos produtos. Essa abordagem não apenas ajuda a reduzir a quantidade de resíduos, mas também abre portas para novos profissionais da moda que emergem nas periferias. Victoria do Rosário, CEO e idealizadora do coletivo, destaca: “O processo é todo pensado para valorizar a nossa identidade e mostrar que a gente pode criar a partir do que já existe”.

Desafios da indústria da moda e a relevância da moda circular

O cenário ambiental da indústria da moda é alarmante. No Brasil, estima-se que cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis sejam geradas anualmente, com apenas 20% desse volume sendo reciclável. Globalmente, a indústria da moda é considerada uma das mais poluentes, ficando atrás apenas da indústria petrolífera. Nos últimos anos, mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram descartadas, e as projeções indicam um crescimento contínuo desse problema. Nesse contexto, a moda circular surge como uma alternativa viável ao modelo tradicional de produção e consumo.

Designers locais e a incorporação da sustentabilidade

Em Belém, outros designers também têm adotado essa lógica de sustentabilidade em seus trabalhos. Jomaique Melo, figurinista e designer de moda com mais de 10 anos de experiência, utiliza materiais reaproveitados para criar peças que unem estética, cultura e consciência ambiental. Seu ateliê é um espaço vibrante, onde dezenas de criações carregam referências amazônicas e histórias diversas, como looks feitos com faixas de aparelhagem e jeans inspirados em embarcações da região.

“É uma forma de reduzir impacto e, ao mesmo tempo, criar algo com identidade”, afirma Jomaique, ressaltando a importância do trabalho colaborativo e da valorização da cultura local.

O futuro da moda nas periferias

O upcycling tem se mostrado uma oportunidade valiosa para ampliar o debate sobre consumo consciente e o protagonismo das periferias. Para os jovens que estão começando, bem como para profissionais já consolidados, essa prática não só oferece uma alternativa sustentável, mas também promove a criatividade e a inovação no setor. A moda, assim, se transforma em um meio de resistência e afirmação cultural, onde cada peça carrega uma história e um propósito.

À medida que o coletivo e outros designers locais continuam a explorar novas formas de expressão através da moda, a expectativa é de que essa iniciativa inspire mais pessoas a repensar seus hábitos de consumo e a valorizar a riqueza cultural da Amazônia. Para acompanhar mais sobre essa e outras iniciativas que estão fazendo a diferença, continue acessando o Portal Pai D’Égua.

ANÚNCIOS

// bombando!

// Veja também