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Luta contra Belo Sun: indígenas ampliam mobilização em Brasília após deixar ocupação no Pará

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Brasília Anderson Barbosa
Brasília Anderson Barbosa

A capital federal se tornou o novo palco da intensa mobilização indígena contra o projeto de mineração Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, no Pará. Após mais de 40 dias de ocupação na sede regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Altamira, os povos originários desocuparam o local na última sexta-feira (3) e seguiram para Brasília. A mudança de estratégia visa intensificar a pressão durante o Acampamento Terra Livre (ATL), o maior encontro indígena do país, onde a pauta central é o fim da mineração em seus territórios.

A chegada dos manifestantes a Brasília representa um novo capítulo na luta contra o que consideram uma ameaça iminente à biodiversidade e à subsistência de diversas comunidades. O movimento, que ganhou força e visibilidade em Altamira, agora busca ecoar suas reivindicações nos corredores do poder federal, exigindo a suspensão da licença de instalação do empreendimento e uma revisão profunda do processo de licenciamento ambiental.

A mobilização em Altamira e a Volta Grande do Xingu

A ocupação da Funai em Altamira teve início em 23 de fevereiro, liderada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu. Rapidamente, a ação ganhou adesão, reunindo mais de 140 indígenas de povos como Juruna, Xikrin, Xipaia, Arara e Parakanã. O objetivo principal era claro: exigir a suspensão da licença de instalação do projeto Volta Grande do Xingu, da mineradora Belo Sun.

Este empreendimento, que propõe a reabertura da maior área de extração de ouro a céu aberto do Brasil, é visto como uma ameaça existencial para as comunidades ribeirinhas e indígenas da região. A preocupação com os impactos ambientais e sociais de uma mineração de tal porte é o motor da resistência, que se manifestou de forma contundente na sede da Funai no Pará.

Estratégia renovada: de Altamira a Brasília

A decisão de desocupar a Funai em Altamira e migrar para Brasília não foi um sinal de enfraquecimento, mas sim de uma articulação estratégica. Sol Juruna, uma das participantes do movimento, enfatizou a resiliência e o crescimento da mobilização. “A nossa saída da Funai em Altamira não significa recuo. Esse movimento não enfraqueceu, ele cresceu. Hoje estamos mais fortes, mais articulados e com novos aliados para denunciar as violações e cobrar das autoridades uma resposta à altura da gravidade deste projeto”, afirmou.

Em Brasília, o grupo busca não apenas visibilidade, mas também ações concretas. Uma das principais reivindicações é a federalização do licenciamento ambiental do empreendimento. Atualmente sob responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), os indígenas argumentam que o processo deveria ser conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão com maior abrangência e, na visão dos povos, mais rigor técnico e imparcialidade para avaliar os impactos de um projeto dessa magnitude.

O controverso licenciamento ambiental e o relatório “Minando Direitos”

A controvérsia em torno do licenciamento do projeto Belo Sun não é recente. No final de março, a própria Funai enviou um ofício à mineradora, à Semas e ao Ibama, solicitando a inclusão de estudos sobre impactos cumulativos e sinérgicos na região da Volta Grande do Xingu. Este ponto se tornou central nas discussões, pois a avaliação isolada de um empreendimento pode mascarar a dimensão real dos danos quando somada a outros projetos já existentes ou planejados na área.

Um relatório contundente do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), intitulado “Minando Direitos”, trouxe à tona falhas graves no processo de licenciamento. O documento aponta que o Projeto Volta Grande excluiu comunidades indígenas que deveriam ter sido consideradas desde o início. A empresa teria realizado estudos e consultas apenas com povos localizados nas duas terras indígenas oficialmente demarcadas na região, ignorando outras populações diretamente afetadas.

O levantamento do MPI indica que ao menos 10 comunidades foram excluídas do processo. Seus pedidos de participação foram negados sob a justificativa de estarem a mais de 10 quilômetros do empreendimento, um critério considerado restritivo e incompatível com os direitos territoriais indígenas pelos pesquisadores. O relatório alerta que, caso aldeias Xikrin da Terra Indígena Trincheira Bacajá fossem incluídas, o número de comunidades excluídas poderia chegar a 57, evidenciando a dimensão da negligência no processo de consulta e avaliação.

A pressão continua e o futuro do Xingu

A mobilização em Brasília, no contexto do Acampamento Terra Livre, busca dar voz a essas comunidades e pressionar as autoridades por uma revisão completa do projeto Belo Sun. A luta dos povos indígenas do Xingu não é apenas pela proteção de seus territórios, mas pela garantia de seus direitos constitucionais e pela preservação de ecossistemas vitais para o Brasil e o mundo. A pressão, como afirmou Sol Juruna, continuará também no Pará, com a cobrança pelo fim definitivo do projeto.

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Fonte: g1.globo.com

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