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Ovos de páscoa amazônicos: cerâmica marajoara e sabores da floresta em destaque

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ada. A aposta, que nasce no Pará e combina ingredientes da biodiversidade amazôn
Reprodução G1

A Páscoa no Brasil ganha um novo contorno, unindo a riqueza dos sabores da Amazônia à arte milenar da cerâmica marajoara. Em uma iniciativa que transcende o simples chocolate, ovos de páscoa amazônicos embalados em peças artesanais têm conquistado o paladar e a admiração de críticos e do público em todo o país, consolidando uma proposta que valoriza a cultura e a biodiversidade paraense.

Nascida no Pará, essa aposta inovadora combina ingredientes nativos da floresta com o trabalho manual de comunidades tradicionais, transformando o produto em um item de desejo que vai além do convencional. A ideia central é resgatar a origem do chocolate e da própria cultura amazônica, substituindo embalagens plásticas e caixas por cerâmicas que contam uma história.

A arte ancestral do barro: mestre Pantoja e a cerâmica de Icoaraci

No coração dessa valorização cultural está o mestre ceramista Carlos Pantoja, um artesão com 45 anos de experiência no ofício. Morador de Icoaraci, distrito de Belém, ele integra uma comunidade tradicional de cerca de 200 ceramistas, que mantêm viva uma arte passada de geração em geração. Mestre Pantoja é o responsável por dar forma às embalagens que se tornaram o grande diferencial da Mágio — Chocolates da Amazônia.

A inspiração para essas peças vem de uma fonte profunda: a arte indígena marajoara antiga, combinada com a inovação da cerâmica icoaraciense. Essa fusão reflete a ancestralidade e a identidade cultural da região, que em 2022 teve o artesanato cerâmico de Icoaraci reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém. Esse reconhecimento sublinha a importância de um trabalho que não é apenas estético, mas também histórico e social.

A ideia de usar a cerâmica como embalagem para os ovos de páscoa amazônicos surgiu há quatro anos, a partir de um convite do engenheiro, pesquisador e chocolatier César De Mendes, fundador da Mágio (antiga De Mendes, uma empresa paraense de biotecnologia de alimentos). O processo criativo é colaborativo, mas a alma das peças é inegavelmente forjada na tradição e no conhecimento ancestral do mestre Pantoja e sua comunidade.

Mágio Chocolates: inovação e resgate cultural

A Mágio — Chocolates da Amazônia, com sua fábrica e loja em São Paulo, mas com raízes profundas no Pará, tem se destacado por essa abordagem única. Embora a produção de ovos de cerâmica tenha começado em pequenas quantidades para presentear colaboradores, a comercialização oficial na temporada de Páscoa teve início em 2026, com a produção aumentando a cada ano, mantendo um selo de exclusividade que atrai um público exigente.

A marca, que se empenha em oferecer um chocolate de alto padrão, enxerga na cerâmica uma forma de conectar o consumidor diretamente à origem do produto e à cultura amazônica. É uma estratégia que vai além do marketing, promovendo um diálogo entre o artesanato tradicional e o mercado de luxo, e gerando impacto positivo nas comunidades envolvidas.

Do barro à floresta: o ciclo de produção sustentável

A produção das peças de cerâmica segue um cronograma rigoroso, que respeita o tempo da natureza e o ritmo das mãos humanas. Diferente da lógica industrial, as etapas de confecção dessas embalagens exigem um planejamento que se estende por todo o ano. Mestre Pantoja detalha o processo: “A produção começa com a retirada do barro pelas comunidades ribeirinhas. Depois vem o beneficiamento, a modelagem, o grafismo, a secagem, a queima, a pintura e o empacotamento.”

Esse ciclo meticuloso garante que cada peça carregue não apenas um design único, mas também a história e a identidade do território. Utilizar essa cerâmica é uma forma poderosa de reconhecer e valorizar a arte que florescia na Amazônia muito antes do período colonial. Os traçados “icoaracienses”, incisões profundas feitas no barro ainda úmido, inspiram-se nos diversos estilos de grafismos indígenas da cerâmica marajoara, mantendo viva uma memória cultural que se reflete em cada detalhe.

A preocupação com a origem se estende ao cacau. Os três sabores de ovos de páscoa amazônicos oferecidos em edição limitada — chocolate ao leite com praliné de avelã e caramelo de maracujá; chocolate ao leite com recheio de praliné de avelã; e chocolate ao leite com recheio de cupuaçu — são produzidos com cacau adquirido de comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares. Esses produtores cultivam a fruta em sistemas agroflorestais ou em áreas de regeneração, onde o cacau convive com outras riquezas da floresta, como açaí, taperebá, castanha-do-pará e pimenta-do-reino, garantindo sustentabilidade e biodiversidade.

Para assegurar o padrão premium do chocolate, a Mágio mantém equipes permanentes no Pará, oferecendo assistência técnica contínua aos fornecedores. O foco está no manejo das lavouras e, crucialmente, nas etapas de fermentação e secagem, que são determinantes para o desenvolvimento pleno dos aromas e sabores do cacau. Todo o processo de beneficiamento do cacau é feito no Pará, enquanto a finalização, incluindo a moldagem e a embalagem, ocorre na fábrica em São Paulo.

A essência da Amazônia no paladar e na transparência

Se a cerâmica externa encanta, o recheio dos ovos reforça a identidade regional. Ingredientes como o cupuaçu, fruta nativa da Amazônia, são protagonistas. O contraste da acidez do cupuaçu com o dulçor do chocolate ao leite resultou em um equilíbrio de sabores que foi amplamente aprovado, sendo eleito um dos “melhores do ano” por consumidores nas redes sociais e em revistas de gastronomia. O diretor executivo da marca, Renan Tanzillo, destaca que “fazer o nosso principal ovo com cupuaçu é parte dessa valorização dos ingredientes nativos”, ressaltando a importância da brasilidade e dos produtos locais.

A transparência é outro pilar fundamental da Mágio. Um sistema de rastreabilidade de ponta a ponta garante que o consumidor saiba exatamente a origem de seu chocolate. Por meio de um aplicativo próprio, os produtores registram fotos de cada etapa da produção, mesmo sem acesso imediato à internet. Esses registros são validados via blockchain, um banco de dados digital que assegura a imutabilidade das informações, conferindo total credibilidade e confiança ao produto final.

Essa iniciativa demonstra como a inovação e o respeito às tradições podem caminhar juntos, criando produtos de valor agregado que não apenas celebram a cultura amazônica, mas também promovem o desenvolvimento sustentável e a valorização de comunidades. É uma Páscoa que nutre não só o corpo, mas também a alma e a história de um povo.

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Fonte: g1.globo.com

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